O PT Perdeu as #Ruas e #Redes?

 

A questão política vai muito além da grosseria gratuíta ( Foto Mídia Ninja)
A questão política vai muito além da grosseria gratuita ( Foto Mídia Ninja)

 

O maior erro que qualquer analista de esquerda, ou apenas democrata, poderá cometer hoje é subestimar a força das ruas, das manifestações no Brasil, em especial a de ontem em São Paulo. Aqui não se trata de brigar por números ou menosprezá-los. Sobre qual tamanho da manifestação, se foram 210 mil pessoas (segundo o Datafolha) ou Hum milhão de pessoas(na visão da PM de São Paulo), não importa, é muita gente, muita mesmo, é insofismável, os gritos nas janelas, os palavrões, o sentimento de ódio e repúdio não apenas ao PT, mas contra a democracia.

Pouco depois do segundo turno das eleições presidenciais escrevi o texto #Redes e #Ruas pariu a “Nova Direita”?  Que, em linhas gerais, aponto para o fenômeno da captura das ruas e redes sociais pela Direita, não apenas no Brasil, mas no mundo. Cheguei algumas conclusões, que agora precisam ser complementadas, analisando os movimentos no mundo nestes últimos Cinco anos, vejo que:

1) Há um centro controlador e propulsor de todas as manifestações e revoltas no mundo, da “Primavera Árabe” à Ucrânia, passando pelo Brasil e Turquia;

2) As revoltas foram capturadas ou melhor geraram uma “Nova Direita”, a expressão visível nos EUA é o Tea Party, anti-Estado ( ou Estado Gotham City), contra a Democracia e contra a Política;

3) A Ultra Esquerda assimilou um discurso similar ao Tea Party, com os mesmo valores contra a Democracia e a Política;

4) Exceto no Brasil, por enquanto e por muito pouco, todas as revoltas significaram o triunfo da “Nova Direita”, houve um retrocesso institucional tremendo em todos os países que passaram pela “revolta da redes sociais”;

O último ponto apenas guarda registro para aquele instante, percebemos que hoje não se aplicaria mais, pois vivemos um momento terrível com risco da volta das trevas, que o PT tem enorme responsabilidade, não há dúvida. Atingindo por duros ataques na época do “mensalão”, que manchou profundamente a imagem do partido, apenas atenuado por dois bons mandatos, com os ventos da economia nos ameaçando, mas Lula conseguiu ir em frente, sempre se comunicando diretamente com as pessoas, inclusive no pior momento da Crise, em 2008.

A mudança crucial aconteceu ainda em 2010, com a perda de fôlego econômico do Brasil, a demora dos EUA e UE saírem do atoleiro, acabou por minguar os espaços de manobras para maiores ajustes. Mas a piora se deu também na comunicação, Dilma e o PT perderam a capacidade de explicar os problemas que atingiam o Brasil, como Lula sempre fez, e com uma condução débil e sem transparência da Economia, quase levou o PT a derrota em 2014.

Mesmo com números favoráveis, em particular os de empregos, as incertezas quanto ao crescimento, ou melhor, a ausência dele, rapidamente se generalizou. Os graves problemas de corrupção no Estado, não iniciadas nesse governo, mesmo que combatida com tantas ações da PF e MPF, no momento de Crise Econômico isso pouco é reconhecido, pois qualquer racionalidade é abandonada por desespero, pânico (mesmo que sem justificação).

O “terceiro” turno foi muito bem trabalhado pela mídia e pelos opositores nas redes sociais, uma coleção de absurdos foi transformada em verdades definitivas, cristalizando uma visão de que o “mal” para o Brasil seria Dilma e/ou o PT, a cobertura midiática na forma de escandalização seletiva, vai criando o clima de indignação bem calculada, mas a nenhuma resposta por parte do governo apressaram os fatos, a sensação de decepção e revolta, até daqueles que votaram em Dilma.

Ainda em dezembro escrevi que “Estamos num limiar de um grande desastre e todos os indícios de que ele vai acontecer estão dados, tudo caminha à passos largos para o abismo, nenhum voz de bom senso parece se levantar. Os radicais de extrema-direita, um Tea Party mambembe, e seus neo-aliados de Direita (PSDB/DEM) querem provocar uma grave crise institucional, a tentativa é clara de inviabilizar a posse de Dilma, que foi eleita democraticamente num duro segundo turno. Em caso de posse, a estratégia será criar todas as dificuldades possíveis para que ela não governe”.

O legítimo direito de ir às ruas, protestar, exigir mudanças, cobrar o governo é algo natural, mas Não é normal 200 mil ou 1 milhão de pessoas bradando ódios, os mais variados, incapazes de ouvir,  apenas gritar. No meio desta histeria coletiva há algo que possa mudar os rumos do país? As urnas não atendem os anseios, o que propõem? Matar ou caçar petistas? Entregar o governo aos militares, sem democracia?

Aliás, insisto sempre neste ponto, a Democracia virou um Estorvo para o Kapital, a saída da Crise 2.0 nos parece que é sem Democracia e sem exercício da Política. Espertamente se destampar a Caixa de Pandora e espalhar o mal e as frustrações para toda sociedade, sem que se chegue a lugar nenhum, causando mais confusões, inviabilizando governos, partidos, por fim, a própria Democracia. É este o rumo que estamos trilhando?

A luta contra a Corrupção é apenas um mote, até velhas raposas corruptas foram vistas  protestando ontem, ou mesmo aquele tradicional fraudador anual do Imposto de Renda compareceu xingando a Presidente. Como também tanta gente de boa-fé que compareceu e gritou contra o PT, a personificação do “mal”, ou quem sabe, o espelho que não desejamos olhar, mas repudiamos assim mesmo.

Amanhã pode ser tarde, a corrupção poderá voltar a ser apenas bem escondida, sem punição, mas não lida nos jornais, o que servirá como bálsamo.

6 thoughts on “O PT Perdeu as #Ruas e #Redes?”

  1. “..tradicional fraudador anual do Imposto de Renda compareceu xingando a Presidente. Como também tanta gente de boa-fé (boa?) que compareceu e gritou contra o PT.”
    Boa análise, Arnóbio.
    Sempre considerando que Dilma terá grandes oportunidades de provar de seus talentos, alguns ainda latentes, como a comunicação de massa.
    Não a culpemos. Precisamos continuar a aliviar-lhe a carga.
    E sempre impulsionando-a, passando-lhe energias de confiança em seu taco.

    Porque é simplesmente hercúleo o trabalho sobre a quase moribunda mídia… Enquanto sobreviverem nossos cidadãos mais velhos, enquanto a vaidade e a luxúria prevalecerem os venenos hipnóticos da TV permanecerão.

    Enquanto a AMBEV continuar sugando os nossos rios de água potável…
    Enquanto prevalecer o status BBB com sexo e cachaça a rolé…
    Enquanto existir arrogância…
    Enquanto….
    Enquanto….
    precisamos continuar enviando aportes de energia vital e espiritual para nossa
    Presidenta, digna, séria, limpa, idealista, realizadora.

    Fala pouco…
    mas alguém aqui poderia falar por ela…
    ou auxiliá-la eficazmente nesse âmbito.
    Fala pouco…
    mas vimos o tanto que ela fez e faz.

    O Brasil está saudável e robusto disse o próprio direitista do DEM ACM Neto, que achou injusto prostestar contra uma Presidenta tão admirável.

    De modos que…

    grande abraço meu amigo,
    você faz a diferença nos meus pensares.

  2. Arnóbio, quem facilitou o trabalho da direita em todas as suas matizes foi o próprio governo Dilma/PT. Por alguns motivos: 1) Subestimou e andou para as mobilizações de 2013, apoiando inclusive a repressão policial contra as manifestações; 2) Não entendeu que sua vitória foi apertada e que grande parte dela se deveu a um eleitorado desconfiado, que deu apenas mais um voto em Dilma para evitar Aécio/PSDB; 3) Formou um ministério escroto e fisiológico e colocou um chicago boy para administrar as finanças do Estado, cujas medidas (aumento cavalar da energia e aumento da gasolina, etc) tiveram reflexo pesado na inflação; 4) As medidas até aqui adotadas só aceleraram a crise econômica e o desemprego, visando tão somente fazer caixa para pagamento de juros/amortizações da dívida pública; 5) Tentou poupar velhos larápios da Petrobras para preservar a sua “base aliada”, que está na ofensiva e segue atuando no Congresso Nacional com a velha política da chantagem sobre o Executivo.
    Para nossa sorte a direita institucional não tem base e nem lideranças capazes de empalmar o descontentamento, que cresce inclusive entre os que votaram em Dilma. A saída, sabemos, é pela esquerda, mas este governo não tem força e nem coragem para dar um passo adiante.
    Se tiver saco leia meu artigo “Um passo adiante, pela esquerda”, no blogdoacker.

    Abraço do Henrique

Deixe uma resposta

%d blogueiros gostam disto: