Crise 2.0: Obama II

 

Obama comemora com a Michelle, sua esposa, pouco tempo para vibrar. Foto AFP

 

E Obama renovou o mandato por mais quatro anos, menos mal, para os EUA e para o mundo, o risco de um ultra-reacionário e ultraliberal, na Casa Branca era enorme, pois, como sempre repetimos, a Economia é fundamental numa eleição, se ela vai bem, o sentimento de continuidade permanece. No caso dos EUA a Crise permanece, acompanhamos de perto aqui, na série sobre a Crise 2.0, no entanto, Romney apresentava um mergulho no desconhecido com proposta que aprofundaria mais a crise, em particular menos proteção social.

Óbvio que é melhor acordar com Obama II do que com Romney, que disse ontem a seguinte pérola “Deus criou os EUA para dominarem o mundo”, não há diálogos com tamanha imbecilidade. O país se dividiu de ponta a ponta, os mais ricos ficaram em peso com Romney e seu liberalismo tosco, prometendo menos impostos aos bilionários, como se estes não fossem os verdadeiros responsáveis pelo caos da economia. Os mais pobres ficaram com Obama, sem o mesmo entusiamo de quatro anos atrás, mas ainda assim, a esperança venceu as TREVAS.

O que esperar de Obama II? esta é a grande questão, no artigo anterior, Crise 2.0: Obama x Romney e o Abismo Fiscal, que no dia seguinte bem comemoração teria, pois as tarefas enormes se impunham, em particular a questão fiscal, num congresso ainda de maioria dos Republicanos. Os ajustes precisam de acordos ainda agora em novembro, a virada de 2013 pode significar uma nova paralisia na economia com o fim dos subsídios e o corte de 600 bilhões no orçamento, determinado pelo frágil acordo de Agosto de 2011.

Obama II tem que no mínimo romper com as duas frentes que tornaram decepcionantes o Obama I, a primeira, limitar o poder dos falcões Democratas, cortando as asas de Hilary Clinton, que fez a política externa de Obama ser mais repressiva e menos multilateral que de Bush Jr, todos os temas anteriores encontraram na Sra Clinton uma resposta ainda mais pesada, com mais guerra e intervenções, ameaças e manutenção de uma política externa hostil, comandada em nome  dos burocratas da indústria bélica. Obama II, tem a chance de mudar, não precisa mais dos Clintons para uma nova eleição, nem para nada.

O Obama II no front interno tem a chance de começar trocando Bernanke no FED, seu desastrado mandato vence, não precisa renovar, mas, ao mesmo tempo, se o Secretário do Tesouro, Tim Geithner assumir, vai significar o mais do mesmo, é preciso redescobrir a política econômica longe dos parâmetros do FMI, das fórmulas fáceis, como a expansão da moeda(QE) que apenas isolou ainda mais o país do mundo. Os 7 anos de crise( 2005 -2012) parece não ter sido suficiente. O ano de 2012 é um respiro, mas a continuidade depende de novas ideias, num ambiente pesado, com minoria na Câmara.

A crise em escala mundial, concentrada no eixo fundamental da economia capitalista, mais de 50 do PIB estar em Crise, não é pouca coisa, as soluções negociadas e multilaterais deveriam se impor, visto que  não há liderança, inconteste, capaz de levar a cabo um novo Plano Marshall ou algo do tipo. Obama II é uma nova oportunidade, desde que rompa com aquilo que mais contribuiu para que ele fosse o mais do mesmo, se tornasse extremamente comum, quase não sendo reeleito.

Agora é seguir em frente, com uma ameaça, maior, a menos.

 

admin

Nascido em Bela Cruz (Ceará- Brasil), moro em São Paulo (São Paulo - Brasil), Técnico em Telecomunicações e Advogado. Autor do Livro - Crise 2.0: A Taxa de Lucro Reloaded.

0 thoughts on “Crise 2.0: Obama II

  1. com certeza, os ricos fazem a festa e depois os pobres tem de pagar pelo desenfreamento deles? Está mais do que na hora dos republicanos repensarem seus valores, dá lhes Obama.

  2. Nada espero de diferente do Obama (até porque o poder de decisão dele é praticamente nulo). O que vier de bom será simplesmente lucro. Fiquei impressionada com o discurso da vitória. Ele foi econômico em promessas e duríssimo em cobranças. Vamos ver.

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