A Greve dos Metroviários, rumo ao Gueto.

Mesmo com vitória econômica a pauta demagógica pode levar greve ao gueto
Mesmo com vitória econômica, a pauta demagógica pode levar greve dos metroviários ao gueto

Dia 18 de maio, fui à inauguração do Estádio do Corinthians, na Zona Leste de São Paulo, em Itaquera, a última estação do Metrô Leste – Oeste, Linha 2. Um fato me chamou a atenção, os coletes dos funcionários do metrô com a Frase: “Transporte Padrão Fifa”. Pelo que entendi fazia parte da campanha salarial da categoria a exigência do transporte com o tal “Padrão Fifa”, seja lá o que isto signifique. Infelizmente, não tive a curiosidade de perguntar o que eles realmente estavam reivindicando com aquele bordão.

Depois de uns dias, fui pesquisar e soube que o Sindicato dos Metroviários é dirigido majoritariamente pelo PSTU, com militantes também do PSOL, depois de muitos anos de direção do PC do B, os trabalhadores mudaram a liderança sindical, no fim de 2010. Uma greve de 12 horas, em 2012, uma tentativa de greve em janeiro deste ano, é o histórico da gestão, mesmo mais “combativa” aceitou os acordos com a companhia, o que não é demérito se representa os interesses da categoria.

Agora, com a data-base, num intenso processo de negociação, os metroviários tinham em mãos uma proposta inferior aos seus pedidos, mas muito superior aos últimos anos. O Sindicato, com sua bandeira “Padrão Fifa”,  a meu ver, ao invés de exigir salários ou condições “padrão Fifa”, os metroviários deveriam focar no governo de São Paulo, envolvido no escândalo de corrupção no Metrô, portanto deveriam exigir “Padrão Alston-Siemens”, o tal Cartel,  sem punição, que sugou recursos públicos do metrô, tornando caro e ineficiente , além de obrigar o arrocho salarial. Mas pauta do PSTU/PSOL é o ataque ao governo federal, que nada tem a ver com o metrô de SP.

Mesmo com algum ganho salarial, acima da média dos acordos salariais recentes, o sindicato, preferiu levar a categoria à greve, véspera da Copa, encontrou uma OPORTUNIDADE de dizer que é CONTRA a Copa (do PT, segundos eles), aí extrapolou a luta, para cair no gueto, sem apoio da população,  se isolando de qualquer solidariedade. O confronto sem “ponto de retorno”, com exigência sem flexibilidade, das duas, uma, ou você  VENCE, ou se desmoraliza. A habilidade sindical tá aí: não fechar as portas.

Para não fugir seu histórico, Alckmin mandou reprimir a greve e a justiça julgou, como sempre, a greve como abusiva. Agora o governo de SP deu o mote para negociação, demitiu 60 metroviários, criou assim uma subpauta: Negociam as demissões, o sindicato aceita o reajuste proposto na sexta. O sindicato dos metroviários ficou sem saída, agora terá que apresentar “alguma vitória”, que não a salarial, entra na subpauta das demissões, uma armadilha, uma arapuca, mas que eles mesmos procuraram.

A pior saída de uma greve, que foi vitoriosa pelos ganhos salariais, mas com demissões, o que vai parecer um recuo, que desmoraliza a liderança inábil. O movimento mais legítimo dos trabalhadores, sempre CRIMINALIZADO pela mídia, pelo Estado, não pode ser jogado no gueto pelos sindicatos também, com a sua pauta própria de fazer debate “nacional”, sem um pé na realidade concreta.

Agora a difícil missão do sindicato é não sair da greve de mãos abanando, com o acordo proposto antes, agora com o peso das punições, o que fazer?

4 thoughts on “A Greve dos Metroviários, rumo ao Gueto.”

  1. Arnobio, tem que contextualizar e associar as agendas do MSTM e do não vai ter copa e a do MPL com a agenda sindical dos Metroviários.. Principalmente depois que começaram a se concentrar não mais na paulista. Passaram a se concentrar perto da rua Serrado Japi, proximo a Radial Leste, onde fica a sede do sindicato dos Metroviários. As ações se entensificaram ainda mais depois que o psol trocou o candidato a governador, e conseguiu a adesão do pstu para a coligação. Agora faz as contas!!!

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