#VaiBrasil – Todas as Copas – 1986 – Fim de uma Geração

Seleção de 1986 não empolgou o país, fim de uma geração.
Seleção de 1986 não empolgou o país, fim de uma geração.

Dando continuidade aos posts anteriores  (#VaiBrasil – Todas as Copas – 1978 – O Campeão “Moral” e  #VaiBrasil – Todas as Copas – 1982 – A Mãe de Todas as Derrotas) sobre as copas do mundo que acompanhei e que tenho guardadas na memória, hoje vamos falar da Copa do México, em 1986, uma reedição muito próxima, já que o México sediara a Copa 16 anos antes, em 1970. Isto aconteceu devido a desistência da Colômbia, que tinha sido escolhida como país sede, mas os problemas econômicos e de guerra civil impediram a realização.

A FIFA ofereceu a copa para o Brasil, ao EUA e ao Canadá, ainda em 1982, mas nenhum destes países quis assumir o mundial, o Brasil pela falência econômica e da Ditadura, não tinha como destinar recursos para sediar a copa. Em 1983, o México assumiu o desafio, mas quase foi inviabilizado pelo terremoto de 1985. Mas a infraestrutura da Copa anterior ainda era nova e permitiu mais uma vez ao México sediar um grande evento.

Em 1986, eu estava em plena atividade estudantil, o futebol era quase segundo tema, pois a reconstrução do Grêmio Livre da Escola Técnica Federal do Ceará era minha prioridade. Ademais, a Seleção brasileira estava muito desacreditada, depois da frustração de 1982, a CBF caiu nas mãos de Ricardo Teixeira e a classificação para Copa foi muito conturbada. Na última hora, Telê Santana foi chamado para dirigir novamente a Seleção, mas o ambiente era ruim, o futebol estava fraco, os melhores jogadores daquela geração espetacular estavam envelhecidos ou contundidos.

Por indisciplina, na preparação da seleção, Renato Gaúcho, o maior craque brasileiro naquela época foi cortado por Telê Santana, logo depois, Leandro, em solidariedade ao amigo, abandona a seleção. O time que já era meia boca se tornou mais fraco. Zico se recuperava de uma contusão grave, mal pode jogar. O Brasil fez jogos fracos na primeira fase, venceu Espanha ( 1 x 0), depois Argélia também por 1 x 0 e o último jogo fez 3 x 0 na Irlanda do Norte, mas nada que empolgasse muito.

Coincidiu que durante o Mundial houvesse um congresso da UBES (União Brasileira dos Estudantes Secundarista), em Juiz de Fora, então as atividades estudantis não permitia que acompanhasse todos os jogos. Lembro-me de um dos jogos, num frio tremendo em Juiz de Fora, uma fogueira de improviso e um rádio sintonizado no futebol. Foi toda uma copa estranha. O Jogo das oitava de finais, já era por critério eliminatório, ao contrário das copas anteriores que assisti. O Brasil fez uma boa partida contra a Polônia, ganhou de 4 x 0, deu um ânimo a mais para pegar a também envelhecida França de Platini.

O jogo contra a França foi o melhor do Brasil na Copa, indiscutivelmente o time rendeu mais, começou arrasador, Careca numa linda jogada fez 1 X 0 , aos 17, depois o Brasil tratou de perder gols, a França não ia ao ataque, mas ao 40 do primeiro, num lance isolado, Platini fez o empate, era o primeiro gol que o Brasil tinha levado naquela copa. Telê tinha montado um time extremamente defensivo, com 3 volantes, às vezes até 4, isoladamente Careca em grande forma resolvia. Mas naquele dia a bola teimava em não entrar, aí Telê pôs Zico em campo, na sua primeira bola fez belo passe para Branco, que sofre pênalti. Branco, o cobrador oficial estava se recuperando da falta, Zico foi bater e perdeu, era quase 40 do segundo tempo.

Prorrogação e finalmente os pênaltis, iam decidir o jogo. Sócrates perdeu a primeira cobrança, a França, fez 3 gols diretos, pelo Brasil: Alemão, Zico e Branco. Aí Platini perdeu seu pênalti, Júlio César, um baita zagueiro, vai para cobrança e acerta na trave, a bola foi tão forte que volta até o meio de campo. A França, com Fernández, manda o Brasil para casa, ali se encerra de vez o ciclo de Telê, de Zico, Sócrates. Cruelmente, Telê e Zico passam a ser lembrados como derrotados, de que não nasceram para ser campeões do mundo pela seleção. Zico já tinha sido campeão com o Flamengo de 1981, no Japão. Telê Santana só se recuperará da fama de pé-frio quando levou o São Paulo ao Bi da Copa Libertadores e Bi Mundial.

As derrotas de 1982 e 1986 mudaram definitivamente o futebol brasileiro, para pior, nas próximas copas sentiremos o reflexo destas derrotas. A de 1982, principalmente, pois ali o futebol dos sonhos, passou a ser visto como sinônimo de derrota e de pouco resultado. Em 1986, não se esperou muita coisa, a preparação confusa não inspirou confiança em ninguém, o próprio Telê contribuiu para desconfiança, montando um time com jogadores mais marcadores, sem muito brilho.

Conte-nos como foi sua Copa de 1986, ajude-nos a ter mais visões sobre aquele mundial, agradeço antecipadamente.

Gols do Brasil na Copa 86

Imagem de Amostra do You Tube

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