O Fim de um Ciclo.

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Lá longe a TV está sintonizada no Telecine Cult, Noivo Neurótico Noiva Neurótica, bem, não é exatamente o que gostaria de ver, mesmo com a belíssima Diane Keaton, que valeria rever, mas definitivamente o filme da Hannah Arendt ainda circunda minha mente, mesmo que tenha escrito alguma coisa sobre a obra ( Hannah Arendt – Filme), fico pensando que não fui muito preciso, no que foi dito, como também se precisasse ser mais exato. O filme é uma especulação, uma visão, um tema, muito bem feito, instigante, principalmente pela atualidade dos problemas trabalhados por Hannah Arendt.

Algumas coisas me incomodam enormemente, a maior delas é o tempo, ou melhor, a janela de tempo que tenho para escrever, para que possa elaborar ideias com mais qualidade, ou que reflita com mais exatidão o que efetivamente deveria ter dito, escrito. Infelizmente, na maioria das vezes o resultado é inferior ao que intencionava, é meio frustrante, mas é o que tenho, é o que consigo, não tem como forçar a realidade. Os limites não são apenas de falta de tempo, mas também de talento, de compreender melhor os fenômenos e transportar para este espaço as ideias. É uma briga eterna, vontade de fazer e não satisfação pelo que fiz.

Reduzi bastante às publicações, exceto quando o momento, a conjuntura exige de mim alguma intervenção, uma contribuição ao debate (nem sei se ele existe mesmo). Mas escrever é muito difícil, todas as regras e convenções associadas, estilo, transmissão precisa de uma mensagem, o cuidado com a língua, com a gramática, um turbilhão de coisas que, em última análise, torna proibitivo para qualquer um publicar. Pois do outro lado da tela, quem está lendo quer ter prazer na leitura, mas também quer que seja perfeita, sem erros, sem falhas, além de ter informações relevantes, que construa um pensamento, uma ideia sobre algo que o leitor quer saber um pouco mais. A conclusão é, sem meias medidas, só muita teimosia, vaidade, arrogância, me fizeram continuar.

Diante de um filme com algum grau de profundidade, tomamos contato com a vida (quase real) de uma grande intelectual acaba por nos levar a dois raciocínios excludentes. O primeiro, por mais ambição e boa vontade, estamos milhares quilômetros de distância de uma elaboração coerente, coesa e que sirva de diálogo no seio da esquerda. O segundo, é que não estamos no ambiente propício para que se possa desenvolver intelectualmente, o trabalho, a necessidade de reprodução nos empurra para uma realidade bem longe da academia. Ou seja, não vejo qualquer perspectiva de melhora no que já faço hoje, ao contrário, tende a piorar, as exigências e cobranças, da vida, do mundo do trabalho.

Este blog já viveu demais, já cumpriu seu papel, ou não. A cada dia é mais difícil mantê-lo, a realidade concreta venceu. Vou continuar com o domínio, escrever de vez em quando, ao sabor do vento, mas sem qualquer compromisso ou ambição de mais nada.

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