Crise 2.0: Contradições dos Analistas Econômicos

 

Um mundo cheio contradições e de significados

Ontem passei o dia fora, em outra obrigações prazerosas, acompanhando a defesa de tese do Doutoramento de minha irmã, então não dei sequência aos posts sobre Economia Mundial, aqui na série sobre a  Crise 2.0. Esta semana comecei com o foco na Alemanha, na verdade na busca de desmitificar o que há por trás do “imenso” sucesso da receita alemã, nas suas famosas lições de casa. Que parece que virou uma ideologia à distância, pois de perto, com estes dois artigos ( Crise 2.0: A Farsa das”Lições de Casa” AlemãsCrise 2.0: Alemanha – Todos dizem Eu te Amo!) constatamos que o que Alemanha exige dos outros, jamais aplicou em casa.

 

Sejamos bastante francos, não só a Alemanha, nos EUA jamais se seguiu o receituário ideológico de suas escolas neoliberais, mas sempre exigiu, via FMI, que os países “periféricos” assumam tais planos. Este debate é fundamental para que possamos entender a lógica de funcionamento dos países centrais. Os exemplos de ações “contraditórias” se multiplicaram aos montes, principalmente pós 2008, não que antes fosse diferente, mas é que agora saltam aos olhos, se tornam visíveis demais. Chega a ser risível como os “jornalistas” domesticados, principalmente os locais, compram  esta ideologia e são “enganados” pela matriz.

 

Esta semana o Estadão, jornal genuinamente de Direita no Brasil, sem fricotes, ou modismo, por isto merece respeito, estava comemorando o “modelo alemão”, ao mesmo tempo que esculhambava o modo petista de administrar a crise, apenas em rápidas leituras, com um pouco de cuidado(poucos têm esta disposição), se percebe que: 1) não entenderam o modelo alemão;ou 2) Não entenderam o modo petista. Pois, em síntese, o caminho de combate a crise, tanto lá como aqui é o mesmo – segurar o emprego e renda, segundo exportar, fazer superávit que lhe permita fôlego para contas públicas, terceiro, monitorar seus bancos, evitar quebras. Por último, a Alemanha subsidia salários, diretamente nas empresas, para que não demitam, fico pensando se Dilma fizesse isto aqui, teria guerra.

 

Neste um ano que estou a escrever estas resenhas sobre a Crise Mundial, o maior aprendizado é perceber estas sutilezas e/ou extremas contradições. Como em regra, os cadernos de economia, são desvinculados da parte de política, é comum a ‘licença poética” de num mesmo dia, você pensar que vivemos no inferno, aqui no Brasil, pela maneira como o governo trabalha e enfrenta a crise, porém se ler loas aos países centrais, tipo Alemanha. Todo o conjunto de medidas que estes países tomam de enfrentamento da crise são exatamente os mesmos do Brasil, aliás, lá eles dizem que foi o Brasil, em 2008, com Lula que abriu o caminho.

 

Apenas para ficarmos num dado, o PIB alemão tem perspectiva, segundo FMI, de crescer 1% em 2012 e no máximo 1,4% em 2013, ainda dependendo de vários fatores como a quebra ou não de Espanha e Itália. Este fato é motivo de festa por parte do Estadão e outros jornais. Porém quando se mostra os números do PIB local, que pode crescer 1,9% (dado do mercado) e 2,5% segundo FMI, parece que o Brasil vive no pior dos mundos. Óbvio que nada disto é gratuito, a ideologia local, de enfrentamento ao PT é o que os move, não a análise rigorosa e séria do que o país faz está no caminho certo.

 

Sem ufanismos, ou ilusões, o Brasil buscar a saída da forma menos dolorosa a maioria da população, não precisa seguir as receitas do FMI, o que talvez fruste tanto os economistas domesticados locais. Esta é outra conclusão que chego nestes estudos, de quase 200 artigos publicados: mesmo os economistas, principalmente os que publicam em jornais, não conhecem a realidade lá fora, vivem de orelhada. A maioria substitui a análise pelo desejo, o que obviamente os cega, até para apontar os problemas da condução. Invariavelmente, caem no discurso da vala comum, o país é atrasado, falta infraestrutura de portos e aeroportos, estradas, tudo muito óbvio, como se isto tivesse começado a faltar em 1/1/2003.

 

O que há de Central e é comum a todos os países que efetivamente enfrentam a Crise, é sua soberania, sua capacidade de buscar soluções próprias, Alemanha, EUA, China, França, Brasil, são exemplos, de que não abriram mão da autonomia local, ou no nosso caso, recuperamos a soberania, quase perdida por Collor/FHC. A iniciativa do Estado é o componente essencial para enfrentar a crise, sem ela, não se chega a qualquer lugar, isto é fato inconteste, que deveria ser o centro de nossos debates.

 

Mais ainda, olharmos que a Crise aprofunda a falência do Estado em geral, sobrevive a parte essencial, a econômica, este é outro desafio, entender que Estado sairá desta Crise. A compreensão de um marxista, parte da realidade material, não de seus desejos ou ideologia, deve entender o mundo como ele, não como nós achamos que é, para, assim, exigir o novo, de como deveria ser. Saber os limites de governos e do Estado é urgente demais, numa conjuntura tão adversa e tão rica ao mesmo tempo.

 

0 thoughts on “Crise 2.0: Contradições dos Analistas Econômicos”

  1. O dificil é entender porque países como: Espanha, Grécia, Itália não perceberam ou não querem que sem o estado protegendo sua industria, seus trabalhadores, eles vão sair da crise que cada vez assolam esses países. Que a crise é do capital especulativo, e não do produtivo. Proteger bancos em detrimento da industria, do emprego não soluciona os problemas que esses países enfrentam. E pelo agravamento da crise não vão sair tão cedo.

  2. Olá, Arnobio!
    Sempre foi assim: os ‘analistas’ querendo implementar as medidas econômicas que, eventualmente, dão certo em algum lugar do mundo, aqui, no Nosso Brasil, com nossas peculiaridades.

    Se teorias de Friedman, por ex., deram certo em algum lugar, não significa que o liberalismo ‘pega’ aqui!

    Dai-nos paciência, viu!

    abraços

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