The Batman – A Barbárie de Gotham – Metáfora do Mundo.


The Batman capta o mundo real e traz profunda reflexão sobre a Barbárie.

Foram 10 anos de espera por um novo Batman, depois do final da espetacular trilogia do Cavaleiro das Trevas, da dupla Christopher Nolan (diretor) e Christian Bale (Batman), baseado nos quadrinho de Frank Miller, o mais sombrio dos Batmans, até então, o que dificilmente seria superado, mesmo a versão do Tim Burton, não chega perto da densidade da criação de Nolan.

Nesse meio tempo, houve o Batman de Ben Afleck, que serviu como tentativa da DC Comics enfrentar o sucesso da Marvel (Os Vingadores), mas ali nada se encaixa com nada, nem o personagem, muito menos o ator, tão ruim quanto o Batman do Val Kilmer ou do George Clooney, na versão de Joel Schumacher. A versão da série Gotham, com o Jim Gordon, foi o maior acerto, antes do lançamento do Coringa, de Joaquin Phoenix, há três anos e um filme fenomenal, o ator reflete a sociedade de espetáculo e deu a melhor versão do Coringa, o grande herói inimigo do Batman.

Quando se anunciou que Robert Pattinson, o vampiro dos filmes “Crepúsculo”, parecia uma gozação com os fãs do maior herói da DC Comics. E mesmo ele, com as caras e bocas da série juvenil, não conseguiu atrapalhar a nova versão do Batman, extremamente bem dirigida por Matt Reeves, que dirigiu Planeta dos Macacos. Reeves conseguiu a proeza de fazer um Batman tão denso e profundo quanto o de Nolan, é um feito incrível, mesmo com Pattinson.

Esse Batman é uma das maiores críticas da sociedade distópica em que vivemos, no cinema. O poder de ruptura das redes sociais poder leva a humanidade a um impasse histórico, a barbárie deixou de ser uma mera possibilidade, que nem se aplica a disjuntiva: Socialismo ou Barbárie, nada se sustenta com o atual estágio político do mundo.

Os dez anos do ultraliberalismo dominante criou uma sociedade protofascista

A dose cavalar de negação da Política e da Democracia, legou ao mundo uma geração  de boçais fascistas, destrutivos, moralistas, que só têm em mente a “corrupção” e o discurso religioso de limpar a sociedade, a horda de adeptos do Charada (Paul Dano) é a mesma desta molecada das redes sociais, dos mbls da vida, aliás, crias de um velho poder econômico que não aceita mais as regras mínimas de Democracia e incentiva as rupturas internas, os conflitos sem solução, assim, dividem e mantém o poder intacto.

Esse Batman mostra o louvor à destruição total, para combater o poder “corrupto”,  não como uma metáfora, a ficção se aproxima da realidade, uma série de exemplos recentes: A invasão do Capitólio, ou o 7 de setembro no Brasil em que o próprio presidente ameaça atacar os demais poderes. O poder performático de um grupo que saí do Brasil e vai à Ucrânia “filmar” uma guerra, mas que quer “pegar as loiras”, por ato falho se revelam.

Esse Batman traz ao centro do debate alguns elementos reais de como o Estado, seu do poder político e econômico, não cumpriu suas funções elementares, com saúde, educação, segurança e perspectiva de vida, Por isso acabou por alimentar essa horda selvagem, violenta, barulhenta, fascista e de performance que não quer uma nova sociedade, mas destruir literalmente a existente, o juízo final, a escatologia religiosa de fim da humanidade.

O velho poder, seu vícios, a corrupção, o jogo político e as instituições que não funcionam, são questionadas, não para melhorá-las, mas para uma ruptura despótica, anárquica, que, jogará mais desagregação e exclusão social, pois a força de repressão e o estado de exceção não favorecem um novo arvorecer, ao contrário, pode e traz a barbárie generalizada para o cotidiano.

Um grandioso filme, na linha do Coringa,  com excelentes atuações de Zoë Kravitz. como Selina Kyle, Collin Farrell, como Pinguim, Jeffrey Wright, como James Gordon, John Turturro, como Carmine Falcone.

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