Um Ano de Francisco, um Papa.

 

O Papa no meio dos jovens numa foto coletiva.
O Papa no meio dos jovens, participando de uma foto coletiva.

Acabei de ler a entrevista de Leonardo Boff (Francisco mudou ambiente sombrio da Igreja, diz Leonardo Boff), um dos nomes mais conhecidos e perseguidos da Teologia da Libertação, falando sobre o primeiro ano de papado de Francisco. O ex-frade está feliz, demonstra nas suas palavras, na empolgação com que fala sobre o mais surpreendente dos papas desde João XXIII, parece que é uma nova oportunidade.

Já me redime (aqui O Surpreendente Papa Francisco) do erro inicial, quando o Cardeal argentino, Jorge Mario Bergoglio, em que pensava que seria apenas mais um papa qualquer, com um mandato tampão, sem que nenhuma mudança fosse efetivamente verificada. Mas não é o caso, hoje, um ano depois, afirmo sem medo que este é um papa diferente, uma luz no meio da escuridão que é o Vaticano, as trevas tinham se encastelado depois de dois bons papados: João XXIII e Paulo VI, que abriram as portas da Igreja Católica para a América Latina, para os mais pobres.

O retrocesso posterior com a dupla João Paulo II e Bento XVI, não podia indicar que surgisse qualquer esperança de mudança, mas o Cardeal Bergoglio parece nos desmentir. Em outubro passado, estive no Ceará e conversei longamente com tio padre Francisco de Assis Rocha, um discípulo de Dom Hélder Câmara, que sofreu as barbaridades da ditadura e da opção pelos pobres, na militância da Teologia da Libertação, passando por exílio “espontâneo” e pela perseguição dos coronéis no interior de Pernambuco. Encontrei meu tio feliz, radiante, empolgado com Francisco, seu xará.

Disse-me, Assis Rocha, que se sentia vitorioso, que as teses que Dom Hélder Câmara, do Vaticano II, estava agora finalmente sendo reconhecidas e aplicadas, que finalmente no seio da cúria estava um homem que conhece o “povo”, os mais oprimidos, mais pobres e excluídos da sociedade de consumo. Que tinha a mente aberta e que não tinha medo de enfrentar os problemas da igreja, não se encastelaria em Roma de forma burocrática e esqueceria o seu povo sofrido. Disse mais, que Francisco, representava a sua vida seus valores, que desejava mais saúde e anos de vida ao papa que preparasse a igreja para um novo poder partilhado (o mesmo que defende Boff na entrevista).

Mesmo nos setores conservadores da igreja com quem falei há um profundo respeito e carinho pelo papa. Assuntos jamais tratados por eles, agora parece que o Francisco, o papa, abriu suas mentes para ouvir e falar sobre temas que lhes eram caro, como aborto, casamentos de separados, gays. Só em tratar destes assuntos é uma evolução tremenda e impensável até um ano atrás. A rigidez hipócrita reinava no Vaticano, a igreja se comportava como seitas pentecostais em moda, cujo conservadorismo atávico afastava completamente as pessoas que tinham referência na igreja, mas não são cegas para o mundo.

Repetindo o que disse antes: Pouco importa se é porque a ICAR está em crise, o importante é que antes não dizia, este papa tem tido coragem de dizer, isto faz toda a diferença. Ouçamos, portanto.

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