O Lobo de Wall Street

Jordan Belfort( Di Caprio) o pastor da seita Dinheiro.
Jordan Belfort( Di Caprio) o pastor da seita Dinheiro.

O filme “O Lobo de Wall Street(The Wolf of Wall Street) é uma obra-prima. Para não restar dúvida ou poupar aqueles que não curtiram de ir até o fim do artigo, já começo afirmando a minha opinião final sobre o magnífico filme de Martin Scorsese. Parece que voltei ao distante 1990 e assisti ao não menos grandiosos “Os Bons companheiro”(Godfellas) ou a 1995 assistindo ao “Cassino”(Casino), para não recuar tanto a Taxi Driver. Estamos diante de um filme, quase uma ópera, conduzido com a fúria e poesia do maior diretor de Hollywood em atividade.

A história do filme pode ser lida em vários ângulos, o mais simples seria dizer que é uma Ode ao dinheiro, a ganância, mas aqui reduziríamos o panorama ao trio “Dinheiro-Sexo- Drogas” ou a qualquer variação dele, pois um puxa ao outro e não se sabe onde começa a busca pelo dinheiro, ou pelo sexo ou pelas drogas, a sequência do retroalimenta os desejos dos personagens centrais pode ser alterada ao que melhor lhe convier. O mais importante é que nenhum dos três componentes é filmado com restrição ou pudor, tudo está ali no lugar certo, no exagero e à exaustão.

O jovem Jordan Belfort tem uma aula extremamente oportuna no primeiro dia de estagiário em Wall Street, numa famosa corretora: 1) Tem que despertar no potencial comprador o desejo, o tesão de riqueza; 2) Tem que ter tesão sexual o dia inteiro;3) Tem que se drogar para se manter equilibrado. A conversa inicial no restaurante com seu mentor explica exatamente como funcionava Wall Street em meados dos anos de 1990, é a ambição em estado bruto e dita de forma clara, direta sem qualquer filtro, quem capta aqueles ensinamentos sabe que a “droga” entra no sangue imediatamente e vicia para sempre. Belfort sorri e seus olhos brilham intensamente.

A segunda aula é da queda, primeiro dia de trabalho, com diploma de corretor, entra feliz no prédio da bolsa, sem saber que naquele dia, 19 de outubro de 1997, a segunda-feira negra, era o dia do maior crash dos mercados desde 1929, a corretora em que ele ia trabalhar faliu, uma empresa de 98 anos, varrida pelo vendaval que atingiu Wall Street. A lição não podia ser melhor, na hora que ele estava apto a ficar milionário, o “destino” dos mercados lhe toma o emprego, as perspectivas e as ambições. Daquele episódio, apagará qualquer sombra de ética ou pudor de como ganhar muito dinheiro.

As horas a que se seguem nos será apresentado tudo o que se pode ganhar ou comprar e viver no meio da desgraça alheia, mas não espere que o filme seja moralista ou dê qualquer lição, ao contrário, os olhos são os do que participam da imensa orgia e compulsão pelo trio de ouro ( Sexo, Drogas e Dinheiro). Carrões, mansões, festas, muitas festas, mulheres e mais mulheres, drogas das mais variadas, tudo isto consumido sem nenhum limite, o que demonstra o quanto o corpo, mente aguentam. A vida era uma imensa turbulência, adrenalina a mil, parecia que nada, mas nada mesmo podia deter aquela loucura coletiva.

As atuações de Leonardo di Caprio, como Jordan Belfort e de Jonah Hill, no papel de Donnie Azoff o outro sócio da corretora são extraordinária, entretanto a pequena participação de Matthew McConaughey, como Mark Hanna, o primeiro chefe e mentor de Belfort é simplesmente espetacular, protagonizam uma das cenas mais densas e reais que assisti nos últimos anos, a um verdadeiro show, o texto é brilhante, instigante e ali o professor e seu novo aluno se superam, uma cena marcante demais, o centro do filme está naquele diálogo sua compreensão, ou incompreensão, levará ao entendimento, ou não, da obra.

É o grande cinema em exibição, bruto, sem filtros ou concessões, de tão forte e preciso parece a vida real, quem trabalha em grandes corporações americanas sabe exatamente o que é aquilo. O culto ao dinheiro, em determinados momentos você se sente dentro de um templo pentecostal ou de um cassino, Os discursos inflamados lembram uma pregação religiosa, ou uma convenção de uma grande empresa, a adoração ao pastor (Belfort, poderia ser um Jobs), o controle de mentes e o apelo aos seus instintos mais primitivos. O machismo exacerbado expressado sem freio, um mundo de machos predadores. Em Wall Street não há espaço para ética ou para valores civilizados, é o Kapital elevado à décima potência, então espere sempre o pior.

Vale cada um dos 179 minutos. Ainda extasiado, desde sexta-feira à noite.

The Wolf of Wall Street – restaurant scene

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The Wolf of Wall Street – “You Jerk Off?”

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Wolf of Wall Street – Leonardo DiCaprio speech

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O Lobo de Wall Street – Trailer

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