Golpe? Para Que? O Governo Dilma Já Foi Capturado!

Levy e Barbosa e a Capitulação Final.
Levy e Barbosa e a Capitulação Final.

“Na verdade, a hipótese que gostaria de sugerir é a de que o paradigma governamental dominante na Europa de hoje não só não é democrático como não pode sequer ser considerado político. Irei portanto demonstrar que a sociedade europeia já não é uma sociedade política: é algo totalmente novo para o qual nos falta ainda uma terminologia apropriada e para o qual teremos, portanto, de inventar uma nova estratégia”. (Giogio Agamben – Filósofo Italiano, palestra em Atenas, Novembro de 2013).

A hipótese geral do filósofo Italiano nos permite intuí que se aplica não apenas a Europa, mas também ao Brasil, nesse momento. O Kapital venceu o embate geral, inclusive aqui. O “golpe” foi dado e está em plena execução, sem precisar afastar, a princípio, Dilma do governo. Era fato que até então, o PT se constituía como impasse ao projeto majoritário do Kapital, a fração do Kapital Financeiro.

Durante os dez primeiros anos, mesmo sem enfrentar diretamente os banqueiros, os governos do PT estavam em descompasso com os destinos apontado pelo Kapital no mundo, como consequência da Crise atual. A entrada definitiva do Brasil na crise (alerto que se deu em 2010) piorou as condições de embate, as forças em luta levaram o governo à completa capitulação, a maior demonstração disso se deu na escalada do aumento de juros, garantindo aos banqueiros consolidar seus ganhos de Kapital arrecado pelo Estado.

Agora, recentemente, o conjunto de medidas que ataca frontalmente os ganhos e os pequenos avanços sociais, em especial na inclusão social, na educação e na política de geração de emprego e renda. Todas as políticas econômicas anteriores foram dissociadas de amplos debates sobre cidadania e avanços da compreensão dos limites de ação de um governo democrático e popular dentro de realidade do Kapital cada vez mais excludente. Quando veio a crise, ela passa a ser a mãe de todas as desgraças, a figura da presidenta, obviamente, é o centro do momento desastroso. Mas é preciso, do nosso lado, aprofundar um pouco mais, senão cairemos no lugar-comum.

Tenho buscado o diálogo, quase monólogo, para por um termo mais claro ao debate sobre a Crise atual, que denomino de Crise 2.0, mas não apenas as consequências econômicas, mas, principalmente, seus impactos políticos e sociais, na vida dos trabalhadores e da sociedade em geral. As mudanças que tendem a ser mais terríveis do que antes, pois há, no meu conceito, uma mudança de paradigma, ou uma tendência à barbárie social, no meio de guetos de extrema riqueza, essa cada dia menos partilhada, inclusive no coração do Kapital.

O que se aprofunda hoje são as contradições de classes em luta, não se anunciou um novo sistema. A luta de vida e morte do Kapital(K) contra o Trabalho é pela maximização da Taxa de Lucro, não existe um distensionamento dela. Na época da revolução da microeletrônica, dos sistemas digitais, ao contrário do se pensa, nunca fomos tão explorados, o tempo necessário para remuneração do trabalho produtivo é cada vez menor. A produção de riqueza material atingiu seu pico de Superprodução em 2005(EUA), 2007 (UE) e 2010 (BRICS), o que leva a consequente crise mundial.

A crise tem um duplo caráter: É o fim de um ciclo, mas, ao mesmo tempo o início de um novo, neste interregno há o espaço para Revolução. Tema amplamente explorado no meu livro  Crise Dois Ponto Zero – A Taxa de Lucro Reloaded.

O papel do Estado, o Novo Estado (que denomino como Estado Gotham City), que surge, ou emerge dos escombros da Crise 2.0, será de mais controle e violência, a doutrina da “Segurança”, pacientemente cultivada por décadas, assumiu o centro das preocupações da máquina burocrática nos países centrais. A Política e a Democracia passam a ter um papel secundário, em alguns lugares da terra, de tão desimportante, não existirão.

Toda sorte de desvalor das duas atividades (Política e Democracia) foram exploradas e quase criminalizadas pela mídia e ideologia do Kapital. Aqui cumpre lembrar que parte da esquerda enveredou pelo mesmo caminho reforçando o repúdio, junto aos trabalhadores, da Política e da Democracia, esquecendo-se que sem elas, não chegaremos a lugar algum, pois as condições de luta e resistência são sempre piores sob Ditadura, abertas ou disfarçadas.

No Estado Gotham City, os burocratas usam as portas giratórias: ora estão na NSA, ora estão na Booz Allen; ora presidem o FED, ora é executivo do Goldman Sachs; o burocrata saiu do Banco Central do Brasil diretamente para dirigir o Itaú, ou saiu do Bradesco e vai ser Ministro da Fazenda, são movimentos que nem os olhos mais atentos percebem, ele significa a fusão entre o público e o privado. A fragilidade da Democracia e da Política se torna evidente, o modus operandi do velho Estado, impediria, em alguma medida, esta relação promíscua tão escancarada.

As eleições, os ajustes e os partidos tão idênticos, ou que não se diferenciam, reforça a imagem da pouca eficiência da Democracia. Nisso o PT não só na se diferenciou como usou dos mesmos artifícios para chegar e se manter no governo, no retrocesso econômico TODA a fatura política e econômica será cobrada.

A tendência é a desmoralização geral, não apenas do PT, mas da esquerda em geral, inclusive a que se acha de “verdade”, que não construiu NENHUMA alternativa, nem se preparou para o momento. Sem conhecer o movimento do Kapital, da Crise em particular, não conseguiu elaborar política diferente, viveu em torno do PT, como satélites ou sangue-sungas, não como partidos estratégicos de Poder.

A Democracia (Política) é um Fardo pesado demais para o Novo Estado, seu fim é exigido por uma aliança inusitada, que vai do Tea Party aos Indignados, sob o olha feliz da Kapital. O grande Kapital está exultante, pois uniu os extremos (Direita e Esquerda) contra o Velho Estado. O traço de Frank Miller (Tea Party) ou as palavras de Negri (Indignados) se unem contra a Democracia Representativa.

O que propõem: NADA. Ambos deixam as mãos livres do Kapital, para a implementação do Novo Estado.

3 thoughts on “Golpe? Para Que? O Governo Dilma Já Foi Capturado!”

  1. É com muita tristeza que concordo. Lula também cedeu, basta dizer que fez a reforma da previdência logo no início. Mas Dilma vergou. Sei lá, acho que ter sido do PDT tem um pouco a ver, sabe? A maioria dos pedetistas acabou no conservadorismo. Alguns chegaram à direita raivosa. Claro que não está longe de ser o caso dela, mas que deu uma virada conservadora, lá isso deu. Não resistiu à pressão. Agora mesmo é que vou me isolar.

  2. A mídia astuta promove um coito ininterrupto de bestas feras de onde gestam as mais bizarras criaturas.
    O primeiro e mais numeroso grupo (os analfabetos políticos), apenas rastejam e emitem grunhidos desconexos, mas na cadeia alimentar é o nutriente principal para bestas mais evoluídas.
    Um segundo grupo, bestas pouco mais evoluídas se assemelham aos papagaios. Possuem a capacidade de falar e repetem ferozmente palavras de ordem, mas não conseguem argumentar de forma lógica partindo imediatamente para o confronto com unhas e dentes.
    O Terceiro e último grupo são as bestas de sete cabeças e sete chifres. Estão no topo da cadeia, mas se alimentam das carcaças e da matéria podre. Por onde passam deixam um rastro de destruição e discórdia, ódio, intolerância, preconceito, morte.
    Já não sei se posso citar nomes para as feras desse terceiro grupo, tenho medo, mas arrisco em dar as dicas: Um ex-presidente, um ex-candidato derrotado, um certo juiz, um procurador, alguns pastores, deputados de um certo partido de oposição, etc
    Estão num frenesi alimentar, ávidos pela carcaça de Dilma e Lula.
    O que você denomina Kapital está em simbiose com a mídia, que promove o grande coito, fechando o ciclo.
    Lula e Dilma foram longe demais na utopia de uma sociedade mais justa e democrática.

  3. Para minha surpresa está rolando uma adaptação do Thriller de Michael Jackson lá dos anos 80. Os rostos de Dilma, Lula e outros petistas aparecem com feições demoníacas nos corpos dos mortos, enquanto a legenda pede o impeachment. Um trabalho de edição muito bem feito, única arma que restou para oposição golpista, mas quem está financiando isso? Com efeito, as criaturas mais sombrias estão emergindo das catacumbas para se juntar ao grande coito. O fedor mais abominável está no ar.

    “Cause this is thriller
    Thriller night
    And no one’s gonna save you
    From the beast about to strike”

    “Cause this is thriller
    Thriller night
    There ain’t no second chance
    Against the thing with forty eyes”

    “For no mere mortal can resist
    The evil of the thriller”

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