2114: Domingo e suas dores.


O fim do domingo e sua costumeira melancolia.

E lá se vai mais um domingo, ou melhor, menos um domingo na vida, afinal nossa contagem é regressiva, o passado foi vivido, não retorna, vencido por nós, não cabendo mais contar, no tempo de nossas vidas os anos passam, não aumentam, só nos resta o porvir, que pode ser melhor.

O domingo é o marco dessas contagem, regressivas ou não, pelo modo ocidental de se viver, a semana que começa ou termina no domingo, o dia do descanso, mesmo que na prática é só mais um dia, de trabalho, de busca por trabalho, de luta pela sobrevivência, nem a cultura cristã salvou o dia do “senhor”.

Por tantas vezes escrito aqui, nesse blog, a minha relação com o domingo nunca foi pacífica, ao contrário, desde a tenra idade, ou da consciência sobre os dias e a lógica das semanas, o domingo era o dia da obrigação de ir à missa, crendo ou não, ainda cedo aquilo tudo não me seduzia, criava uma ideia de D’Us, mas de temor do que amor, devoção.

Outros fatores íntimos me fizeram refratário aos domingos, que nem o tempo, a idade, maturidade, cuidaram de cessar, o oposto se deu, fez aprofundar a relação de Melancolia com o dia, em especial, seu ocaso, o sol que abandona o céu, a noite que se impõe e anuncia que o fim de semana se foi, a segunda vem inexorável.

Vem à mente todas as obrigações que preciso cumprir, ou a ideia de que elas não foram cumpridas, pressionando a tensão, parece inevitável.

Por fim, alguns dos piores acontecimentos da minha vida, se deram em domingos, em particular, a perda de minha filha, o que só piorou essa implicância com o domingo.

Boa semana a todas e todos.

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