Trilogia de Orestes, A Maldição dos Atridas(Nova Versão)

Zeus - o Pai dos deuses e dos homens
Zeus – o Pai dos deuses e dos homens

 

Trilogia de Orestes

 

Passado Anterior (Guerra de Tróia)


 

Agamenon era o comandante-em-chefe da armada Grega na guerra contra Tróia, casado com Clitemnestra a irmã gêmea de Helena, que por sua vez casada com Menelau, irmão de Agamenon, ambos genros de Zeus e Leto. A acidentada viagem da Grécia até Tróia teve vários eventos funestos como a trágica parada em Áulis. Como os ventos não eram favoráveis para navegação às naus gregas ficaram retidas em Áulis por longo tempo, causando revolta nos guerreiros.

Agamenon manda consultar o oráculo de Delfos e a resposta é que ele tem que sacrificar a filha Ifigênia, pois só assim os deuses permitiriam o prosseguimento da empreitada. Obediente aos fados chama a Áulis a filha dizendo para esposa que ali realizaria o casamento dela com Aquiles, o Pelida, o maior herói Grego. Clitemnestra toda satisfeita leva a filha, porém ao chegar verá o marido realizar o sacrifício exigido pelos deuses. Revoltada, Clitemnestra retorna para casa e faz de Egisto (primo de Agamenon), seu amante, prometendo vingar-se de Agamenon

1º Livro – Agamenon

 

Tema: Tragédia. Traição

Resumo: Agamenon retorna de Tróia com seus troféus, mas é assassinado por sua esposa Clitemnestra e seu amante Egisto.

Agamenon retorna de Tróia com enormes espólios de guerra e seus troféus, desfila vitorioso pelas ruas de Micenas. Ele é homenageado com júbilos nas praças da cidade, até a entrada no palácio real. Traz, entre os seus troféus e riquezas, a bela amante Cassandra, filha de Príamo e Hécuba, que era vidente, porém ninguém acreditava nas suas profecias.

Clitemnestra dá as boas vindas ao marido, fingindo não ver que ele traz consigo a amante, Cassandra. Prepara o banho real, como a esposa saudosa. Agamenon se despoja das armas e vai ao banho, sem perceber a presença do seu primo  e inimigo que aproveitando de sua fragilidade mata-o sem piedade. O pequeno Orestes filho de Agamenon e Clitemnestra foge  para o exterior, sua irmã, Electra é entregue a uma família de camponeses para que seja criada longe do palácio real. Cassandra é morta por Egisto, este junto com Clitemnestra passa a governar a cidade-estado.

 

2º Livro – As Coéforas


Tema: Tragédia. Vingança

Resumo: Orestes volta do exterior para vingar a morte do pai, sendo ajudado por sua irmã Electra.

Passados dez anos, todo dia Electra vai visitar o túmulo do seu pai. Um dia, porém, depois de muito lamentar os fados de sua vida, ela percebe que está acompanhada, pois havia uma madeixa de cabelos do mesmo tipo de cabelo dela, além de uma sua pegada que era parecida com a do irmão. Ao inquirir o forasteiro este se revela como sendo Orestes que voltou com o amigo Pílades.

Os dois conversam com Electra e revelam que pretendem vingar a morte de Agamenon. Disfarçado Orestes chega ao palácio se apresentado como estrangeiro que tem comunicação urgente para Rainha Clitemnestra, é prontamente recebido por ela e lhe diz que Orestes está morto. Egisto, que estava fora, retorna e ao saber da notícia finge que está triste em saber que seu enteado está morto. Aproveitando-se do momento, Orestes, mata Egisto e logo a seguir sua mãe, completando assim a vingança.

Após o assassinato, Orestes passa a ser perseguido pelas fúrias (criaturas da noite) que exigem que os crimes cometidos por pessoa do sangue sofram punição igual.

3º Livro – As Eumênides


Tema: Tragédia. Julgamento

Resumo: Orestes havia matado Clitemnestra, sua mãe, e o amante dela, Egisto. Ele deverá ser julgado pelo conselho dos sábios presidido por Palas Athena, filha de Zeus.

Orestes matou sua mãe, Clitemnestra, e o amante dela, Egisto, mas logo a seguir passar a ser perseguido ferozmente pelas Eumênide(as Fúrias) por todo e qualquer lugar que fosse dia ou noite as deusas da vingança dos crimes de sangue não permitiram quem ele descansasse, fazendo com que ele fosse até Atenas.

Em Atenas, no templo da Deusa Palas Athena, Orestes será julgado pelos crimes. A deusa preside o julgamento tendo as fúrias à prerrogativa da acusação. Apresentados os argumentos dos dois lados, findado os debates, o conselho dos velhos Doze sábios passa a votar e não chegam a um consenso terminando empatada a votação (seis pela absolvição e seis condenação). Athena (Minerva para os romanos) decide pró-réu devido o empate.

Comentários

Estes três pequenos livros são conhecidos como a Oréstia, por isso coloquei-os aqui de uma única tacada. Formam um conjunto interessante, pois seguindo uma lógica dialética teríamos para cada livro uma parte desta: Tese, antítese e a síntese.

Há todo um contexto que precisa ser conhecido e avaliado para o melhor entendimento, tendo três vetores fundamentais da função do teatro grego, tomo como base a descrição da Paidéia :

1)    Questão da Religiosa;

2)    A Questão Política;

3)    A questão da justiça;

Questão da Religiosa

A visão comum dos gregos era de que os fados ou uma maldição familiar de violar a ordem divina precisavam ser purgados, de geração em geração, os erros dos antepassados, num infindável caminho de mortes e tragédias familiares.

A história da família de Agamenon começa com o lendário rei Pélope, que  tinha sido manchada por Violação, assassínio e traição. A maldição dos Átridas(descendentes de Atreu)  a linhagem fundada por  Tântalo, filho de Plota e Zeus. Tântalo casou-se com a deusa  Dione, e dela tiveram Pélope e Níobe. Porem em certa ocasião Tântalo matou Pélope e serviu-o como sopa para os deuses. Por isso teve a sua vida sacrificada, para que Pélope voltasse à vida. Os gregos acreditavam que este passado violento lançou infortúnios sobre a linhagem inteira da Casa de Atreu

Aqui, na Orestia,estamos na terceira e quarta geração em que são retroalimentados os crimes de sangue, numa ordem de vinganças e morte, o basta, ou “perdão” final se dará com Orestes.

Questão Política

Através do teatro ensinava-se à sociedade os editos permitidos e proibitivos do estado, neste sentido as vinganças familiares, de matar a quem matou seus parentes, que eram toleradas precisava ter um fim, porque ameaçava o estado e paz social, em crimes sem fim. O que antes era permitido passa a ser proibido, coincide com as leis de Sólon.

Questão de Justiça

Aqui os primeiros entendimentos de julgamento, conselho de sábios, juízes imparciais são apresentados à sociedade numa peça que tem fundamentalmente a função educativa e até mesmo em caso de igualdade qual caminho seguir.

Funda-se neste caso o que o direito romano consagrará no futuro sobre a questão de que na dúvida o veredicto será pró-réu.

A Complexidade da Sociedade e a questão da Mulher

A transição é clara da sociedade matriarcal representada por Clitemnestra para sociedade patriarcal conduzida por Orestes. No fundo Orestes “mata” aquela velha sociedade e sob os auspícios da deusa Athena, que não nascera de mulher é absorvido pela nova forma política que se impõe.

Alguns ritos iniciáticos também são apresentados, Ifigênia ao invés de ser morta na hora H é substituída por uma Corsa (lembra o sacrifício de Abrão). Orestes vai viver no exílio, para que de criança volte como guerreiro adulto. Ele tem em Pílades seu preceptor.

Sobre Ésquilo

Poeta grego. Viveu por volta de quatrocentos e oitenta A.C. É um dos precursores da tragédia grega. São poucos os livros dele que chegaram até nós. Muitos dos seus escritos se perderam por completo, outras apenas partes. Temos acesso aos seguintes: a TRILOGIA DE ORESTES e o PROMETEU – que é uma trilogia, mas que se conhece apenas o primeiro volume.

 

(Publicado originalmente em 27 de Setenbro de 2010)

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