Duas Teses sobre a Conjuntura e O Novo Estado.

A nova ordem e no Novo Estado, sem direitos e de extrema exclusão,

“Os homens e as coisas se destacam como gemas fulgurantes; o êxtase é o estado permanente da sociedade; mas estas revoluções têm vida curta; logo atingem o auge, e uma longa modorra se apodera da sociedade antes que esta tenha aprendido a assimilar serenamente os resultados de seu período de lutas e embates”. ( O 18 de Brumário de Luís Bonaparte – Karl Marx)

Analisando atentamente o humor dos últimos meses, cheguei a duas questões gerais e com a necessidade de se desenvolver com mais detalhes para entender o momento do Brasil e seu encaixe no cenário global e seu ajuste permanente, pós-Crise 2.0. Então vamos a cada ponto:

1- A Onda Neofascista se esvaziou, no sentido massivo, de ruas, manifestações verde-amarelas, mas a ressaca dela se transmitiu para as microrrelações pessoais de forma devastadora, um ambiente irrespirável, desagregador;

2- As Reformas Temer feitas irão perdurar por 20 anos e liberaram o Kapital para retomar à Taxa de Lucro diminuída, tornando irrelevantes os próximos governos, principalmente sem Lula e a esquerda sem peso;

Daí concluo, inicialmente, que temos que repensar nossa atuação política, especialmente a eleitoral. Conforme venho escrevendo desde de 2011, que a Crise 2.0, fundaria um novo Estado, que denomino de Estado Gotham City, em que a  Democracia e da Política se tornam irrelevantes.

Vivemos uma ruptura de uma época, de um conceito dos poderes formais do Estado, a divisão clássica de Executivo, Legislativo e Judiciário, que já não encontram mais valor, ou necessidade concreta, apenas de forma cada vez mais abstrata e menos efetiva, em suas funções. Claro que isso não se trata apenas a realidade brasileira, antes de tudo, é mundial.

A lógica neofascista do novo liberalismo, parida em 2008, não deixará ninguém com Poder. O Kapital vai concentrar suas ações em algo perene, que não dependa de eleições, de leis e de julgamentos. A máquina de uma burocracia fixa e submetida completamente aos interesses do Kapital, protegida de decisões que envolvam votações ou grupos de pressões. Daí porque o novo Estado tem a Exceção como regra, não que seja apenas transitório.

As agências reguladoras trazem em si germes dessa conformação, não se identificando se tem apenas poder executivo, pois também legisla com bastante poder, além de julgar em vários âmbitos. É uma conformação e concentração de poder que se consolidou nos EUA e foram trazidas de contrabando para o Brasil, inclusive com características inconstitucionais, mas às favas os princípios.

Tem mais, a corrupção interna é ruim para o Kapital, que era/é amplamente usada como forma de controle do estado, mas num novo Estado vira prejuízo real e diminuição da taxa de lucro, além do efeito “moralizador” necessário para a coerção ideológica.

Parece óbvio que, um mundo não começa sem que o outro tenha acabado, imagine uma nova ordem estatal?  Haverá uma longa transição, a luta de classe se acirra, assim como a luta entre as frações do Kapital, tão viciadas no velho estado, são fundamentais para entender as resistências e as explosões de revoltas. A guerra, a dor, a luta continuam sendo a parteira dos novos tempos.

Aliás, essa nova ordem, não começou em 2008, longe disso, foi nos anos de 1980, com a captura do FED pelo Goldman Sachs, através do Democrata Paul Volker. E no Leste com a Perestroika de Gorbachev, os dois movimentos convergiram para a quebra do Estado de Bem-estar Social.

O que não deixa de ser sintomático é que a nova moral do Kapital, sua nova aurora, que viria a ser conhecida como neoliberalismo, teve dois estúpidos como porta-vozes: Reagan e Thatcher. Agora a “democracia” americana é cavalgado por ninguém menos que Trump.

Quem seria, no Brasil, o arauto desse Estado, quase sem ser Estado? Com a inviabilização de Lula, num Golpe dentro do Golpe.

Minha melhor aposta, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, um burocrata fascista que topa tudo, tem apoio e vínculos com setores mais conservadores da Direita Cristã (Católica e Evangélica), é confiável ao Kapital, tem aceitação na mídia. Até abril vai inaugurar várias grandes obras. Essa eleição vai ser dos candidatos com experiência e confiabilidade, “currículo” e obediência canina, que seja discreto e sem nenhum charme.

Basta lembrar que, dentro dessa lógica, Alckmin governou São Paulo por 17 anos, sem legislativo e sem judiciário, não é sintomático? Suas agências locais controladas pelo Kapital, tornaram os secretários meros burocratas sem funções, apenas um “status” de completos desconhecidos. Ele é um burocrata amorfo, sem carisma, mas com fidelidade canina, cumpridor de ordem, sem questionamentos e com gosto pela repressão, usada sem nenhum pudor.

Por fim, não nos impressionemos com votos brancos e nulos em volumes nunca vistos, isso não mudará uma vírgula, aliás, piora, favorece o voto de cabresto de evangélicos, que cresceram assustadoramente nas últimas eleições e podem ampliar sua participação, o que facilitaria um governo conservador e que execute um pacote ainda mais violento de medidas contra os trabalhadores, quem sabe com uma nova constituição que limpe qualquer vestígio de direitos sociais?

É como vejo a conjuntura para um ano com mais massacre sobre a Classe. Quando vamos reagir? Talvez quando chegarmos a um consenso sobre o Estado em que estamos vendo nascer, ainda fazemos política para o velho Estado, esse está morto, mas não enterrado.

Sombrio? Sim, como Gotham City, minha melhor metáfora.

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