Viagem Orgiástica: Dante e Pink Floyd

As capas inconfundíveis dessa edição espetacular, graças ao estudioso Cristiano Martins
As capas inconfundíveis dessa edição espetacular, graças ao estudioso Cristiano Martins

Estava no metrô, lotado, ouvindo música no celular, seleção aleatória, de repente começa a tocar Shine On You Crazy Diamond (Parts I-V) – Pink Floyd – Wish  You Were Here, sou arremessado a uma viagem ao passado, uma noite, uma casa velha no centro de Florianópolis (SC), uma banheira antiga, um walkman (era o que havia de mais moderno, naquele verão de 1991) pus a fita K7, mergulho na água e a viagem é completa.

A questão não era apenas me refrescar do calor que fazia naquela época do ano, mas também curtir o som. O cenário se completava com leitura de A Divina Comédia (Inferno), edição capa dura da Editora Itatiaia, tradução espetacular de Cristiano Martins, com tantas e tantas notas de rodapé, vários livros dentro de um mesmo livro, o que obrigava a máxima atenção e concentração para absorver todas aquelas ricas informações.

A trilha sonora não me distanciava dos versos de Dante, ao contrario, aproximava mais, era um ambiente quase místico. Os meses de leitura e de estudo da Divina Comédia, quase sempre foram acompanhados de Pink Floyd, em especial os primeiros álbuns (A Saucerful Of Secrets, More, Atom Heart Mother, Meddle, Obscured By Clouds), a fase mais lisérgica. Eventualmente, também ouvia Ashes are Burning,  Prologue álbuns do Renaissance,  mas a voz de Annie Haslam me vazia voltar aos mesmos versos várias vezes.

Eram longos banhos, inesquecíveis, muita música e viagens literárias, como se aquela fusão de clássicos me fizessem flutuar num louco sonho de verão, que mesmo mais de vinte anos depois, os detalhes voltam imediatamente à mente, especialmente ao ouvir aquelas músicas, tudo parece que foi ontem.

São experiências absolutamente incríveis, com grau máximo de abstração, que se preservaram por todos esses anos, os versos são lembrados não de forma linear, mas cada canto da Divina continua vivo e são facilmente rememorados. As músicas ouvidas também comungam da mesma memória, fundidas no mesmo sentimento, estranho e prazeroso, algo inexplicável, mas que para mim, faz todo o sentido.

Um dia conto mais, ou não.

Pink Floyd –Shine On You Crazy Diamond Parts 1-9

Imagem de Amostra do You Tube

Deixe uma resposta

%d blogueiros gostam disto: