Bufões no Poder.

Trump e May, um mundo dominado por bufões, dos EUA a SP, passando por Londres.

“Mas dize-me uma coisa, delicioso pândego, quando fores rei, ficará de pé alguma forca na Inglaterra? E será a resolução maltratada como hoje em dia, pelo freio enferrujado dessa antiqualha que se chama lei? Não enforques nenhum ladrão, quando fores rei”. (Henrique IV – Shakespeare)

Depois de uma crise de superprodução que se aprofunda por mais tempo do que normalmente aconteceria numa crise cíclica, a tendência para rupturas na superestrutura (especialmente o Estado) torna-se uma necessidade premente, pois toda a força motora do Kapital se aplicará para a retomada do crescimento do seu poder vital, a Taxa de Lucros.

Esse fenômeno se verificou nas duas guerras, em particular na segunda com o advento do nazifascismo. O confronto entre ideologias, dentro do próprio seio do Kapital (por exemplo, keynesianimos vs nazismo, pós 1929) é para ver qual fração burguesa dará dinâmica e o controle do aparelho de Estado e com qual intensidade de exploração será imposta aos trabalhadores, inclusive com a opção de guerras por imposição territorial e ideológica.

É um profundo engano achar que um Trump (Um Falstaff sem charme), um Berluscone, uma Theresa May ou um Rajoy sejam apenas fruto do acaso, muito pelo contrário, eles representam uma tendência clara para um endurecimento do uso da força e violência para garantir a reprodução do sistema, ainda que, contraditoriamente, ponham em risco o próprio Kapital. Mas não se trata um fenômeno isolado e desprovido de seriedade ou caricatural.

O ar de farsa trazido por um bunga-bunga e uma eleição de um bufão como Trump expõem o grau de degeneração ou de falta de unidade (ou racionalidade) entre as forças internas da Burguesia. A farsa naturalmente se imporá através de medidas de força, de rupturas e de indigestos programas que, em regra, atende também a uma massa desesperada por desemprego e empobrecimento que enxerga no neofascismo uma saída.

Cabe lembrar que as opções racionais da própria burguesia e as dos trabalhadores não são ouvidas ou levadas à sério nessas condições bem particulares que o mundo se encontra. Foi assim na ascensão de Hitler/Mussolini e nos parece assim com Trump em grande relevo, ou personagens secundários de mesma ideologia como a inglesa Theresa May, um revival mambembe de Reagan/Tatcher.

A escalada da primeira semana de Trump parece de um insano, ruptura de acordos multilaterais, como o acordo do Pacífico, ameaças de revisão do NAFTA e a pedra angular de sua campanha demagógica, a construção do Muro para impedir a entrada de mexicanos e latinos ao EUA, com um detalhe sórdido, seria financiado com o aumento da alíquota de importação dos produtos mexicanos, um dupla e canalha punição.

Ainda dos EUA vem a questão do embate ideológico, de um lado Trump, de outro Soros, o abutre megaespeculador global, símbolo último do neoliberalismo do final do século passado. Soros, espertamente se converteu em mecenas, inclusive de empreendimentos de esquerda, dos que se opõem a Trump, mas é também o homem por trás de tantas “primaveras” no mundo, em sintonia com a burocracia permanente do Estado, que denomino de Estado Gotham City.

Nada desse embate sairá algo de bom para o mundo, são frações da burguesia que lutam pelo controle do Estado e os destinos da humanidade, do ponto de vista deles, não há lado “bom” para a classe trabalhadora e para o povo. Mas não deixa de ser interessante assistir a disputa que didaticamente expõe como somos dominados por ambos.

Em menor escala, mas não distante do histrionismo de Trump, a maior cidade do Brasil foi entregue ao mesmo tipo de fanfarrão que usa o Estado de forma deslumbrada e fingindo que “não é político”. A moda do “apolítico” produz figuras capazes de destruição de legados coletivos, ainda que contraditórios, apenas porque nunca conviveram em sociedades plurais, seu mundo “TOP” não admite ver os “diferentes”, a melhor expressão disso foi o cinza das ruas e o aumento criminoso da velocidade, nosso pequeno “muro”.

Aliás, esses bufões que assaltaram o poder em Brasília são a referência local dessa fase antidemocrática que experimentamos e de que o mundo está mudando, para pior. O preço que a sociedade pagará será alto, não é apenas um espetáculo midiático, mas um conjunto de rupturas humanas, que nos encaminha à guerra ou a barbárie.

Infelizmente, tudo isso que escrevo é apenas constatação, nada mudamos, por quê?

One thought on “Bufões no Poder.”

  1. Comentário de Marcos Rebello no grupo redecastorphoto do facebook:

    Muito bom
    Mas o establishment ja atirou outra pedra. Ontem o top staff do state department se demitiu definitivamente. O buraco está imenso. São postos impossiveis de serem preenchidos porque exigem experiência administrativa com milhares de pessoas em embaixadas e outros postos no exterior de outras instituições de apoio. A coisa é séria e Tillerson não tem a mínima experiência no ramo e nem o setor civil poderá preencher ou ajudar na resolução do problema porque se trata de especialidade profissional.

    Isso joga a questão para outro departamento que tambem mostra sinal de muita dificuldade. Os militares entrando no departamento de defesa ja estão sendo problema porque não aceitam apontamentos de Trump e estão colocando gente amiga nos postos vagos superiores de maior importância .

    Isso significa que o departamento de defesa deverá preencher o vácuo deixado pelo departamento de estado.

    Isso requer de Trump um pulso ainda mais firme que o coloca em situação de golpe.

    Antes do golpe vão comprometer totalmente as iniciativas resultantes de implementação dos dialogos com Putin. Vai cobrir de dúvidas tudo o que for tratado, e muitos dos acordos pessoais podem ser revertidos por questões de politica interna. Ações de bastidores que nunca vêm à tona.

    Trump já tem que tomar a decisão se vai recuar ou colocar a vida em jogo. Na segunda hipótese ele deve tomar precauções efetivas no sentido de proteger a sua imagem pública que implique em poder de dissuasão.

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