1º de Maio – A Luta passa pelo combate à apatia da Classe Trabalhadora


Lula fala no ato de 1º de Maior em São Paulo

O 1º de maio é a data mais simbólica da classe trabalhadora em quase todos os lugares do planeta. As comemorações são as mais variadas, especialmente, são manifestações de luta e de protestos, pois é importante para demarcar posições, denuncias as condições de trabalho, exploração e servem para enfrentar os governos que, em regra, colaboram com os patrões para esse estado de coisas.

Desde 1990 que acompanho as manifestações de esquerda, no primeiro de maio em São Paulo, em tantos lugares nesses 32 anos, o mais tradicional local era na Praça da Sé, depois na Praça República, no Anhangabaú, nesse ano, na Praça Charles Miller, em frente ao Pacaembu.

È importante destacar que nesses anos que acompanho o primeiro de maio em São Paulo, raramente foram massivos, nestes últimos anos, eram quase protocolares, com baixa adesão, nem mesmo a militância política organizada, a vanguarda e dirigentes sindicais, tem comparecido ao importante evento, o que foi se esvaziando ano a ano.

Havia grande expectativa nesse ano, por uma série de fatores combinados, que animava as direções sindicais: 1. Arrefecimento da Pandemia; 2. Ano Eleitoral; 3. A situação de descalabro de um país desgovernado; 4. Unidade da maiores centrais sindicais; 5. A presença de Lula; 6. Artistas.

Claro que o a participação militante nesse primeiro de maio foi uma das maiores dos últimos 20 anos, além dos fatores acima, vale destacar que o ato unitário, candidatura presidencial de consenso, enfrentamento de uma conjuntura cada vez mais difícil, com aumento da fome e miséria, além da explosão dos preços de alimentos, do custo de vida e da inflação em alta.

Entretanto a sensação é de certa frustração, pois, ainda que houvesse um bom número de presentes, foi muito aquém do que a realidade exige e pela necessidade de que se tenha resposta ao governo autoritário de Bolsonaro e suas ameaças à Democracia, às instituições, inclusive, pôs em dúvida a realizações das eleições.

Acompanhei a manifestação pela Comissão de Direitos Humanos do Sindicato dos Advogados de São Paulo (SASP), junto com a companheira Luzia Cantal, que também demonstrou a preocupação com a adesão aquém do que se esperava. Ela, Luzia, corretamente diz que “Falta comunicação, e comunicação engloba tudo (formato, áudio visual, linguagem, abordagem e etc … )”.

Penso que temos que repensar as formas de mobilizações, na mesma linha que a Luzia aponta sobre a comunicação, agregaria que talvez fazer atos em bairros, periferias, ir mais próximos, pois perdemos as classes médias. Um ato de primeiro de maio, com Lula, Haddad e tantas grandes lideranças, deveria ter atraído uma quantidade bem maior.

O risco que a esquerda corre, num ano eleitoral, é a narrativa que vai se delinear, com as redes sociais em que as versões valem mais que os fatos, o que se concluí é que há uma apatia paralisante, não se pode apenas apostar que as pessoas vão votar e, por enquanto, Lula segue na liderança, mas já acossado pela proximidade de Bolsonaro.

Portanto, casa ato, mobilização tem que ter um peso político e social que possa tirar dessa apatia, romper o marasmo, pois a própria militância para quieta demais, esperando, rezando por milagres e votos, nunca foi essa nossa tradição política.

Viva a classe trabalhadora, os (as) despossuídos (as), os (as) precarizados (as), uberizados (as), que lutam de todas as formas contra a exploração.

 

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