2150: O Significado da Ruptura dos Ferreira Gomes com o PT no Ceará (Post 2150 – 213/2022)


A ruptura de uma aliança que bem administrou o Ceará nos últimos 20 anos.

A Ruptura da aliança dos Ferreira Gomes com o PT segue uma lógica própria, não tem só o ódio do Ciro Gomes ao PT, não é uma loucura, como parecia, tem um sentido que é preciso compreender, até para criticar e ter política alternativa no cenário político local.

Os Ferreira Gomes são uma força política secular no Ceará, eles se alimentaram da Ditadura, depois de Tasso Jereissati, para se tornarem força política hegemônica no estado, a mais forte depois da Ditadura. Ciro, Cid e Ivo, montaram uma máquina política formidável, são bons administradores, sabem usar a máquina e sabem fazer política, ainda que tenha o ciclo familiar, como centro.

Depois de assumirem as prefeituras de Sobral e Fortaleza, ainda nos anos 80, o governo do Estado, em 1990, com Ciro,  passaram a mandar no estado, mesmo pulando de partido em partido. Ciro Gomes é o nome “nacional”, Cid Gomes foi governador duas vezes, hoje  é senador, Ivo comanda a “tribo” primeira, Sobral, e é o estrategista da família.

Perderam apenas duas vezes em 34 anos a Prefeitura de Fortaleza, depois impuseram seus nomes, Roberto Claudio e Sarto. Depois trouxeram o PT para administrar em seus nomes o estado do Ceará, com Camilo Santana. Uma política que já tinham feito em Sobral. Essa aliança sempre sobre o controle rígido e em nome dos Ferreira Gomes.

É claro que não se pode menosprezar a importância dessas alianças, mesmo com esse grau de submissão, faz parte da complexa política regional do Brasil. Houve consideráveis avanços, Camilo Santana teve comportamento exemplar durante a Pandemia e saiu do governo bem avaliado, com grandes chances de ser eleito Senador.

O problema da sucessão de Camilo Santana é que sua vice, Izolda Cela, ainda não estava bem nas pesquisas, nada que não se revertesse, entretanto, os Ferreiras Gomes, Ciro, ao que consta, resolveu impor uma visão de sucessão que mesmo que não se tenha acordo, tem uma lógica. Izolda não faz frente ao candidato de Bolsonaro, Capitão Wagner, que quase venceu as eleições de Fortaleza, cerca de 40% do eleitorado do estado.

O nome de Roberto Claudio resolve duas questões e cria uma situação paralela importante: A primeira é nome de maior expressão que Izolda, com mais chance eleitoral, A segunda questão é que é um nome puro sangue dos Ferreiras Gomes, que não trará dubiedade sobre o apoio a Ciro em detrimento de Lula. O efeito paralelo e lógico é que uma candidatura do PT pode forçar um segundo turno, impediria a vitória do Capitão Wagner em primeiro turno.

Cabe ao PT lançar um bom nome, uma mulher seria o ideal, o partido cresceu no estado, dirige prefeituras, tem deputado. Aqui, à distância, o nome da vereadora Larissa Gaspar, com apoio de Camilo Santana e Lula, pode crescer e o PT ser uma ótima alternativa, inclusive para um segundo turno.

É isso.

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