#OXI, o NÃO da Grécia.

A “estatização” da Dívida Grega pela Troika, maior parte dos resgates foi para os banqueiros.
A “estatização” da Dívida Grega pela Troika, maior parte dos resgates foi para os banqueiros.

A UE é, antes de tudo, um tratado de HIPÓCRITAS, do passado ao presente, todos se comportam desse modo, o caso da Crise Grega é o melhor exemplo. Relembremos apenas que tanto a poderosa Alemanha, quanto a outrora forte França, renegaram suas dívidas, mas hoje seus governos, a serviço dos seus banqueiros, fustigam a Grécia, como se fosse as “Fúrias”. O passado não ensinou o presente, o que garante um futuro igual.

Embriagados pelo sucesso do fim do “Socialismo Real”, da vitória eterna da Economia de Mercado, tantos os EUA quanto a Europa trataram de impor ao mundo uma economia baseada em blocos para dominar o planeta. A UE, nascida com o novo milênio, teve apenas o Euro como parte efetiva do projeto de integração, mas era fundamental que toda a Europa estivesse sob este manto, não importando a imensa disparidade econômica entre seus membros.

Grécia, Portugal e Espanha são os melhores exemplos de integração à Zona do Euro imposta por uma conveniência econômica e política, sem que efetivamente fossem capazes de cumprir os draconianos protocolos a eles impostos, é como se assinassem um contrato, sem ler as letras minúsculas das cláusulas escondidas, ambos os lados sabiam da mentira que os unia, pouco importava se a Grécia tinha meros 2% de representatividade e sua economia já fosse um caos, o que interessava eram os novos sócios e um mercado a mais para ser incluído no acordo.

Os breves anos de farra, do champanhe e caviar fartos, ficaram no passado. A época dos contratos vantajosos dos bancos alemães e franceses financiando as Olimpíadas de Atenas, para que a Grécia comprasse a infraestrutura das empresas, que coincidência, Alemãs e Francesas, rapidamente foi substituída pelo risco imenso do calote que se avizinhou com a explosão da crise de 2008. Jamais um Euro “líquido” entrou na Grécia, mas o endividamento foi plenamente garantido.

Do lado grego, uma burguesia que vive em fausto, sem pagar impostos, basta lembrar que os armadores gregos, o maior setor da economia tem imunidade fiscal garantido na Constituição, teve reforço de caixa com os ricos “empréstimos” da UE, tudo consumido ou desviado para Suíça e paraísos fiscais. O péssimo exemplo, da irresponsabilidade fiscal, acabou se generalizando e transformou a Grécia num país de sonegação fiscal completa.

Mas como desgraça pouca é bobagem, em 2010, no início da crise, o Wall Street Journal publicou uma série de reportagens em que afirma que os banqueiros estrangeiros ajudaram o governo grego a esconder sua imensa dívida pública, o indefectível “Goldman Sachs teria ajudado a esconder bilhões, dos supervisores do orçamento de Bruxelas (sede da UE), da dívida” (New York Times, 18/02/2010). O que na época deixou Merkel furiosa acreditando que seria um escândalo sem precedentes “as falsificações das estatísticas da Grécia, pelos bancos” (Estadão, 18/02, 2010). A Ministra das Finanças da França, naquela época, Christine Lagarde (hoje chefe do FMI), “identificou seis instituições bancárias especulando com a crise da dívida grega” (Estadão, 18/02, 2010). Para fechar o cenário, o então primeiro-ministro, George Panpadreou, teve a cara de pau de dizer: “a Grécia tem que tomar medidas de poupanças difíceis”(Estadão, 18/02,2010).

No domingo, 05/07, o jornal Estadão faz um breve histórico sobre a crise atual da Grécia, relembrando como foi a adesão grega à UE: “Antes de a Grécia entrar na zona do euro em 2001, o governo local já tinha fama de gastar mais do que arrecadava. Os motivos eram diversos – a começar pelas contas públicas. O país, por exemplo, tem muitos aposentados, o que aumenta significativamente os gastos com pensão. Além disso, os gregos são conhecidos por pagar pouco imposto.  Em 2012, a diretora-gerente do FMI, Christine Lagarde, foi dura nas críticas. Disse que os gregos deveriam pagar mais impostos se querem que suas crianças tenham acesso a uma boa saúde e educação.

Diz que “Para conseguir a adesão ao bloco, a Grécia chegou a maquiar os dados da dívida. Depois de entrar na zona do euro, instaurou-se o otimismo. O risco dos títulos gregos diminuiu, fazendo com que o país vendesse diversos bônus no mercado e aumentasse ainda mais a sua dívida. O governo gastou mais nos primeiros anos na zona do euro e, ao mesmo tempo, não fez ajustes necessários”.

E arremata, afirmando que “A crise que assolou as principais economias do mundo em 2008 acabou com a “farra do boi” da Grécia. O mercado de títulos diminuiu a liquidez, investidores estrangeiros se tornaram mais seletivos a quem iam emprestar dinheiro. Ao mesmo tempo, a crise fez a Grécia aumentar os gastos sociais à medida que cresceu o número de desempregados no país. A turbulência financeira abriu os olhos da Europa para o problema: a dívida grega, que já vinha de um histórico alto, caminhava para se tornar impagável. Foi então que os empréstimos do BCE, União Europeia e FMI ao país começaram”.

Obviamente, a Troika (BCE, UE e FMI) “estatizou” a dívida grega comprou os títulos dos bancos privados, os maiores credores gregos até então, assim, a Troika, se tornou a dona dos destinos do povo grego, impondo um plano de austeridade inexequível, “que a Grécia deveria a sair de uma recessão que dura desde 2009. A economia contraiu cerca de 25 por cento e a dívida disparou para 175 por cento do PIB, o equivalente a 324 bilhões de euros, segundo Open Europe e o Mecanismo europeu de Estabilidade Financeira. É uma situação que ultrapassa em muito os limites fixados pelos tratados europeus, isto é, um endividamento de 60 por cento do PIB. (Euronews, 06/07/2015).

Sem mais riscos privados, os abutres do Kapital aparecem para “resolver” a questão, no Estadão de domingo, Alan Greenspan, declarou que acha ser uma questão de tempo a Grécia sair do bloco. “Acredito que a Grécia abandonará a zona do euro. Não acho que permanecer no euro é vantajoso para os gregos ou para o resto da zona do euro. É só uma questão de tempo antes de todo mundo reconhecer que a saída (da Grécia) é a melhor estratégia”.

Hoje no site Euronews, as palavras vão ao mesmo sentido, “No parlamento Europeu, o presidente da Comissão, Jean Claude Junker, disse que fará tudo para evitar a saída da Grécia da zona euro, mas que “há países que, aberta ou secretamente, trabalham para excluí-la”. A bola está do lado do governo grego que terá que explicar como tenciona desenvencilhar-se desta situação. A Comissão Europeia, por seu turno, está disposta a fazer tudo para encontrar um acordo num prazo aceitável”, afirmou.

As Fúrias (Erínias), Tisífone (Castigo), Megera (Rancor) e Alecto (Inominável), talvez representadas por Hollande, Lagarde e Merkel, estão à espreita também. Na nota do Euronews de hoje “François Hollande e Angela Merkel encontraram-se ontem em Paris para acertarem as posições do eixo franco-alemão para esta cimeira. Ambos se mostram dispostos a dialogar, mas exigem a Alexis Tsipras que apresente esta terça-feira propostas claras e concretas”.

Toda a irresponsabilidade pretérita da elite grega, agora terá que ser paga pelo povo, as ações de Tsipras e do seu bloco, Syriza foi chamar o mesmo povo a se unir e deixar claro que NÃO aceitam mais pagar pelos crimes de suas elites, mas a cada dia se esgotam as possibilidades de uma saída negociada da atual tragédia, mas a resposta do plebiscito parece indicar que esse povo não vai se dobrar diante da tão grave ameaça. 

Os velhos argonautas, a exemplo de Odisseus, estão à deriva, chegarão a Ítaca? Terão o amor de Penélope?

2 thoughts on “#OXI, o NÃO da Grécia.”

  1. Belo texto, meu camarada. No entanto, em minha humilde opinião, o que mais importa é que existe outra saída que não seja a rendição. Ela está justamente na política, em chamar o povo a opinar e decidir. É justamente a isso que a social-democracia tupiniquim renunciou.

    Henrique

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