#IIIRepublica: Abaixo a Monarquia Espanhola e Todas as Outras.

Povo nas ruas pelo Referendo na Espanha ( Foto EuroNews)
Povo nas ruas pelo Referendo na Espanha ( Foto EuroNews)

 

O caçador de Elefantes, presidente de honra da WWF, também conhecido como D. Juan Carlos I, deu fim ao seu tosco reinado, ontem. O “Rei” famoso pela grosseria do “por que não te calas” dirigida a um Presidente Eleito, enquanto o pária que virou rei por um acordo imposto pelos fascistas espanhóis para sair do poder, restabelecendo a Democracia, com um monarca filhote de Franco, não qualquer um, mas este, escolhido à dedo pelos fascistas para ser um “poder” ridículo e farsesco como bem simbolizou o escolhido.

Como já tinha escrito outras vezes, mas não custa republicar as mordomias da monarquia espanhola, as regalias do Rei, totalmente incompatíveis com um país numa crise profunda, mesmo que não estivesse em crise, não justificava tamanhas extravagâncias, relembrando:

  1. Juan Carlos recebe 292 mil Euros anuais de salário, livres de qualquer imposto;
  2. O Rei tem 507 funcionários à sua disposição, sendo 80 apenas na casa real;
  3. Os seis membros da família contam com71(SETENTA e UM) motoristas;
  4. A despesa direta da família Real é de 8,4 Milhões de Euros, excluídos 140 milhões pagos pelo estado para manutenção da casa Real, 57 milhões de Euros para veículos, 6 milhões com salários de funcionários;
  5. Todas as despesas de viagens do Rei e família são pagos pela chancelaria. A Família Real é isenta de paga tarifas públicas: Água, Luz ou gás;

Mas não satisfeitos, os membros da família real se envolveram numa série de escândalos de corrupção, em particular protagonizado por Inaki Urdangarin, marido da princesa Izabel, a caçula do Rei. Urdangarin era presidente do Instituto Noos, sem fins lucrativos, mas que manipulava fundos públicos e privados e foi acusado formalmente em 6 de fevereiro de 2011, pelo Juiz José Castro, instrutor do caso. Urdangarin e seu sócio Diego Torres prestaram depoimento e tiveram seus siligos quebrados. A Infanta foi inocentada num processo muito estranho, mas ruiu de vez a imagem da família.

Após a renuncia de ontem, milhares de pessoas foram às ruas exigir um referendo sobre a manutenção da Monarquia ou oficializar a III República, livre dos párias. Segundo o site EuroNews: “Milhares de espanhóis manifestaram-se em dezenas de cidades para pedir o fim da monarquia e a instauração de uma república através de um referendo. Madrid encabeçou os protestos, com vinte mil pessoas reunidas na emblemática praça da Puerta del Sol, segundo fontes policiais.

Um manifestante diz que “o que gostaria era de poder escolher entre uma monarquia e uma república, que o povo espanhol possa decidir o sistema político que deseja”. E acrescenta que ele “pessoalmente, escolheria a república, onde o chefe de Estado é escolhido pelo povo”. Outra manifestante diz que “é o momento certo para que isto aconteça, para que o povo espanhol decida sobre o seu próprio futuro. É verdade que, durante o ‘período de transição’, a figura do rei foi muito importante, mas agora ele representa um poder desnecessário e o povo espanhol deveria ter o direito de decidir o futuro”.

A revolta política parece que voltou a Espanha, depois de 2 anos de intensos protestos, em 2011 e 2012, uma fadiga tinha tomado o movimento no último ano, mas agora toma novo impulso, primeiro com a surpreendente votação do “Podemos”, um pequeno agrupamento surgido do 15M, que se institucionalizou e com apenas 40 dias de formado, teve incríveis vitórias nas eleições ao Parlamento Europeu, elegendo 5 deputados, de início já teve a terceira maior votação no país, assombrando a extrema-direita do PP e o centro do PSOE. Talvez, é apenas o que penso, se o 15M tivesse se transformado em partido, a exemplo do grego Syriza, teria vencido às eleições.

Locais, como a Catalunha que pede sua separação do Estado Espanhol, a renuncia aumentará a pressão sobre Madri, segundo o EuroNews ” O presidente do governo regional, Artur Mas, convocou um referendo para a autodeterminação no dia 9 de novembro de 2014, mesmo se ele é proibido pela Constituição de 1978″. O governo Rajoy que sobreviveu às ameaças das ruas, nos dois primeiros anos,  mas continua debilitado. A oposição de centro, do PSOE, também fragilizada, inclusive com a saída do seu líder maior, Rubacalba, depois das eleições ao parlamento europeu, ainda não surgiu uma alternativa geral, exceto o “Podemos” que se projetou, mas é muito incipiente, o 15M deveria ir ao embate geral, em particular pelo fim da Monarquia.

A Monarquia é algo surreal que se mantém na Europa, é o terceiro monarca que abdica nos últimos dois anos, a Rainha Beatriz, da Holanda, Alberto 2º, da Bélgica e agora, D. Juan Carlos I, da Espanha. A busca desesperada para “repaginar” um modelo sem sentido algum, que consome milhões do contribuinte, sem que ele possa efetivamente controlar ou renovar. A queda deste modelo arcaico se torna urgente, parece uma questão de tempo, a pergunta que fica é se, a atual crise vai ajudar a enterrar as monarquias europeias?

Como se cantava nas ruas das principais cidades da Espanha, ontem: “No hay dos sin tres, República otra vez”

Deixe uma resposta

%d blogueiros gostam disto: