"Projeto Marina", O Retorno Neoliberal.

Marina Silva e Necas Setúbal(Itaú), uma Rede de Desvantagens para o Povo.
Marina Silva(Rede) e Neca Setúbal(Itaú), uma Rede de Desvantagens para o Povo.

A única coisa que posso fazer neste momento tão complicado da política brasileira é escrever, colocar algumas ideias para o debate. Quem sabe enriquecer os argumentos, uma contribuição franca e direta, sem me perder em adjetivar demais os adversários, pois é quase impossível escapar dele, mas tornar substantivo o embate. A urgência de intervir e desmitificar a tsunami de marketing em torno de Marina Silva.

Vamos pontuar algumas questões que, do meu ponto de vista, colaboram para que esta “onda” não se dissipe, ao contrário aumente. Pelo tipo de campanha que o PT faz, igual aos demais partidos, com TODO poder no marketing da TV, uma onda irracional, como esta de Marina, não se reverte com propaganda de TV, pois tudo parece muito igual. Então tem que ir às ruas, às quebradas, ao contato cara a cara com eleitor, voltando aos grandes comícios, caminhadas e a palavra direta, sem maquiagem, mas com coração e emoção, para voltar a ganhar as mentes.

É preciso lembrar todas as conquistas destes anos, de fazer as autocríticas de erros, e pedir mais uma chance, o poder emana do povo, das pessoas, não pode ser um produto de TV, de rádio, um contato higiênico e frio com o eleitor. Apenas em longo prazo, se combate um produto de Marketing viral, uma onda irracional, que arrasta qualquer coisa, que quanto mais bate, mais cresce. Tem que voltar a buscar o velho caminho das ruas, que tornou o PT o que é, não se render à lógica do poder sem povo.

Mais uma vez, sob minha ótica, é preciso garantir o segundo turno, ter mais tempo para o debate, trazer à luz as propostas de Marina, não podemos aceitar que o vazio vença, sem ter contradição, sem disputa. Temos que discutir e desmitificar ponto a ponto o “programa” que os banqueiros prepararam para sua candidata. Explicar detalhadamente o que representa a volta do neoliberalismo todo embalado em fraseologia bonita, mas oca, quando na essência teremos mesmo é o “menos estado” , “menos intervenção” e “Banco Central Independente”. Esta receita levou o mundo ao desastre em 2008, agora é apresentado como “solução” para o Brasil, pelos banqueiros de Marina.

O perigoso caminho de limitar a renovação política com prazos mais longos entre as  eleições, quando ao mesmo tempo se propõe plebiscito para tudo que é tema polêmico, longe de aprimorar a Democracia pode nos levar a um viés autoritário, sem que se possa mudar e corrigir o rumo em curto espaço de tempo. Aliás, é uma enorme contradição, propor consultas e alongar mandatos. A relação com o congresso e com a sociedade será impositiva? Os estragos de determinadas decisões irracionais pode nos custar caro demais, por exemplo, a “pena de morte” poderia vencer facilmente um referendo, ou a diminuição da idade penal, quem sabe proibição das uniões civis dos gays por pressão dos evangélicos radicais e intolerantes. Sobre a questão religiosa ou de guru, já tratei no artigo O Messianismo Barato Ameaça a Democracia, não vou retomar aqui.

Qual será a relação das ONGs/OSCIPs com o Estado? Haverá uma entrega de parcela significativa das funções do Estado para que um Ente estranho ao ordenamento jurídico faça às vezes dele? Lendo o material do “RAPS“ (Rede de Ação Política e Sustentabilidade) e os modelos propostos pelo Instituto Arapyaú, da Rede, cheguei a conclusão de que o caminho dos apoiadores de Marina é destruir o que restou do Estado de Bem Estar Social, que mesmo combalido, ainda responde por demandas de Saúde e Educação, como pública, gratuita e universal, o oposto do que propõem. Os bilhões de Saúde e Educação, por exemplo, que dá cerca de 20% do orçamento da União, seria “terceirizado” nestas parecerias “público-privado”?

Como ficarão os acordos do Mercosul, dos BRICS, do Banco dos BRICS, da nossa independência em relação ao FMI e ao EUA? Tudo será revisto? Marina disse que combateria o “Chavismo” do PT, vai combater o “Chavismo” da Venezuela, do Equador, da Bolívia? Que tipo de relação se teria com a América Latina? Soros e seus amigos que tutelam o programa de Marina fazem isto por “mais democracia”, por que amam a democracia e querem o Brasil longe destes países autoritários?

A indicação de que o Pré-sal não será prioridade num governo Marina, assim como as usinas hidrelétricas no norte, jogaria o Brasil num verdadeiro caos produtivo e sem alternativa energética. A Petrobrás teria todo seu crescimento e sustentabilidade comprometida, hoje o Pré-sal já corresponde por 25% da produção de petróleo do Brasil, o que garante a autossuficiência, não dependendo da caríssima importação do petróleo, como também a força econômica e tecnológica da empresa. O Setor corresponde em torno de 10% do PIB, como abrir mão de uma riqueza desta? A menos que se queira apostar na quebra da Petrobrás para uma futura privatização onerosa ao Brasil, é este o sinal?

As lacunas são enormes, no projeto Marina,  mas o tempo é curto para se aprofundar o debate e o conhecimento mais apurado do que se tem por trás de cada ideia e proposta. A onde jogou na mistificação, na irracionalidade, o que pode nos levar ao abismo econômico e social. A democracia pressupõe escolha e aceitação dos resultados, mas que pelo menos se escolha com a convicção de que é este o caminho que o Brasil deve seguir.

O trabalho é árduo, mas nunca foi fácil para nós, vamos à luta.

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