Ainda Há Esperança?

A melhor imagem, Sem Esperança de Frida Kahlo.
A melhor imagem, Sem Esperança de Frida Kahlo.

“There was a ragged band
that followed in our footsteps
Running before time took our dreams away
Leaving the myriad small creatures
trying to tie us to the ground
To a life consumed by slow decay” (High hopes – Pink Floyd)

Bem, é fato que a soma de infortúnios pelos quais tenho passado influenciam diretamente no meu humor e no meu pessimismo em geral. Entretanto, que fique claro, isso não me impede de ver essa avalanche de desgraça humana de forma objetiva, mesmo com toda a dor que me cause. Há nuvens carregadas no horizonte por todos os lados, que refletem diretamente na alma da humanidade.

Quer seja na comoção causada pelos refugiados na Europa, com uma onda de xenofobia e políticas fascistas abertas de governos como o da Hungria. Ou ações covardes como o chute da jornalista desferido contra um sírio e seu filho que tentavam entrar na Hungria, uma das cenas mais chocantes já vistas nos últimos anos, tão impactante quanto a do garotinho morto na praia na Turquia.

A tragédia humana se torna perene em tempos de Crise econômica, a moralidade e o humanismo acabam sendo as primeiras vítimas desses momentos críticos, valores como solidariedade e dignidade são esquecidos, o que se tem exposto é apenas o que há de pior em nossas entranhas, o nosso lado animal irracional, o mal é apenas banalizado, não é à toa que regimes fascistas nascem e crescem nessas condições ideias para o desenvolvimento do ódio como categoria política fundamental.

Aqui, bem próximo de nós, os exemplos se multiplicam, desde que a nossa caixa de pandora foi aberta, em 2013. A recente chacina em Osasco, uma entre tantas ocorridas nas periferias das grandes cidades, vistas e apoiadas quase como “normais”, dão a dimensão do nosso cinismo, pois a política de morte e exclusão social voltou ao nosso cotidiano, provando que não somos um país “cordial”.

Alinhado com esse conceito de exclusão e de preconceito, umas das cidades mais negras do Brasil, o Rio de Janeiro, faz seu apartheid tupiniquim, afastando os mais pobres e suburbanos das praias dos bem-nascidos. A horda de canalhas de classe média que atacaram os ônibus que partem para o subúrbio carioca tem o mesmo peso do chute dado pela jornalista fascista europeia, não há como não ligar uma imagem à outra.

Mas o que há de pior é o que não é dito em público amplo, mas de forma privada, amiúde, aquilo que demonstra, para mim, como a sociedade está contaminada, envenenada, pelo ódio de classe, de preconceito e desumanidade. Os grupos de whatsapp é a forma última de se propalar, amplificar e propagandear a mediocridade humana.

As mensagens voam e levam ódios em meio de pensamentos mesquinhos de “autoajuda”, é uma flagrante contradição, a mesma pessoa que manda um power point de Jesus e fé, de como somos bons e caridosos, nem cinco minutos depois, tem a incrível capacidade de fazer uma piada sobre a deficiência física de Lula, o grande vilão da honestíssima e honrada sociedade dos bacanas do Brasil.

Isso tudo vai se acumulando e nos empurrando para o gueto, os hipócritas aparecem como vestais da probidade e moralidade contra a corrupção em todos os jornais, TVs e revistas. Seria cômico, se não fosse trágico e seletivo, os ajustes de contas e o justiceiros de mídias sociais com os seus Smartfones julgando e condenando a todos.

Desculpem, mas não consigo ficar calado ou compactuar e conviver com pessoas e ser amigo de canalhas, desconfio inclusive de suas palavras amáveis, os seus ódios já lhe consumiram a alma, a ombridade e a honra. Sou extremamente tolerante, mas meu limite é o fascismo, público ou privado, não tem como transigir, é romper e esquecer.

É a TREVA!

Pink Floyd : High Hopes

Imagem de Amostra do You Tube

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