Pesquisas Eleitorais – Um longo Caminho em 2014

 

Dilma: Uma longa agenda pela reeleição (Foto: wilson Dias/Ag.Br)
Dilma: Uma longa agenda pela reeleição (Foto: wilson Dias/Ag.Br)

 

As pesquisas eleitorais, principalmente estas ainda longe do pleito, não devem ser levadas tão à sério, a ponto de nos desmobilizar. Elas refletem o acumulado nos últimos 11 anos, mas não passa de uma fotografia, boa para nós. As comemorações não devem passar de um dia, pois amanhã estarão esquecidas. Sou sempre cético em todas as enquetes, não importando qual instituto, a metodologia ou amostragem, portanto vi apenas como normal. Tem um longo caminho a percorrer, pois, nos parece, que será a mais terrível campanha, desde aquela de 2002, onde o terror foi ao extremo.

Nesta eleição, a Direita vai jogar ainda mais sujo, vai tentar melar o jogo democrático, pois como escrevi recentemente, a “Democracia virou um estorvo”  (A Democracia é um Estorvo para o Kapital?), um empecilho para o advento do Estado Gotham City(Crise Dois Ponto Zero – O Estado Gotham City). Mais além, o PT, mesmo tão vacilante, é o INIMIGO do projeto neoliberal e neofascista que ascende no mundo, que ressurge da crise 2.0, é a síntese do Kapital para um novo ciclo de acumulação que se abriu.

Pois, pelo que percebi no que tenho lido na internet, é que agora estamos vivendo o “Novo” no movimento social e que estamos numa mudança de paradigma parecida com a mudança da” sociedade agrícola para a sociedade industrial”. Agora, tal mudança, seria da Sociedade Industrial para “Informacional”, seja lá o que diabo signifique isto. Ora, a sofisticação produtiva, não substituiu o modo de produção capitalista, nem há uma transição dele para qualquer outro modo de produção, a não ser que o tal “Capitalismo Cognitivo” seja um modo de produção “Novo”, mas falta categoria econômica e filosófica que justifique tal tese.

O debate não se pode fazer comparando a transição do modo de produção FEUDAL, agrícola, para o modo de produção Capitalista, Industrial, mesmo que ainda incipiente na época dos Ludistas, já se impunha como modo de produção determinante, que o avanço da indústria enterraria definitivamente o modo de produção feudal, do predomínio do campo sobre à cidade. Ali, temos uma mudança efetiva de sistema, aqui não há mudança no modo de produção e acumulação, não se rompe com a sociedade de classes, nem se substituiu a luta de classe, o liame que une trabalhadores e burguesia. A leitura mais elementar do Manifesto, ajudaria a dirimir qualquer dúvida sobre  funcionamento do regime burguês, ali, Marx e Engels, definem de forma cristalina qual o objeto do Capital, o que nos parece, em essência, é o que sustenta a sociedade de classes: O Lucro.

Tenho buscado o diálogo, quase monólogo, para por um termo mais claro ao debate sobre a Crise atual, que denomino de Crise 2.0, mas não apenas as consequências econômicas, mas, principalmente, seus impactos sociais, na vida dos trabalhadores e da sociedade em geral. As mudanças que tendem a ser mais terríveis do que antes, pois há, no meu conceito, uma mudança de paradigma, ou uma tendência à barbárie social, no meio de guetos de extrema riqueza, cada dia menos partilhada, inclusive no coração do Capital.

Seria de bom tom, então, que cada um de nós esqueçamos os números do IBOPE, DataFalha, pois a batalha será selvagem, eles aprenderam a manipular nas redes sociais, inclusive contando com a vacilação do ativismo digital, que não consegue perceber o mal que está por vir. Cabe a nós, velhos militantes, manter o debate e apontar os caminhos que segue a luta de classes.

Juntos, olhemos com paciência e otimismo, sem baixar um segundo se quer, a nossa guarda.

2 thoughts on “Pesquisas Eleitorais – Um longo Caminho em 2014”

  1. Boa reflexão, Arnobio.

    Não dá para se guiar por pesquisas que são feitas há mais de seis meses antes da eleição.

    Aliás, se a gente comparar os números de eleições passadas a esta mesma época, tomaríamos um susto. Em 1994, Lula era imbatível; em 1998, estava em empate técnico com FHC; em 2002, embolado com Ciro Gomes e Garotinho (!); em 2006, recuperando-se do baque da crise de 2005; em 2010, Dilma estava ultrapassando Serra.

    Ao final, em 1994 e 1998, FHC venceu em primeiro turno, em 2002, 2006 e 2010 tivemos segundo turno, dois deles (2002 e 2010) duríssimos, sem dizer que 2006 foi inesperado.

    O fato: há um certo teto para o PT no segundo turno das eleições presidenciais. De 2002 a 2006, houve uma certa troca de base social, com o afastamento da classe média e o aprofundamento das classes mais populares, que aumentou em 2010.

    O problema: este aprofundamento não veio sob forma de politização, entendendo por “politização” não densos cursos de formação política, mas sim a identificação da ascensão social por meio do aumento do emprego, do consumo e da renda com as ações governamentais e, principalmente, com o partido que está no governo.

    Muitas pessoas atribuem a Lula o feito; outras, a Deus ou a seu esforço pessoal. Em termos de população brasileira, poucos fazem esta ligação – cerca de 20% do eleitorado, que pertence ao PT.

    Meus prospectos para a eleição deste ano é que ela seja duríssima, com ataques coordenados e de qualidade até inferior às de 2002 e 2010, mesmo tendo Dilma perdido o “fator surpresa”, que permitiu aos adversários explorarem questões como a da defesa do aborto, sua orientação sexual e sua militância em organizações de guerrilha na Ditadura.

    Além disso, a atual estratégia de governabilidade, baseada na conciliação de classes e no não enfrentamento, está chegando ao fim. São cada vez mais comuns os embates com “aliados” como o PMDB, no plano institucional, em todas as esferas; cada vez mais comuns as greves de servidores públicos e a insatisfação das Centrais Sindicais – inclusive a CUT; cada vez maior a chantagem dos grandes capitalistas – industriais e financeiros – para continuar com as “parcerias” que geraram o aumento de empregos, renda e crédito para a população e de lucros e dividendos para os capitalistas, que vêm a valorização salarial e o pleno emprego reduzirem a parte da mais valia que até o momento lhes é direcionada.

    Ao mesmo tempo, os empregos gerados, até por força das circunstâncias em que aconteceram, são precários. Num mesmo caldo com a melhoria das condições econômicas, a despolitização do processo e a observância das ineficiências de alguns serviços públicos essenciais – mais notadamente o transporte – e estamos sentados sob um barril de pólvora, que pode explodir a qualquer momento.

    Não existe saída indolor. É preciso politizar esta massa, que só tem condições de manifestar-se por obra das ações dos governos do PT. Seria ideal que isso fosse um processo, capitaneado pelo partido, mas infelizmente isso não foi possível. Neste momento, cabe ao governo uma série de medidas que acenem para estes indignados, bem como instrumentos para segurar a reação do capital, que certamente será ainda mais dura que as chantagens feitas até o momento. Caso não haja esta guinada, mesmo que Dilma vença as eleições, dificilmente ela terá condições de fazer um governo superior ao primeiro – que já é inferior em avanços ao segundo governo Lula.

    1. Eduardo,

      Estamos de acordo na análise, na linhas gerais, apenas considere o retrocesso mundial, por efeito da crise. Lembre que os governos posteriores ao de Mandela, também foram de menor avanço, algumas lideranças genuínas, como Lula, Mandela, conseguem avanços e se impõe com mais precisão. Neste caso, seus partidos, acabam não produzindo lideranças com a mesma consistência ou estrutura política capaz de sustentar um programa continuado de mudanças.

      Abraços,

      Arnobio Rocha

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