Os RIS(c)OS das Agências de RI(s)COS

A perda do Grau de Investimento trará mais pressão sobre o Ministro Levy. (Getty Images).
A perda do Grau de Investimento trará mais pressão sobre o Ministro Levy. (Getty Images).

O dia 15 de Setembro de 2008 é o equivalente para o “mercado” (essa entidade sem rosto, mas que todos temem, seria o Valdemort?) ao que aconteceu no 11 de Setembro de 2001 para os EUA. Naquele dia, quase final de verão do hemisfério norte, seria uma segunda como outra qualquer, mas não para o sistema financeiro dos EUA e do mundo “livre”, ali caiu o muro de Berlim, ou seria de Wall Street, o muro do Kapital.

Parecia tudo tranquilo, exceto pelo final de semana terrível, com 48 horas de tensas reuniões entre as autoridades econômicas dos EUA (FED, Secretário do Tesouro) e os maiores banqueiros americanos, que buscaram uma solução para o desastre que se avizinhava, a quebra da maior pirâmide da história do Kapital, que reduziu a pó o poderoso Lehman Broters.

Precisamente, naquela manhã do dia 15 de setembro, as agências de riscos abrilhantavam seus relatórios com a classificação com um enorme A para o banco amigo, Lehman Brothers, o que significava que era altamente recomendado investir nas ações do banco. A despeito de já se saber pelo menos nos últimos dois anos que o banco estava falido, com créditos podres, que de tão ruins eram chamados de “tóxicos”, entretanto nossas diligentes agências recomendavam como excelente opção de investimentos.

Obviamente que não comemorei o tal “Grau de Investimento” que o Brasil alcançou, somente no Governo do PT, que se deixe claro, pois o país era considerado MAU PAGADOR, durante os últimos 20 anos anteriores, em especial depois do calote da dívida externa em 1982 , no falido governo Figueiredo, depois renovado o não pagamento por Sarney. As agências foram capturadas pelos grandes banqueiros, representam unicamente seus interesses, como bem definiu o insuspeito Delfim Neto: “As agências são todas 171″.

É mais ainda do que simbólico que, hoje,  a Folha de São Paulo, na sua oposição sem trégua aos governos do PT, vá ouvir justamente Carlos Langoni, o ex-presidente do Banco Central do governo Figueiredo, aquele mesmo que conduziu o Brasil ao desastrado calote da dívida externa, em 1982. Até parece ato falho, pois pedir a opinião de alguém que foi um grande algoz da credibilidade externa do país, nem Freud conseguiria explicar tamanha “coincidência”, voltar a quem mais fez contra o país, para dar-lhe voz neste momento tenso, seria cômico, se não fosse trágico.

Claro que o rebaixamento tem suas funestas consequências, ainda que se diga abertamente que tais agências não representam nada, no mundo civilizado, mas terá um efeito complicado para o Governo Dilma, já acossado pela crise econômica e política, é mais um trunfo para os jornais para oposição sem programa, que aposta no pior, sempre. O revés é claro, a economia segue em crise, de alguma forma, nem que seja reflexa essa cotação negativa prejudica o ambiente.

Mais uma lembrança, os EUA ironizaram a S&P, nas palavras de Obama, em agosto de 2011: “Os mercados vão subir e descer. Mas este é o Estados Unidos da América. Não importa o que uma agência pode dizer, nós sempre fomos e sempre seremos uma nação AAA”. (O Globo, agosto de 2011). Ou a reação de Sarkhozy, então presidente francês, quando ameaçado de rebaixamento, deixou claro que se assim agisse, essas agências seriam expulsas da França.

Cabe ao governo Dilma reagir e enfrentar, sem o histrionismo de um Sakhozy, mas com a mesma firmeza de um Obama, que por coincidência vivia um péssimo momento, naquele ano.

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