Saudades da Guerra Fria ou Apenas um Editorial do Estadão

Bem-vindos ao passado, assinado Estadão ou Professor Hariovaldo
Bem-vindos ao passado, assinado Estadão ou Professor Hariovaldo

Ler o editorial do Estadão é uma viagem no tempo, o ano, hoje, não pode ir além de 1963, quem sabe voltamos a crise dos mísseis soviéticos, a histeria geral, ou a construção do Muro de Berlim. Fazia muito tempo que o Professor Hariovaldo queria assumir a função e escrever um memorável editorial no falido jornal “quatrocentão”. Mas desconfio que houve uma luta de titãs para que vários editores assinassem o texto, no final houve vivas e glórias com saudações tipo Anauê.

Deliciemos-nos com as pérolas, aqui não jogada aos porcos, mas a “triunfal” vitória dos argumentos da Guerra Fria:

“Sem entrar no mérito das negociações diplomáticas e comerciais do governo brasileiro com o de Cuba, que resultam no momento em decisiva contribuição dos cofres públicos nacionais para a implantação da Zona de Desenvolvimento Especial do Porto de Mariel na ilha dos irmãos Castro, este mais recente afago à ditadura cubana reitera o carinho de Dilma Rousseff pelo dogmatismo ideológico que o lulopetismo compartilha com os Castros e só não logrou ainda consagrar plenamente entre nós por duas razões. Primeiro, porque, pragmaticamente, sua prioridade passou a ser manter-se no poder a qualquer custo; depois, pela razão histórica de que a superação de dois regimes discricionários no século passado, o getulista e o militar, teve o dom de fortalecer nossas instituições democráticas e dificultar a escalada de aventuras autoritárias, especialmente a partir da promulgação da Carta Magna de 1988 – a cujo texto, aliás, o PT fez ferrenha oposição”. (Dilma em Cuba –  29/01/2014)

Um primor de estupidez e do senso comum elevado ao extremo, que desrespeita à inteligência alheia, num texto carregado de reacionarismo e sem lógica alguma, misturado ditadura militar ao Vargas e concluindo que o PT é autoritário porque fez oposição ferrenha à Constituição Federal, mesmo tendo o partido sido um dos que mais trabalhou na Constituinte, na defesa da democracia, no respeito às eleições, mesmo com as alterações esdrúxulas como a emenda da reeleição.

Mas o velho Estadão, ou seria o Professor Hariovaldo(???), continua o seu rosário de burrice:  “Ao lado de Raúl Castro e no indispensável beija-mão de Fidel, Dilma esteve perfeitamente à vontade (…) A presidente foi a Havana também para bater ponto na 2.ª Cúpula da Comunidade de Estados Latino-Americanos (Celac), preciosa oportunidade para mais uma manifestação de simpatia pela ideologia “libertária” que irmana o lulopetismo aos Castros e a outros aventureiros bolivarianos do continente”. 

Depois fecha solenemente com o tom golpista de sempre “Ao procurar sua turma, Dilma Rousseff deixa no ar uma questão fundamental para o futuro da democracia brasileira, que a tão duras penas tenta se consolidar: o que o PT planeja para o Brasil é o mesmo que, para ficar apenas no continente, os amigos de fé de Lula e Dilma oferecem a cubanos, nicaraguenses, venezuelanos, bolivianos, equatorianos e argentinos? Sonho por sonho, melhor acreditar que tudo é apenas jogo de cena”.

Este é um dos momentos mais patéticos dos últimos anos, um mergulho ao passado, a ideologia neofascista inteira aplaudirá feliz tamanha ogrice. Todos os velhacos da defesa da “democracia”, apenas aquela que a eles interessa, estão em festa, pois o Estadão conseguiu produzir um estrume deste tamanho. É algo inusitado que me fez olhar várias vezes para data para ver se estou no ano certo, ou se retornei ao passado distante.

É a #Vergonhaalheia multiplicada por mil, parabéns.

3 thoughts on “Saudades da Guerra Fria ou Apenas um Editorial do Estadão”

  1. Faço minhas as sábias palavras do vetusto jornal. A búlgara bolchevique planeja fazer do Brasil uma grande Cuba. Eu e minha esposa, Viscondessa Kinkinha Brandão Olivares, temos contas bancárias aqui e ali (Cayman, Mônaco, etc) onde guardamos pequenas quantias, a fim de evitar a burocracia da Receita Federal Bolchevique. Além disso, tenho jatinho porque posso, e se as coisas continuarem nessa toada, fujo do Brasil.

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