Maldição, Culpa, Expiação e Purificação.


A contemplação é um caminho para Purificação.

“Purifica tua mente e teu corpo estará curado”(Inscrição no templo de Asclépio)

Havia na Grécia antiga famílias amaldiçoadas, os pecados pretéritos eram purgados no presente pelos descendentes, uma espécie da mácula, “pecado original” (no sentido cristão), que ia cortando gerações em desgraças e tragédias, as mais famosas são a maldição do Atridas – Agamenon e Menelau (que descendiam de Tânato) e a dos Labdacidas – Édipo e Antígone (descendiam de Cadmo).

Ora, muitas vezes me pergunto se esses éditos dos deuses, por uma má ação de uns, que vai atingindo aos descendentes, para que o sangue expie as culpas e pecados, não seria ainda uma fonte para males privados que carregamos, uma espécie de memória do inconsciente coletivo, que mesmo passados centenas de anos, nos atingem, com tanta força em eventos funestos e perdas, que não saberemos jamais explicar.

Uma leitura mítica, ou religiosa, sobre questões da vida e de morte, começando pelas dores e sofrimentos, que incluem tanto as tragédias das perdas de filhos, pais, irmãos, quanto as lutas árduas por sobrevivência, desemprego, miséria, passando pela falta de esperança nos rumos da humanidade, sem  nenhum lugar no mundo para si e aos seus.

As reflexões servem para levantar problemas (novos ou velhos), mesmo que não hajam respostas por milênios, nem mesmo com todos os avanços tecnológicos. Claro que as indagações trazem a necessidade de pensar de mexer com áreas que são sensíveis, que podem machucar (e machucam), mas elas ajudam na redenção individual, na busca de razões empíricas para continuar e seguir com o desconforto do dia a dia.

As religiões, cultos e mitos, orientais trazem a ideia de Purificação, quer seja pelo fogo ou pela água, não são baseadas nos conceitos (pesados, fardos) de pecados e culpa, mas muito mais de casualidade, algo aleatório, que pode acontecer com um ou muitos, pode haver nisso, uma certa aceitação dos processos da vida, em todas as direções, pessoais, coletivas, como também éticas e morais.

Claro que nesse modo de pensar e agir, há um risco de mera aceitação/sujeição aos fados da vida e da sociedade, de não lutar contra as injustiças e a exploração, mas é uma forma, um método de viver, de convivência individual e coletiva, bem diferente, que caminha no rumo daquilo que eles chamam de Iluminação.

Voltemos ao algoritmos e a luta de classes.

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