1976: A trágica morte do cidadão congolês e a banalização do Mal


O Congolês Moise Mugenyi veio ao Brasil em busca de um chance de vida, acabou morto de forma trágica.

A barbárie há muito virou parte do cenário nacional, pouco ou nada mais nos incomoda, ou a indignação fica no ar por alguns dias, virando manchete pretérita numa rapidez que espanta, mas faz parte de uma nova realidade trazida pela internet e redes sociais. O consumo frenético, inclusive, de informações trágicas é proporcional ao aumento exponencial das tragédias.

Por quase uma semana não se tinha notícia sobre  a morte por espancamento, em 24 de janeiro do imigrante congolês Moïse Mugenyi Kabagambe, 24 anos, por um grupo de homens na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio de Janeiro. A repercussão veio nos últimos dois dias com um grande risco de que ela se torne apenas mais uma notícia.

A banalização do mal nunca esteve tão presente como no momento, pois há esquecimento imediato, ou a nova tragédia, faz esquecer a outra e assim por diante. Rapidamente lembro de casos em que a Comissão de Direitos Humanos de São Paulo tentos acompanhar, como as mortes dos adolescentes Lucas Roberto  (em Santo André) e Guilherme Guedes (na Vila Clara), além da tragédias dos nove mortos de Paraisópolis, a sensação é de que fizemos pouco, muito pouco.

É perceptível que o Brasil virou a chave, em que instante, o mestre Wilson Ramos Filho (Xixo), nos provoca no Facebook: O fascismo que assassinou o congolês saiu do armário no golpe de 2016 ou em julho de 2013?

É óbvio que antes (de 2013 ou 2016) tivemos tantas tragédias, traumas nacionais, mas a sensação é de que hoje, ou a partir de algo momento inexato, o país ligou o “Foda-se”, a ferve fascista do não estar nem aí. A pertinência da pergunta é que precisamos identificar a origem da indiferença sobre as tragédias e a sequência interminável, pois o Brasil precisa fazer um novo ajuste, a busca de uma nova carta de princípios com os Marcos Civilizatórios, para combater a indiferença que favores a inércia do Estado ou que nem precisa investigar, afinal nem brasileiro o Moïse, era.

As tragédias que ganham manchetes (boa parte não aparece) e depois cair no esquecimento, na maioria das vezes passam por investigações que não apuram devidamente os fatos e as provas se perdem, como o caso de Marielle Franco, mesmo sendo figura pública, vereadora de uma metrópole (Rio de Janeiro), foi barbaramente assassinada por sua atividade política, quase quatro anos depois, cada dia fica mais longe de que se responda a questões básicas sobre Quem Mandou Matar Marielle e Por quê?

Dias como esses são duros para quem trabalha com Direitos Humanos, parece bater mais forte em todos nós uma tragédia como essa, para que não seja apenas uma a mais, que desconfiamos que será, o que faz nos sentir impotentes, incapazes e incompetentes, que nossa atividade se reduz a enxugar gelo e pouco podemos fazer de concreto.

Não obstante, é preciso superar essa sensação e continuar, melhorar nossa forma de atuar, de nos comunicar e de ter força para exigir mais de um Estado apodrecido entregue aos fascistas e aos milicianos.

Que a morte de Moïse não seja em vão.

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