Crise 2.0: Medalha de Ouro para Desemprego na Europa

 

Trabalhadores poloneses, menos atingidos pelo desemprego Foto: Piotr Malecki/The New York Times

Por enquanto que bate o recorde mundial, não apenas o olímpico, é o desemprego na Europa, aqui série sobre a Crise 2.0, semana passada já havia tratado da questão do desemprego, devido às críticas da mídia brasileira sobre o pouco avanço no emprego no Brasil, no post Crise 2.0: A questão do Emprego, já tinha comparado o desempenho aqui com os EUA e a Europa. Mas, como hoje publicaram novos  e preocupantes dados da Zona do Euro, resolvi voltar ao tema, para que tenhamos uma visão mais ampla.

 

Conforme falamos antes que “em um ano na UE houve um corte de vagas de quase 2 milhões. Países como Espanha, Grécia em 5 anos o desemprego sai, respectivamente de 10,2 para 24,5 e de 11% para 22,3%. Exceto Alemanha, que mantém o desemprego sob controle, mas com taxa de 7%, houve um crescimento geral na UE do desemprego que hoje atinge 11,2% . Há mais de 14 meses que este número se mantém acima dos 10%”. Os novos números são piores, tornando o emprego o centro do problema da crise.

 

Segundo o Estadão “Mais de 100 mil pessoas perderam o emprego na zona do euro em junho, elevando a taxa de desemprego do bloco ao maior nível desde a criação da moeda única e aumentando a pressão para que o Banco Central Europeu (BCE) tome alguma medida de estímulo econômico na reunião de amanhã. O número de pessoas sem emprego na zona do euro cresceu 123 mil em junho, para 17,801 milhões, informou a Eurostat. Isso significa uma taxa de desemprego de 11,2% em junho, em consonância com a previsão dos economistas consultados pela Dow Jones. O dado de maio foi revisado de 11,1% para 11,2%. O resultado esconde números bastante díspares. São taxas de desemprego tão baixas quanto os 4,5% da Áustria e incrivelmente altas como os 24,8% da Espanha, onde o encolhimento da economia torna cada vez mais difícil ao país pagar suas dívidas”.

 

A piora é gradual e “democrática”, atingindo ate os mais ricos, mostrando que as políticas de ajustes são um grande fracasso, tornando a questão do trabalho central, não podendo mais ser ignorada, como por exemplo, informa a matéria do Estadão “Na Itália, a o desemprego subiu para 10,8% em junho, o mais alto desde janeiro de 2004, informou o instituto nacional de estatísticas, Istat. O dado de maio foi revisado para 10,6%, de 10,1% calculado inicialmente. Em junho do ano passado, estava em 8,1%. Todos os números são ajustados sazonalmente. Já na Alemanha, maior economia do bloco, o número de alemães sem trabalho subiu pelo quarto mês seguido em julho, embora permaneça perto de sua mínima desde a reunificação da Alemanha, há mais de duas décadas. Mesmo dentro das estimativas, a alta é mais um sinal de que a crise da zona do euro está começando a afetar o país”.

 

O que levou o economista do ING Carsyen Berzeski a  dizer “No geral, o mercado de trabalho alemão está claramente perdendo força” e que  “Dado o alto nível de emprego, não há necessidade de pânico. Entretanto, estão crescendo as indicações de que os tempos de despreocupação estão chegando ao fim”. A água começou a subir demais , os dados alemães também tiveram piora subindo de 6,6 para 6,8% em apenas um mês. É baixo, mas já não se tem movimento de novas contratações, mesmo na Alemanha.

 

O Foco sempre é a Espanha, como informa o Estadão , pois “Novos dados mostram aumento da fuga de capital dos bancos espanhóis. O país está perigosamente perto de perder o acesso ao mercado financeiro, aumentando os rumores de um calote. Se a Espanha sucumbir, a Itália certamente seguirá seus passos.Com esse quadro, os líderes europeus têm passado os últimos dias divulgando comunicados conjuntos prometendo fazer o que for necessário para salvar o euro, mas nenhum criou mais expectativas que o do presidente do BCE, Mario Draghi.

 

Como dissemos hoje cedo no artigo Crise 2.0:”Faremos tudo para Salvar o Euro”, que muito se tem falado em salvar o Euro, as pouco em salvar as pessoas, os trabalhadores, aqueles que realmente sofrem os piores efeitos da crise. Parece que só há medalha de Ouro ou Prata aos grandes banqueiros e empresários, não sobrando nada aos que padecem pela miséria imposta pela Crise.

 

Falta emprego, sobra medo e desespero…esta é a realidade da olimpíada do Euro.

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