Obrigado, Pacaembu.

O jogo estava no fim, meu último registro de uma tarde inesquecível.
O jogo estava no fim, meu último registro de uma tarde inesquecível.

Claro que não resta dúvida de que ir aos estádios e ver seu time de coração é uma festa e sempre emocionante, não importa se você torce pelo Icasa(CE) ou Águia de Marabá(PA), muito menos se é apaixonado pelo Corinthians ou Flamengo, o que vale mesmo é amar e comemorar, o ritual de ir ao campo, olhar seu time e vibrar, tanto nas vitórias como nos momentos de baixa. Acredito que cada time e seus torcedores só entram em verdadeira comunhão quando dentro do estádio.

Dizer que torcedor corintiano é especial, só tem significado para nós mesmos, mas a mística desta torcida é, no mínimo, respeitada. Mas cada gesto desta torcida, deste “bando de louco”, parece-nos mais diferente e surpreendente, nem vou voltar às famosas invasões: Rio de Janeiro, 1976 e 2000; Japão, 2012, pois são momentos completamente fora do comum e, em certa medida, uma coisa esperada, pois, nestes instantes, o time ajudava definitivamente para que estas ações fossem complementares à situação.

Entretanto, como ontem, na “despedida” do Pacaembu, este torcedor nos dá provas definitivas de como é realmente diferente, ou como canta Toquinho que “ser corintiano é ir além”. Depois de 5 anos maravilhosos, completamente diferentes na história do Corinthians, com muita estabilidade e com suas maiores conquistas, venceu todas as competições possíveis, partindo de sua pior queda, quando foi para série B nacional. O clube vive momento de expectativas e de temor, a melhor delas é ter um estádio próprio, que pese o grande endividamento para tê-lo, ao mesmo tempo a atual gestão está em crise.

Neste cenário, a torcida anda “brava” com o time, sua direção e alguns jogadores, mesmo assim, ontem, compareceu em massa, superlotou mais uma vez o Pacaembu, sem medo de errar, os torcedores, não estavam ali apenas para ver o Corinthians, no clássico com o Flamengo, as maiores torcidas do Brasil. A imensa maioria de nós, senão a totalidade foi ao Pacaembu reverenciar o “nosso” estádio, aquele palco que mais se identifica com o Corinthians, cujo gramado testemunhou as mais épicas vitórias, como também suas arquibancadas choraram as mais doloridas derrotas, mas no saldo geral é o “nosso lar”, por tão longo tempo.

Até ontem, falar em jogo do Corinthians era falar em Pacaembu, uma ligação tão direta e intensa, que ouso dizer que amamos tanto o Pacaembu, como amamos o Corinthians, pois um, sempre viveu do outro. Nestes vinte cinco que moro em São Paulo, todas as vezes que passei em frente ao estádio, uma estranha emoção, de arrepiar, percorre meu corpo, não raras as vezes que os olhos marejaram, apenas por está ali em frente, ou entrar por suas velhas catracas. Ainda peguei o Pacaembu de quase 55 mil torcedores, depois reduzido aos 40 mil, mas o eco do grito da fiel jamais será calado, mesmo que não passemos a jogar lá.

Obrigado, Pacaembu, por tantas tardes e noites de emoções e felicidade, pois mesmo em derrotas, não saía dali triste, pois o amor maior, o amor ao Corinthians supera qualquer resultado contra, qualquer eliminação. A beleza e arquitetura do estádio são espetaculares, como é aconchegante o ambiente, caloroso nos dias frios, nunca nos deixou sofrer ou não ter vontade de voltar às suas arquibancadas. Ir ao Pacaembu sempre nos tornava ainda mais corintiano, que esta mística seja completamente renovada na nossa casa, em Itaquera, a terra prometida, a terra sagrada da Fiel Torcida.

Obrigado, Pacaembu, meu eterno agradecimento.

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