Crise 2.0: Trabalhadores Empobrecidos nos Países Ricos

 

Na crise, saídaviver em trailer,Paris Foto: William Daniels/International Herald Tribune

 

Repisamos várias vezes aqui na série Crise 2.0, sobre quem paga a conta das Crises: Os Trabalhadores e o povo em geral. Apresentamos vários números que demonstram a queima de Forças Produtivas, como condição fundamental para abertura de um novo ciclo, após a Crise de Superprodução de Capital. Separamos-nos dos que acham que a crise é provocada pela fraqueza da Economia, é o contrário, é quando ela está no ápice.

 

Muitas vezes nos apegamos aos fenômenos que são relatados como sendo o centro da crise, foi assim em 1974, ano que se diz ocorreu a crise do petróleo, quando na verdade a crise aconteceu entre 68 e 69, quando se chegou no topo da superprodução. Não é diferente, no caso atual, a crise para maioria ocorreu em 2008, com a queda do Lehman Brothers, quando na verdade, a explosão se deu em na segunda metade de 2005, início de 2006, quando se chegou ao pico do valor do mercado imobiliário dos Eua, as farras de hipotecas, o lixo tóxico é multiplicado várias vezes neste momento, vem à lona em 2008.

 

Lembramos que em 2006 apenas 4,9 % dos trabalhadores dos EUA estavam desempregados, a participação da massa salarial era a mais alta da história. Em pouco menos de 5 anos o número de desempregados chegou aos 9,1%, mais de 15 milhões de trabalhadores. O Bolsa Família(Food Stamps) passou de 32  milhões em 2005 para 45 milhões. Mas o número mais marcante é a queda de 25% da massa salarial dos trabalhadores, além dos números do FED que confirmam a queima de Forças Produtivas, publicado no Estadão do dia 12/06/2012:

“A mediana da riqueza líquida das famílias norte-americanas diminuiu quase 40% entre 2007 e 2010, recuando aos níveis de 1992, informa o Federal Reserve Bank dos Estados Unidos em estudo divulgado nesta segunda-feira, 11. Depois de três anos tumultuados para a economia dos EUA, as famílias norte-americanas viram tanto a renda quanto o patrimônio líquido caírem acentuadamente, revela a Pesquisa sobre as Finanças dos Consumidores realizada pelo Fed.

A mediana da riqueza líquida caiu de US$ 126.400 por família em 2007 para US$ 77.300 por família em 2010. A queda de 38,8% é a maior da série histórica, iniciada em 1989, e o nível é o mais baixo desde 1992, informa o Fed. Já a média da riqueza das famílias, que é a diferença entre o patrimônio e o endividamento, caiu 14,7%. ( Agência Dow Jones, via Estadão)

 

Do outro lado do Atlântico a Crise de Superprodução acontecerá em 2008, mas sua face “pública” só é efetivamente percebida no fim de 2010 e durante o ano de 2011, com a quebra de Irlanda, Portugal e Grécia. Agora se alastrou definitivamente atingindo de forma violenta a Espanha e Itália. O PIB grego retrocedeu 20% desde 2009, o número de desempregado passou de 12% em 2009 para 22,6% agora em maio de 2012. O abandona dos programas sociais fez explodir os casos de AIDS e tratamento de doenças contagiosas. Há mais de 50 mil sem tetos em Atenas.

 

Na Espanha há mais de 25% de desempregado, contra apenas 11% em 2008, com relação aos jovens 50% estão desempregado( número similar ao da Grécia), o empobrecimento na Espanha é assustador, com cerca de 21% das famílias vivendo no limiar da pobreza, cerca de 10 milhões de pessoas, com  renda anual de 11,6 mil Euros. Com a tendência de piora, o governo exige uma grande economia das províncias, com cortes nos orçamentos, em particular nos gastos sociais. Um novo pacote de corte vai atingir saúde e educação, ainda este ano, para não esquecermos que a economia daqui, serviu para resgatar apenas um banco falido.

 

Portugal, segundo Estadão(10/07/2011) diz:” Hoje, um quinto dos portugueses vive com menos de 360 euros por mês — cerca de R$ 800, não muito distante do salário mínimo brasileiro. No total, esse universo abrange quase 2 milhões de pessoas. Uma fatia de 4% não tem condições financeiras para fazer uma refeição a cada dois dias com carne ou peixe. Os dados oficiais da UE apontam que o risco de pobreza em Portugal, que em 2008 atingia 18% da população, hoje já é de 23%. Tenham certeza que estes números pioraram neste quase um ano de plano de austeridade.

 

Mesmo na poderosa Alemanha, que tem um desemprego “controlado”, cerca de 7 % da população, cerca de 70% de todos os novos empregos desde 2006 são os mini-trabalhos, que pagam no máximo 800 Euros, a maioria apenas 400 Euros. Uma horda de 500 mil novos imigrantes chegou à Alemanha, apenas ano passado, grande parte de mão de obra qualificada, mas que vai se submeter ao mini-trabalho. A Agenda 2010, aprovada ainda sob governo Social Democrata de Schroeder, esconde a dura realidade do país. Caso similar o da Holanda que apresenta baixa taxa de desemprego, pois lá há uma grosseira manipulação, se uma pessoa trabalha 4 horas por semana, é considerada Empregada.

 

Mesmo com todas as mazelas, um dos tópicos centrais da agenda dos Planos de Austeridade, aplicados, por enquanto, em: Irlanda, Portugal, Grécia, Espanha e Itália, é a flexibilização do trabalho, generalizando o trabalho precário, sem direito sociais algum. A Espanha se orgulha de dizer que agora tem a melhor legislação trabalhista, pois pode se mandar embora os trabalhadores pagando-se no máximo 20 dias de indenização. A Itália, do tecnocrata Monti, luta ferozmente  para aprovar a lei “trabalhista”, na prática já se faz o uso amplo do trabalho precário, desde o governo de Berlusconi, com vistas grossas da justiça.

 

Há alguma dúvida quem paga a conta? de quem é exigido mais sacrifícios?

 

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