Abaixo o Pessimismo!

'D. Quixote contra os moinhos de vento'- gravura - G. A. Harker
‘D. Quixote contra os moinhos de vento’- gravura – G. A. Harker

Tenho todas as raivas e revoltas dentro de mim, mas, hoje, guardo-as todas resignadamente. Olho para todos os lados, à esquerda ou à direita, acima ou abaixo, sinto que nada me agrada, ou, duramente, percebo que estou completamente errado, nada se acerta, uma completa solidão. As dores se acumulam, são pontadas e estocadas do destino, das escolhas (boas ou más), mas nada foi ou é por acaso, são produzidas por mim, o que recebo, mereço, não tem do que reclamar, de nada ou ninguém.

Como gostaria de gritar alto, apenas explodir, libertar os males, liberar as energias ruins, renegar o negativo, os sentimentos podres. Vou procurar algum alimento para minha mente, que me ponha distante, bem longe do que me cerca, do que me oprime e para respirar algo limpo. Tornar-me anônimo, um completo desconhecido, como se não fosse ninguém, ser despercebido, um recomeço de qualquer ponto, desde que seja Zero, um sonho (ou pesadelo), uma fuga, uma doce alienação do nada.

Claro que isto não passa de um pensamento, é como se contasse até dez ao ler ou ver, ouvir algo que me abata e que não esperava, mas que se tornou tão comum acontecer, neste último ano. Respirar fundo, tomar água, sentir o gosto dela, que ficou amargo, mas, ao mesmo tempo, me alivia. Buscar na mente uma linha de raciocínio que mantenha certa coerência, olhar com muito cuidado o presente, sem planejar nada muito a frente, pois está difícil até projetar daqui a dois dias.

A tática do “mar de lamas” tão bem usada no passado parece que voltou com força total, até as pessoas mais equilibradas se deixam contaminar com este vale tudo. Incrível que hoje virou um discurso de que nada presta e que tudo no Brasil é uma droga e que as nossas vidas estão piores do antes, como se a bonança destes últimos anos não tivesse existido, quase nos convencendo que estamos prontos para destruição total, irreversível. Quando tudo isto ocorreu, com foi tão bem trabalhando, manipulado? Deixamos nos aprisionar pela loucura dos boçais, dos arautos do caos, simbolizado em figuras cada vez mais idiotas e sem cérebro, mas com eficiente jogo de repetição, que induz a um consenso francamente falso da realidade.

Porém não adianta ir atrás do instante que as coisas começaram a desandar (sic), o melhor, nestes momentos estranhos, é fazer algo positivo, então decidi procurar ouvir mais música, voltar aos livros, mergulhar em algumas coisas mais significativas e mais prazerosas, quem sabe o tempo, ele mesmo, o tempo, possa trazer um novo momento, e que esta onda de mau humor e de alopro suma do horizonte, para que possamos retornar o curso da vida, as ações e sentimento de que seguiremos em frente.

Quero luz e sons, poesia e arte.

Steve Howe Annie Haslam Turn of century Yes tribute

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Comfortably Numb – Billy Sherwood, Chris Squire, Alan White

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