Marta Suplicy e o Ritual de Passagem ao Antipetismo.

A ruptura de Marta, um clássico de oportunismo.
A ruptura de Marta, mais um clássico de oportunismo.

Durante uma sessão da CPI do “Mensalão”, Heloísa Helena enfurecida atacava Delúbio Soares, ex-tesoureiro do PT, falando toda a sorte de impropérios, de que ele era bandido, um corrupto, com o dedo acusador em riste e completava seu teatro dizendo que o mandato de Lula estava manchado pela corrupção. Ele apenas lhe respondeu: “A sua campanha eleitoral foi paga pelo PT, o que a diferencia das demais?”.

A senadora Heloísa Helena e os deputados Chico Alencar, Babá e Luciana Genro saíram do PT e fundaram o PSOL, mas NENHUM deles devolveu o mandato ganho, segundo eles, com “dinheiro sujo”? Por que tanto apego ao cargo/mandato, que o parlamentar diz ter recebido através de campanhas eleitorais com dinheiro de corrupção? Apenas as outras campanhas eram sujas, eles se elegeram por votos próprios, sem dinheiro do PT, sem sua militância na rua?

Para sair do PT há rompantes de indignação, quem sabe de “honestidade”, ao falar publicamente que o PT se perdeu, que se desvirtuou, como agora apregoa Marta Suplicy, mas por que ela também não renuncia ao mandato, ou apenas a sua campanha não teve “dinheiro de corrupção”? Também foi assim com Cristovam Buarque, que se apresenta como um Catão renascido.

Parece que a ruptura precisa de certo ritual de passagem, pois que invariavelmente todas essas deserções são culminadas com entrevistas indignadas dadas, olha que contraditório, na Veja/FSP/Globo. Aqueles mesmos órgãos midiáticos que tanto tentaram desmoralizá-los. Lembremos a capa dos “Radicais Livres do PT”, desenhados como feras, exatamente os mesmo parlamentares liderados por Heloísa Helena. Ou a “perua louca”, como Marta era retratada.

À esquerda, PSOL, ou à direita, PSB e PDT, o ex-petista tem que expor seus ódios, esculachar o antigo partido, o que muitas vezes não se compreende por que ficaram tanto ali, era oportunismo, uso da máquina, facilidades? Por que não saíram antes, por que não fizeram ou fazem autocrítica honesta, não para mídia, mas para a militância que os seguiam, lhes davam votos e apoio, contra essa mesma mídia que os massacravam?

Por que não houve, nem há, gesto de grandeza, mesmo na esquerda? Nenhum deles merece meu respeito, não porque romperam com o PT, mas pela demagogia dos seus atos, poderiam ter, cada um deles, dado exemplo de desapego, de seriedade, mas preferiram apenas remexer na lama, na merda, achando que sairiam “limpos”. Acreditam mesmo que a mídia os absorveu, então podem seguir em frente, desde que cumpram o “pedágio”, que é o discurso de ódio ao PT, muito cumprem com tanto prazer, por exemplo, o ex-Gabeira.

Parece que todas essas figuras acreditam que romper com o PT é como se banhar no rio Lete, não para si, mas que servirá para que o público esqueça seu passado petista.

One thought on “Marta Suplicy e o Ritual de Passagem ao Antipetismo.”

  1. Há um quê de mágica em dizer que o PT traiu, que se perdeu etc.

    Porque o caminho atual não começou a ser trilhado ontem. Há cerca de 20 anos, é este.

    Se este caminho foi capaz de levar o PT a vencer quatro eleições presidenciais, enfraqueceu o partido para a defesa dos reveses. E o que vemos, de 2013 para cá, é um revés, personificado no mote DELENDA PT.

    Mas como dizer que, até ontem, Marta era ministra do governo Dilma e hoje diz que o PT se perdeu, sendo que o que se faz hoje é exatamente o mesmo que a levou a ser gestora do terceiro maior orçamento do país em 2000?

    Resta, então, o caminho da mágica: o PT dormiu defensor dos trabalhadores e acordou traidor. Voilá. Temos a explicação para todos os males e que a autocrítica vá às favas.

    Os que acusam o PT de traição seriam coerentes se tivessem feito esta acusação em 1995, quando o partido trocou a meta de transformação da sociedade pela de conquista da presidência da República e, sete anos depois, de manutenção da mesma. É esta a estratégia que o guia até hoje e encontra-se esgotada. Precisa, cada dia mais urgentemente, ser substituída por outra que seja capaz de realizar as transformações que o Brasil precisa para continuar avançando.

    Quem sai do PT após as grandes mudanças em sua orientação – e, repito, a última aconteceu há 20 anos – acusando o PT de traição, sem fazer a devida autocrítica, é ingênuo ou oportunista. Como não acho que ninguém chega ao Senado, aos Ministérios do Turismo e da Cultura e á Prefeitura da maior cidade do país sendo ingênuo…

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