Análise de Ilíada/Odisséia – Visão Política(Nova Versão)

Odisseu arrebatado pela canção de Demódoco, de Francesco Hayez, 1813-15
Odisseu arrebatado pela canção de Demódoco, de Francesco Hayez, 1813-15

 

Depois de publicar os apontamentos dos meus resumos da Ilíada(Ilíada – Ficha de resumo(1996)) e da Odisseia(Odisséia – Resumosou instado a tentar analisar o significado destas obras. Aqui começa a grande dificuldade: a multiplicidade de visões que as obras apontam. Tentarei cercar, didaticamente, em três visões, que se interpolam: Política, Educação e Psicologia.

A visão de Educação está diretamente ligada a monumental obra de Werner Jaeger, a Paidéia. A visão Psicológica meu guia será o Junguiano Junito de Souza Brandão e suas obras sobre Mitologia Grega e Romana. As observações políticas fazem parte de uma junção de leitura e estudos pessoais que tentam extrair lições próprias destes livros.

A dimensão Política de Homero

Cidades-Estados em busca de um Estado Nacional

As cidades gregas, denominação genérica dada aos povos que habitavam a região dos Bálcãs, em particular sua parte sul, se constituiu das várias migrações tanto europeias quanto asiáticas. Vários povos formaram estas cidades e trouxeram seus valores e culturas, mas não havia uma identidade “nacional” até aproximadamente o Século IX  e VIII A.C.

Estas cidades-estados foram formadas por tribos de genes comuns, com economia baseada na agropecuária com mão de obra escrava, conquistada em pequenas guerras regionais ou tribais. Suas instituições políticas vão se sofisticar com a religião e a cultura, paulatinamente, nos séculos seguintes e será referência de exercício de poder democrático.

Com o predomínio dos Dórios começa lentamente a se ter um maior e mais intenso contato entre estas cidades-estados, sem dúvida o comércio e trocas entre elas ajudou a aproxima-las, neste aspecto, a religião com seus deuses comuns ajudam a formar uma identidade comum. Mesmo assim elas permanecem “autônomas”.

A Ilíada nos traz o pano de fundo da Guerra Internacional os povos “gregos” em coalizão invadem a Capadócia. Esta união nacional é germe do estado grego confederado, os chefes locais unem-se aparentemente para defender um dos seus pares, que havia sido ultrajado pelo estrangeiro que lhe roubara a esposa (rapto ou sedução de Helena por Páris, príncipe troiano).

Cada povo representado na armada grega tem seu príncipe como instância máxima de poder decisório. Os doze principais reunidos têm em Agamenon seu comandante-em-chefe, mesmo este não tem todo o poder para si, pois as principais decisões são amplamente decididas pelo colegiado dos príncipes.

A questão da guerra, muito além do rapto é a tentativa de formatar o Pan-helenismo o estado nacional grego, o combate é a forma mais rápida e eficaz de dar unidade a esta ideia. O próprio funcionamento dos órgãos decisórios também demonstra a futura formação política do estado grego.

A poesia de Ilíada e Odisseia está carregada de ideologia política, de leis, códigos, que escritas, ou não escritas serão seguidos por todos os povos. A coerção, o caráter obrigatório que elas assumiram. Estas cidades-estados, com suas leis locais, vão se moldando ao “espírito grego nacional”, as principais cidades, Atenas e Esparta darão a dinâmica política-militar ao estado grego.

Esta inovação marcará definitivamente a história ocidental, pois desta fonte original primeiro beberão os Romanos, quando da formação política do seu estado, que em muito ultrapassará o grego por seu caráter imperialista. Este caráter se inspirará em Alexandre Magno, o Macedônio, que conquista a Grécia, e eu seu nome se expande ao Oriente, sem, no entanto reter este império.

O Estado e suas  instituições políticas, as assembleias, as leis de estado, a democracia é o legado grego para o ocidente, a poesia, o teatro e religião servem ao conceito de organização social.

Todas estas questões estão presentes nas duas obras.

(Texto Publicado originalmente em 17 de Dezembro de 2009)

Deixe uma resposta

%d blogueiros gostam disto: