O Tabefe de Will Smith


um tabefe histórico na cerimônia do Oscar.

A cena é típica de Hollywood, poderia ser num filme de faroeste, ou num stand up qualquer. Depois de uma piada nojenta num show, um ator de filmes de ação, corre e dar um tabefe, em defesa da mulher amada, ofendida pelo “humorista” inoportuno. Minutos depois, o ator recebe a estatueta do Oscar, como melhor ator.

É claro que não é uma piada, nem de mau gosto, pois é desumano demais tratar de forma humilhante uma doença grave, que impõe restrições, além de fazer com que uma mulher perca os cabelos, que carrega tanto simbolismo para uma mulher, como também para alguns homens.

O debate é intenso nas redes sociais, nos grupos de whatapp, sobre a cena protagonizada por Chris Rock e Will Smith durante a cerimônia do Oscar, em que Chris ofende a atriz Jada Pinkett Smith, companheira de Will Smith há 25 anos, fazendo uma “brincadeira” com o fato da atriz está sem cabelos, devido a Alopecia, uma doença autoimune e a queda de cabelos é uma das consequências.

Claro que o tabefe, uma reação violenta, foi condenada, mas é preciso dizer que houve uma violência de igual proporção, ao proferir a fala desrespeitosa, grave, mexendo com uma doença, que obviamente causa dor, constrangimento, insegurança entre outras questões, para as portadoras de tal mal.

Logo cedo publiquei um texto no facebook e twitter, que trouxe muitos comentários, disse que o tapa foi pouco, sei de como é difícil enfrentar determinadas doenças, em que se perde os cabelos, minha filha, já falecida, lutou 8 anos e meio contra a Leucemia e por várias vezes perdeu TODOS os pelos do corpo, por contra das quimioterapias, era o lado mais visível do que ela passava e por tantas vezes causou constrangimentos para ela, na escola, na vida social.

Óbvio que o tabefe, a violência física não resolve essa falta de caráter, mas não é de todo errado que se reaja assim. A alegada “liberdade de expressão“, não é absoluta, não pode atingir a dignidade humana, mexer com os “gatilhos”, as fragilidade e as dores mais profundas. Talvez a própria Jada desse o tabefe, ou tomasse o microfone para desancar o calhorda, mas a reação de Will Smith é perfeitamente compreensível e não exagerada, do meu ponto de vista.

A sociedade quando se aproxima da barbárie, perde a civilidade, acaba por justificar os intolerantes, as hordas selvagens de fascistas, de sociopatas que atacam os mais vulneráveis, ou em situações de vulnerabilidade, ainda usando dessa condição para “escada” de falas abjetas.

É preciso encontrar em que momento perdemos a noção civilizatória, um indicativo pode ter sido a massificação das redes sociais, que trouxe e deu palco para aqueles sentimentos primitivos, das piadas escatológicas, racistas, machistas e homofóbicas, que se contavam em mesa de bares, em churrascos, agora usando um grande públicos, esses seres vis, transformados em subcelebridades, influencers e seus comportamentos monetizados por google, youtube, facebook, instagram, tik tok.

Will Smith meio que inovou na “nota de repúdio”, pode não parar o bonde, mas que deixou sem graça, deixou.

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