Vidas ao Vento ( Kaze Tachinu)

A incrível beleza do desenho: Vidas ao Vento ( de Hayao Miyazaki)
A incrível beleza do desenho: Vidas ao Vento ( de Hayao Miyazaki)

Fui ao cinema, às 11 horas da manhã de sábado, pelo pedido especial da minha filha mais nova, que é apaixonada pelos desenhos japoneses, em especial os Mangás. Ela queria ver “Vidas ao Vento” (Kaze Tachinu) – Desenho e direção de Hayao Miyazaki, um grande mestre com mais de 50 anos de carreira, mas que o ocidente o descobriu definitivamente com “As viagens de Chihiro”, que venceu o oscar, e é espetacular, inovador pelos elementos trazidos à tela. Depois trouxe mais dois clássicos: O Castelo Animado, Ponyo e agora Vidas ao Vento.

A temática dos filmes de Miyazaki são os sonhos, são viagens oníricas cheia de sensibilidade, coragem e rebeldia, em particular de jovens meninas, que enfrentam seus medos com enorme determinação. Neste filme, o último do mestre, que resolveu se aposentar no ano passado, ele nos leva ao Japão pré-guerra mundial, a segunda, um país atrasado tecnologicamente que vira parceiro da Alemanha e ponto estratégico da guerra na Ásia. Caberá ao país fustigar os inimigos da Alemanha no pacífico, para isto precisará de uma forte presença militar, em especial força aérea.

A história do inventor Jiro Horikoshi, que desde muito criança era apaixonado por aviões, ainda muito jovem sai de sua aldeia e vai morar em Tóquio, para cursar universidade, chegando a cidade no dia do grande terremoto que quase destruiu a capital japonesa em 1923 A combinação de terremoto com incêndios causou milhares de mortes e devastação na já super povoada Tóquio. Jiro se estabelece na universidade, sendo logo reconhecido seu enorme talento nos projetos para aviões.

Ainda na universidade, Jiro, é contratada para projetar aviões pela Mitsubishi, uma empresa que construía aviões para o exército e marinha do Japão. O imenso atraso tecnológico do país é o maior impecilho, porém a parceria com a Alemanha facilitará o caminho do jovem projetista. Ele vai para Alemanha e a vários países europeus para se familiarizar com o que está se está trabalhando no desenvolvimento do setor aéreo, muito voltado para indústria de guerra.

De volta ao país, Jiro participará ativamente do desenvolvimento dos principais projetos da Mitsubishi, que disputa contratos com o Estado. No meio de um fracassado projeto, Jiro, encontrará Naoko, uma jovem pintora, a quem salvara a vida no terremoto, nove anos antes. O grande amor dos dois não será abalado pela tuberculose de Naoko, a mesma tragédia que causará ao Japão os horrores da guerra, potencializado pelos aviões caças da Mitsubishi A6M Zero, desenvolvidos por Jiro Horikoshi, usados durante a Segunda Guerra Mundial pelo Japão.

O traço é deslumbrante, os incríveis detalhes, a sensibilidade do desenho, as expressões fortes dos personagens, tudo é muito perfeito. São duas horas de intensa reflexão, das micros tragédias pessoais à tragédia coletiva da futura guerra. A obstinação do inventor, mesmo sabendo quantos males suas invenções poderão causar, mas ao mesmo tempo, em contradição intrínseca, como elas facilitarão a vida no futuro, encurtando as distâncias, aproximando as pessoas, os países.

É um filme muito especial, assisti-lo ao lado da talentosa Luana foi maravilhoso, seus olhos brilhavam com as imagens perfeitas, o som em japonês tem efeito inspirador, com a língua pode ser poética, mesmo sem se entender completamente o seu significado. Fiz uma viagem de volta ao Japão, o que causou mais emoção. Um espetáculo, desenho, estória, música, tudo encantador, como um sonho.

Vidas ao Vento – Trailer legendado

Imagem de Amostra do You Tube

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