EUA Espionam Dilma

Obama espiona Dilma - Fotomontagem do site Brasil247
Obama espiona Dilma – Fotomontagem do site Brasil247

As revelações do ex-agente da CIA, Edward Snowden, sobre a política de espionagem dos EUA no mundo, de forma ampla e irrestrita, ontem ganhou mais um capítulo com a entrevista do jornalista Glenn Greenwald, do jornal inglês, The Guardian, ao “Fantástico” em que mostrou provas de que a Presidente do Brasil, Dilma Rousseff, e o Presidente do México, Enrique Peña Nieto, são alvos permanentes de monitoração pela agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos (NSA).

 Na reportagem do programa da Rede Globo, hoje reproduzida no portal de internet Uol  diz que “de acordo com o jornalista, é possível afirmar que Dilma foi monitorada, e não apenas que houve um projeto de espionagem, porque há indicações no documento de que não estão planejando, mas, sim, “festejando o sucesso da espionagem”. Números de telefone, e-mails e IPs (identificação individual de um computador) teriam sido monitorados. Um gráfico mostra toda a rede de comunicações da presidente com seus assessores. De acordo com a reportagem, porém, o documento não tem exemplos de mensagens ou ligações entre Dilma e seus ministros. 

O material apresentado por Greenwald cita o método de espionagem aplicado às comunicações da presidente como “uma filtragem simples e eficiente que permite obter dados que não são disponíveis de outra forma. E que pode ser repetido.”  Além disso, afirma que a NSA teve sucesso contra alvos de alto escalão: Brasil e México (cujo presidente, Enrique Peña Nieto, também aparece na reportagem como espionado pelos EUA)”. (Uol, 02/09/2013)

Volto ao último artigo que escrevi recentemente sobre a questão do Senhor Edward Snowden e o tremendo embaraço que ele causa aos burocratas dos EUA, pois expôs ao mundo como funciona o novo Estado, que denomino de Estado Gotham City. Os interesses das corporações privadas e sua fusão com a burocracia estatal, agora sem o menor pudor ou algo que possa ocultar esta realidade. Assim defini:

O Estado Gotham City é a síntese da Crise 2.0, ele é, ao mesmo tempo, causa e resultado da maior crise do Capital desde 1929, uma crise que denomino de paradigmática, aquela que muda e aprofunda os controles do sistema. Do ponto de vista do Estado ele começa a ser forjado no final dos anos de 1970, com a Crise do Petróleo e das Dívidas externas no início dos anos de 1980. Precisamente com Reagan e Volcker(FED) o Goldman Sachs captura o Estado para si e começa a determinar a ordem do capital financeiro.

Os 25 anos de longo domínio desta lógica de funcionar do Capital encontrou limites na Crise 2.0 e na resistência do velho Estado de Bem Estar Social, que trava a “liberdade” total de movimentos mundiais do Capital. A Crise é o problema-solução, toda uma nova ordem pode advir dela, inclusive a Revolução. Mas, descartada a Revolução de ruptura, o Capital faz a sua própria revolução, ou melhor, impõe uma dura mudança dentro do sistema que lhe mais favorece, em detrimento dos trabalhadores e da sociedade. A face mais visível é a repressão aberta, ou a sutil, a do controle de tudo que acontece na sociedade para melhor dominá-la.

A democracia passa a ser um “estorvo”, os velhos políticos ou as velhas formas de representação são tragados ao caos, esta aparente desordem esconde o “Novo”, um estado controlador, espião, policial que consegue galvanizar as revoltas não contra si, mas contra a própria democracia, vide Egito, Turquia e agora no Brasil. As massas perdidas gritando contra as instituições, contra os políticos, mas não contra o Estado. Aliás, este ganha força com as propostas de intervenções das “forças da Ordem” ou o surgimento de um Batman, de um herói que ajude a criar mais uma “máscara” e proteja o Estado Gotham City.

No meu livro, Crise Dois Ponto Zero – A Taxa de Lucro Reloaded, no Capítulo VI, trato da questão, além da crise em si, aponto os caminhos desta nova ordem Estatal, que busca esconder a ação do Estado com o ultraliberalismo, quase um semi-estado, mas na verdade é um Estado muito mais forte, de exceção, sem democracia, povo e representação. A horizontalidade exigida pelas multidões casa em essência com os desejos da burocracia, numa dominação de massas de forma eficaz, pois se suprime a representação e seus intermediários ( Partidos, Sindicatos, Organizações) tidos como desmoralizados, tudo se diluí em “movimento” em “Redes”(M15, 5 S, Sustentável,Tea Party) e “Indignados”, facilitando enormemente a cooptação e o combate de ideias.

A inteligência se dispersa, os núcleos se dissolvem, pois o Estado parece que não é mais uma ação concreta, algo que se pensou antes, agora se materializa. A ilusão de que a informação era para todos, livre, na verdade ela é extremamente controlada, dosada, permitida, mas principalmente VIGIADA. A utopia de movimento horizontal é um mito tolo, os “chefes”, os ”anonymus” são a ponta de lança da garantia deste novo Estado. Quando um agente sai da ordem, causa um razoável estrago, mas poucos se dão conta do que realmente Snowden nos disse e o que é a essência de sua mensagem: estamos todos DOMINADOS. Alguns brincam de “guerra fria”, como se fosse possível volta à roda da história.

O mundo está cada vez mais próximo de uma ordem neofascista, não nos moldes dos anos de 1930, mas num Estado forte, repressor, controlador de todas as atividades humanas, num aparente consenso autoritário, com as massas pedindo fim dos partidos, da democracia representativa e ao mesmo tempo pedindo “ordem”. 

A aparente confusão causada pelas revelações de Snowden, não nos causa espanto, ao contrário, “na loucura, se revela um método”. Os EUA se aproximam perigosamente de um estado fascista, nem as famosas “liberdades individuais”  dos seus cidadãos são respeitadas. Tudo foi por água abaixo, a burocracia e seu Estado de Exceção, se impõe frente à democracia. As eleições estão sendo legadas ao segundo plano, a desmoralização ampla dos eleitos também é parte fundamental do novo Estado, a estrutura burocrática já não aceita a democracia como parte da engrenagem. Mesmo com revelações tão graves há uma aparente apatia interna, ninguém reage.

O controle estratégico do que presidentes e seus assessores pensam, falam e discutem se tornou vital ao paranóico governo dos EUA, pelo que se sabe não se restringiu ao Brasil e México, a própria UE também foi espionada, até os governos “aliados”. A diferença destes, para os outros é que, ao seu modo, eles também têm planos de espionagem própria. Nos casos de Brasil, México e outros governos, que agem apenas nos seus limites territoriais. A Inglaterra recentemente reteve o brasileiro David Miranda, companheiro de Glenn Greenwald, por nove horas no aeroporto Heathrow, tomando-lhe material, invadindo seus emails a pedido dos EUA.

Segundo o jornal “O Globo”, ” James Bramford, especialista que escreveu três livros sobre a NSA, falou com o Fantástico, em Washington. Ele diz que a NSA tem espiões nas embaixadas e consulados americanos pelo mundo. “Temos uma grande embaixada em Brasília e um consulado no Rio de Janeiro. A NSA opera nesses prédios”, afirmou. Antenas nas embaixadas podem interceptar sinais de microondas e telefones celulares, disse Bramford”.

O jornal diz que “em Hong Kong, quando se encontrou com Glenn Greenwald, Edward Snowden comentou os documentos que envolvem a espionagem à presidente Dilma.  Ele disse o seguinte: “a tática do governo americano desde o 11 de setembro é dizer que tudo é justificado pelo terrorismo, assustando o povo para que aceite essas medidas como necessárias. Mas a maior parte da espionagem que eles fazem não tem nada a ver com segurança nacional, é para obter vantagens injustas sobre outras nações em suas indústrias e comércio em acordos econômicos”.

O objetivo fundamental é o controle econômico, político e militar, assim continua o jornal: “Em questões comerciais, saber o que os outros estão pensando antes das reuniões multilaterais é como jogar pôquer sabendo quais as cartas de todos na mesa”, disse Bramford. Outro documento obtido com exclusividade pelo Fantástico diz que uma divisão inteira da NSA é dedicada à política internacional e atividades comerciais, com um setor encarregado de países da Europa Ocidental, Japão, México e Brasil.

Um terceiro documento ultrassecreto enumera os desafios geopolíticos dos Estados Unidos para os anos de 2014 a 2019. O surgimento do Brasil e da Turquia no cenário global é classificado como risco para a estabilidade regional. E o Brasil aparece de novo, junto com outros países, como uma dúvida no cenário diplomático americano: nosso país seria amigo, inimigo ou problema? Também são citados Egito, Índia, Irã, Turquia, México. “Quando o país fica mais independente, mais forte, como o Brasil está (…), competindo com os Estados Unidos, empresas americanas. E por causa disso, o governo americano está pensando diferente sobre o Brasil”, afirmou Glenn.

Esperemos os novos capítulos das revelações de Edward Snowden, via Glenn Greenwald. Mesmo os EUA preparando a guerra Síria, ou não, como escrevemos sábado ( #SyriaWar: O “recuo” de Obama ), ainda temos muito a saber por este ex-agente fora de controle. Uma provocação: Por que os cyberativistas nunca revelaram nada do que acontece no mundo? Por que foi preciso Brandley Manning e Edward Snowden abrir ao mundo os “cables”, “Memos”?

5 thoughts on “EUA Espionam Dilma”

    1. RLivre,

      Minha questão é outra, por que nunca tivemos revelações vinda dos ativismo digital, eles que se denominam os “fodásticos” do mundo? Até nós sem nem existir internet já falávamos dos espiões, com ou sem teoria da conspiração, né?

      Abraços,

      Arnobio

Deixe uma resposta

%d blogueiros gostam disto: