Tim Maia e o Brasil

O Genial povo brasileiro e seu Tim Maia
O Genial povo brasileiro e seu Tim Maia

“Decidi,viver agora
Desde que pensei em mim
Quase tudo mudou’ ( Lamento – Tim Maia)

Li o livro do Nelson Motta, “Vale Tudo”, sobre o Tim Maia, quase uma obrigação de fã, mesmo desconfiado da credibilidade do colunista, compositor e produtor, agora escritor de biografia, mas a sede de conhecer algum ângulo a mais do enorme Tim. Pouco tempo depois surge o filme/minissérie da Globofilmes, que a emissora tratou de violentar ao seu estilo, decidi nem ver mais.

Passado um ano, já com menos rancor, fui pego mudando de canal ontem à noite e estava lá a figura de Tim Maia, não deu outra, vi integralmente o filme, esqueci a tramoia da Globo, mergulhei na viagem desse artista espetacular, talvez a maior voz do Brasil, nas últimas décadas, morto aos 55 anos, resultado de todo seu exagero e força descomunal, tão típica na vida de heróis mitológicos.

O filme nos mostra um estereótipo do Tim, trajetória errante, de subida e queda, sem, entretanto, aprofundar de onde vinha sua força criativa, suas inspirações e transpirações, algumas vezes lembra uma trama de novela, mas não deixa de nos revelar a grandiosidade dele, em que muitas vezes nos remete à enormidade trágica do Brasil, ou como assim é pensada pela elite, quer seja política ou cultural.

Um gigante pela própria natureza, a metáfora Tim Maia/Brasil, que é fruto do casamento do Branco com a negra, vindo do subúrbio, com vida marginal no estrangeiro, com alguns momentos de glória e euforia, depois a queda natural, à volta ao “seu lugar”. De repente somos a sexta economia do mundo, amplo crescimento, reservas abundantes, logo a seguir a desgraça do universo, o fim dos tempos, ou a morte numa ambulância, como a dele.

Parece que Tim e o Brasil sempre serão retratados pelas mãos de uma elite que rir deles, tolerando seus arroubos, mas inclementes contra vícios, nunca há fio de continuidade na descrição dele e de nós, apenas uma vitória provisória, quase a certeza de tropeção miserável, enquanto escrevem suas linhas de tudo daria nisso, o Tião, o Sebastião, o brasileiro, não vai dar em nada. A oportunidade Tim Maia/Brasil é retratada como a inequívoca conclusão da derrota.

O eterno Macunaíma tatuado na alma, muita vezes visto como algo depreciativo, jamais como força criadora, de inovar, de ruptura entre passado e presente. O futuro não chega, matamos o presente, torturamos o passado, nos envergonhamos do que somos, ou pelo menos como somos descritos.

O Brasil e Tim Maia precisam ser melhores vistos e relatados, as manchetes dos jornais são facadas na autoestima desse povo, com tantos Tims, tão forte, louco, errante e lutador, mas que parece nunca será capaz de mudar sua sina, pois o protagonismo sempre lhe será roubado, por aqueles que jamais desceram das caravelas, pelo menos suas mentes cruéis não pensam como homo brasilis.

Ao grande Tim, ao meu Brasil, obrigado por seus exageros e mais ainda pelo seu talento incomensurável.

Tim Maia – Ela Partiu

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Tim Maia – Que Beleza

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Tim Maia – Você

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Tim Maia-Lamento

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O QUE ME IMPORTA – TIM MAIA

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Tim Maia- Não Vou Ficar

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