2158: O Tempo Urge.


O tempo medido por todo tipo de relógio, é sempre contra nós.

“Todos os dias quando acordo
Não tenho mais
O tempo que passou”
(Tempo Perdido – Renato Russo)

A virada de mais um ano vem com aquela mensagem cerebral de que há mais tempo para trás (vivido) do que a expectativa para frente (a viver), não é uma certeza, é uma grande probabilidade e temos que nos acostumar com ela, e buscar viver dignamente, terminar bem, o que nem sempre foi o tempo pretérito, é fato.

O tempo se foi, os poucos cabelos, boa parte prateados, denunciam e nos alerta que passamos a ter algumas responsabilidades mais complexas, que desafiam as forças e o vigor, aquilo que era feito com velocidade, agora é mais lento, mais pausado, porém mais pensado, calculado e mais assertivo, a visão é mais ampla e ponderada.

É doar mais, partilhar as experiências acumuladas em nossas trajetórias, quem sabe ajude (ou não) aos que estão vindo, para nós é entender que o mundo é dos que estão chegando, o nosso tempo já se foi, nem sei se usamos de forma plena o que recebemos, ou mesmo de forma adequada, mas não dá mais para ficar fazendo balanço.

Estranho como ficamos mais críticos (ranzinzas?), menos passionais, não apenas em política, como também em vários outros campos em que a emoção é mais forte, como no futebol, não deixamos de torcer apaixonadamente pelo Corinthians, mas temos mais cautela com as dores do que é torcer, ou mesmo nas vitórias, mais comedidos.

Viramos chatos?

Claro que essa racionalidade (calma, cautela) não se aplica na defesa da vida contra os extremos (provocado por Bolsonaro e bolsonarismo) em que vivemos, e que ameaça a nossa existência comum, civilização, valores e conhecimento. A necessidade de lutar é o motor de nossas vidas, para que se possa ter um fim digno.

Em tudo mais, é viver, seguir, da melhor forma possível.

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