A Crise 2.0 e a queda do Desemprego nos EUA

Em queda, mais ainda alto o desemprego nos EUA.
Em queda, mais ainda alto o desemprego nos EUA.

É fato que ainda estamos muito longes dos anos aureos da Crise de Superprodução de Kapital, em que o desemprego nos EUA bateu os 4,9% (meados de 2005) e a maior renda do pós-guerra. Mas não podemos ignorar que dados do menor desemprego nos EUA desde 2008, 6.7% em Dezembro de 2013, é um alento para um novo ciclo do Kapital. Em outubro de 2009, o desemprego teve o maior pico, 10%, permancendo acima de 9% por quase dois anos, porém a queda do desemprego vem sendo uma constante desde novembro de 2011 o que mostra que há uma reação, mesmo que lenta, para o novo impulso de um novo ciclo do Kapital.

Quando escrevi a série sobre a Crise 2.0, uma das primeiras tarefas foi retomar o conceito de Crise em Marx (Crise Dois Ponto Zero – Conceito de Crise). A questão era nos afastar do marxismo vulgar que entende formalmente Marx e trabalha com conceitos de crise terminal e/ou crise permanente. Alguns chegam a afirmar que o Kapital acabou pois não há mais produção de Valor, ou mais-valia.

A primeira parte do nosso livro, Crise Dois Ponto Zero – A Taxa de Lucro Reloaded foi feita para demarcar campos de análise e buscar, em Marx, o entendimento da crise atual sem cair no simplismo de que era apenas mais uma crise ou de que era a última. A maior importância deste entendimento é para não sermos pegos de “calças curtas” quando acontecesse a recomposição do Kapital. É fato que a crise não acabou mas alguns elementos de retomadas já estão presentes.

Como diz a reportagem da Reuters (via Estadão), hoje, 10 de Janeiro, de que “foram criadas apenas 74 mil novas vagas fora do setor agrícola no mês passado, o menor aumento desde janeiro de 2011, mas a taxa de desemprego diminuiu em 0,3 ponto porcentual, para 6,7%, informou o Departamento do Trabalho nesta sexta-feira. A taxa de desemprego foi a mais baixa desde outubro de 2008. O Center for Economic and Policy Research (Cerp), um centro de pesquisas e estudos econômicos de Washington, contudo, pondera que o indicador caiu principalmente porque as pessoas desistiram de procurar trabalho e não por conta do aumento da oferta de vagas e contratações.

Mas mesmo este número contraditório em que houve desaceleração das contratações vai na contramão de outros indicadores de emprego que vêm traçando um cenário otimista do mercado de trabalho. Os dados mostraram que mais 38 mil vagas foram abertas em novembro do que divulgado anteriormente. O número de empregos no setor de construção caiu pela primeira vez desde maio, e os setores de lazer e hoteleiro tiveram criação marginal de vagas, sugerindo que o tempo frio em algumas partes do país freou as contratações. Também houve reduções no nível de emprego do setor público.

Entretanto, “um conjunto de dados – que engloba desde os gastos do consumidor e o comércio até a produção industrial – tem sugerido que a economia fechou 2013 em base mais firme e que está preparada para se fortalecer ainda mais neste ano”. O marxismo vulgar, agora terá dificuldades de explicar os fenômenos e/ou tentar tergiversar, ignorando a realidade.

Marx continua atual, basta sabermos como usá-lo sem dogmas ou com ideologias empobrecidas das seitas neo-marxistas.

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