O que é ser Especial?

Fotos Space, divulgação
Visão “lunar” do Atacama ( Fotos Space, divulgação)
"É essa idéia que torna verdadeira calamidade a vida assim tão longa!
 Pois quem suportaria o escárnio e os golpes do mundo,
 as injustiças dos mais fortes, os maus-tratos dos tolos,
 a agonia do amor não retribuído, as leis amorosas,
 a implicância dos chefes e o desprezo da inépcia contra o mérito paciente"
(Hamlet - W Shakespeare)

Será que somos especiais? Formulando melhor a questão: O que torna alguém “especial” diante dos demais? Sem entrar no lugar-comum de que cada um é especial ao seu modo, sendo único e particular apenas por existir. Tudo isto é verdade, mas não responde bem a questão, pois há sem dúvida há pessoas que se destacam, independente da sociedade, mesmo naquelas em que se preza a coletividade ou uma relação mais igualitária. Até nas sociedades individualistas, nos ambientes extremamente competitivos, aparece alguém que se põe em destaque especial.

A explicação poderia estar na aceitação do grupo (coletivo) ou de indivíduos (isolados) que se submetem psicologicamente a estas figuras, digamos, “diferentes”, ou apenas reconhecem uma liderança, um ser mais iluminado, uma inteligência fora do comum, ou até mesmo a astúcia, um espírito mais crítico e aguçado para pronunciar palavras certas ou ações certas em momentos precisos que coincidirão com o sentimento dos que estão em sua volta. Claro que não é fruto apenas do acaso, pode ser do senso de oportunidade e perspicácia ou perseverança daquele que se tornará “especial”.

A questão, aqui proposta, vai além da visão sobre lideranças políticas variadas ou religiosas, pois até nestes há um mistério de como um ou outro passa a se destacar e outro, até muitas vezes mais talentosos, não consegue alcançar um grau maior, acabam por ceder seu espaço a outro com aparente menos potencial. Obviamente há alguns que se tornam unânimes por dons que revelam e conquistam um espaço mais amplo, como se sua iniciação fosse especial dentro dos especiais. Exemplos aos milhares brotariam assim como as justificativas para cada um deles, pois, também, devemos entender que a liderança desperta grande paixão (amor e ódio, o primeiro em mais relevo) daqueles que o analisarem.

Minhas questão é mais micro, numa relação ainda menor, nas pequenas relações sociais, nos grupos mais restritos, talvez até na busca de entender como construímos não apenas nossa personalidade, mas como atribuímos valores às demais que nos cercam e convivem conosco. Até pouco tempo, as famílias eram grandes, muitos irmãos, primos, parentes, nestes grupos as figuras vão se formando e sendo preparadas, por exemplo, para suceder os pais ou avós, as escolhas recaem nos filhos mais velhos, mas não raro outros assumiam a liderança familiar ou impunham uma respeitabilidade aos demais que passam a ser vistos como o “representante” daquele núcleo.

Como se descobre as diferenças que levam um irmão a tomar um caminho e o outro caminho distinto? Escolha dos pais ou dom natural? Como trabalhar estas diferenças, não eclipsando aquele que aparentemente seguiu um caminho diferente, que pode ser menor, naquele instante, mas que poderá se tornar igual no futuro? Como não podar aquele que foi mais precoce no surgimento de um talento diferente, nem falo especial, mas que pode ser especial não apenas na família, mas no grupo social que participa. Cada um cumprirá seu papel com mais ou menos destaque, nem sempre sendo aceito como normal que assim seja.

São mistérios da vida, a reflexão sobre eles pode explicar ou nos ajudar a entender estes fenômenos, para que tenhamos nossa autocrítica, reconheçamos nossos potenciais assim como nossas deficiências, mas fundamentalmente nos mostrando como viver e conviver com as diferenças, corrigindo distorções, se insurgindo contra as fraudes e reconhecendo aqueles que, por seus méritos e características, galgaram um lugar especial na família, no grupo próximo ou na sociedade como um todo.

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