Economia Mundial e o Cenário para 2015 e 2016.

Para onde a roda girará em 2015-16...
Para onde a roda girará em 2015-16…

 

Nos últimos anos tenho feito um grande esforço para trazer ao blog  as tendências e análises sobre a Economia Mundial e seus cenários futuros. As principais perspectivas da Economia Mundial para 2015 e 2016 pelos dados da OCDE (ver Mapa do Crescimento) são contraditórias e desanimadoras, ainda que as previsões de crescimento sejam positivas, 3.7 e 3.9% para os dois próximos anos, tanto UE quanto Japão o crescimento será muito baixo, não indicando que se sustente e que mal superam as perdas dos últimos dois anos, é como se em 2016, UE e Japão, tivessem PIBs semelhantes a 2012, ou muito próximos a isto. As perspectivas para o Brasil também não são boas, com mais dois anos de baixo crescimento.

Previsão do PIB para 2015-16. Fonte: OCDE
Previsão do PIB para 2015-16. Fonte: OCDE

Os dados gerais demonstram a reação dos EUA com crescimento chegando aos 3%, um valor bem acima dos atuais 2% tanto de 2013 e 2014. São números consistentes, mas nada extraordinários e mostram uma recuperação lenta e gradual desde 2012, mas que não apontam para um ciclo de crescimento forte, muito em função da queda da Zona do Euro e Japão. O Dólar funcionou como o mais poderoso instrumento de recuperação da Economia dos EUA, os bem sucedidos QEs criaram desequilíbrio para as demais moedas mundiais e atraíram investimentos diretos para os EUA.

A Zona do Euro está cada vez mais metida no atoleiro, que nem mesmo a poderosa Alemanha consegue se mover mais, como antes. A âncora cambial, representada pelo Euro, puxa para baixo a EU como um todo, causando enormes perdas às economias mais frágeis como Grécia, Espanha, Portugal, além de punir fortemente a Itália em eterna paralisia. A perspectiva é que o Euro também passe por QEs, como recomenda a OCDE, mas com os problemas de desequilíbrios internos na Zona do Euro, pois a Alemanha e, somente ela, sobreviveria num cenário de ruptura da lógica da moeda única, forte e com mesmo “valor” diante de taxas de produtividade e desenvolvimento tão distintas.

São 6 anos de queda na Zona do Euro e baixa expectativa de futuro ( Fonte: OCDE)
São 6 anos de quedado PIB na Zona do Euro e baixa expectativa de futuro ( Fonte: OCDE)

O gráfico acima, feito pela OCDE, nos mostra que de 2008 até 2014, apenas Alemanha e França mantiveram PIBs positivos, com baixíssimo índice de crescimento, uma queda comum em 2009 e uma recuperação moderada a partir de 2011. Na outra ponta a Grécia vive com uma economia que corresponde a 72% do que era em 2008, a Itália com 82%, Espanha e Portugal com 85%. Uma tragédia humana que se reflete nos índices de desemprego e na expectativa geral de vida da população, como demonstra o próximo gráfico abaixo:

O Desemprego que reflete o estado das economia da UE( Fonte: Eurostats)
O Desemprego reflete o estado das economias da UE( Fonte: Eurostat)

O lado dos BRICS começa a enfrentar uma forte turbulência, a China vai diminuindo ano a ano seu vigoroso crescimento, os números ainda são impressionantes, previsão de que cresça ainda em torno dos 7%, mas já bem distantes da casa dos 10% que exibia por longos anos. Mas o maior agravante é que o há uma desaceleração dos Investimentos Externos Diretos (FDI) dentro da China, enquanto aumentou significativamente os investimentos do país no exterior (ODI),  feitos pelos chineses no exterior, a fonte do Kapital “secou” para a economia que é/era o “Chão de Fábrica” Mundial.

BRICS com perspectiva de de uma turbulência nos próximos anos ( Fonte: OCDE)
BRICS com perspectiva de de uma turbulência nos próximos anos ( Fonte: OCDE)

Como escreveu o Economista José Martins no excelente site Crítica da Economia,  “Nos próximos anos, os ODI chineses devem ultrapassar os FDI. Quer dizer, será registrado um déficit nos fluxos de investimentos diretos externos no país. Mudança estrutural – de uma economia conhecida como grande receptora de FDI, agora a China já se tornou a terceira maior fornecedora mundial de ODI. O problema é altamente qualitativo. Tanto os capitalistas internos, quanto os externos, cortam drasticamente os investimentos na indústria chinesa. Principalmente os externos”. (Artigo: Prolegômenos da grande explosão).

Os números que indicam a dependência da China aos investimentos estrangeiros, a lógica pode ser aplicada ao Brasil, e sua queda é preocupante em longo prazo, o que se reflete no PIB dos próximos dois anos. “Segundo as autoridades chinesas, o FDI na indústria de manufaturas caiu 14.26% no período janeiro-julho 2014. Os principais investidores externos são Hong Kong, Taiwan, Singapura, Coreia do Sul, Japão, Estados Unidos, Alemanha, França e Holanda. Somados, eles contribuem com 93.9% do total do FDI na China. Entretanto, no mesmo período, os capitalistas japoneses cortaram 45.4% dos seus investimentos na China. Os capitalistas dos Estados Unidos e da União Europeia cortaram 17.4% e 17.5%, respectivamente. (Artigo: Prolegômenos da grande explosão).

As fontes de financiamentos externos estão cada dia menores, principalmente os vindos da UE e dos EUA, o que prejudica a China e o Brasil, em especial. Os bancos de fomento internos, como BNDES no Brasil, são obrigados a suprir a falta do Kapital e poupança interna, com “moeda local”. Como Yuan e Real são moedas “fracas” frente à ampla conversibilidade do Dólar e Euro, o peso do mercado externo e captação de Dólar/Euro são vitais para manter o fluxo, agora com mais problemas a queda do preço das commodities das matérias primas.

José Martins observa sobre as defesas contra a Crise 2.0, que “Os mecanismos anticíclicos presentes no centro do sistema faltam na periferia. Por exemplo, o poderosa arma de uma moeda forte (plenamente conversível no mercado cambial mundial), como o yen japonês, comparado a uma moeda fraca (absolutamente inconversível) como o yuan chinês, a rúpia indiana, o rublo russo, o real brasileiro, e outras inutilidades”. Os dados da OCDE confirmam esta verdade de dependência externa, que se complica mais com cenário de baixo crescimento e baixa produtividade.

No Brasil estes ventos de turbulência se refletiram na dura campanha eleitoral, os índices de crescimento minguaram desde 2010, o ano mágico, que significou o fim de um ciclo de crescimento consistente. Ainda em 2010 a Crise 2.0 atinge de vez o Brasil, não numa perspectiva de queda, como aconteceu no lado mais frágil da UE (Espanha, Portugal, Grécia e Itália), mas com a intensidade suficiente para impedir a retomado do crescimento. O reflexo disto será a formação da nova equipe econômica, pelos dados e indicações da OCDE, o Brasil, terá que passar por um novo ajuste fiscal para voltar a crescer.

Os próximos anos trarão como novidade o banco comum de fomento do BRICS, com a intenção de suprir a falta de Kapital para investimentos diretos, pois o BIS, por exemplo, diminuiu radicalmente o financiamento nos BRICS. O comércio com moedas “locais” como forma de superar a dependência do Dólar e Euro será outro teste decisivo para o Bloco e para Economia mundial. O momento é complicado, pois Rússia enfrenta crise econômica, sem crescimento, tendo sua principal fonte de exportação, o Petróleo, em queda vertiginosa.

O mundo continua complexo, intricado, mas vamos tentar entender um pouco mais, mesmo navegando em águas turvas.

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