O ENEM Venceu.

ENEM Venceu as resistências e se impôs como Modelo.
ENEM Venceu as resistências e se impôs como Modelo.

Uma belíssima matéria do jornalista Luis Nassif (Blogueiro, Empreendedor e Desbravador de Portal independente) –Apesar da campanha da mídia, o ENEM venceu, no seu ótimo portal (GGN), deu uma dimensão pública e republicana do melhor programa de educação superior dos últimos 50 anos, que foi idealizado no MEC na gestão de Fernando Haddad, de como foi a luta cruenta para que ele se estabelecesse como política pública e de todos os seus detratores ao longo destes últimos cinco anos, até ser, agora, reconhecido e aceito pela sociedade e, mesmo sem autocrítica,  pela mídia que tanto lhe fez oposição.

Vale a leitura do excelente texto de Nassif, mas meu depoimento é de pai de aluno que fez ENEM nos últimos dois anos e posso dizer como é satisfatório acompanhar minha filha ao exame. A qualidade de todas as provas, tanto do ano passado como deste ano, ao contrário das imbecilidades colocadas em redes sociais, as tais “pérolas do ENEM”, não passavam de campanha contra o exame e a dificuldade de aceitação de algo tão importante e democrático para o Brasil. Provas extremamente bem elaboradas, explorando muito bem o que deveria ser o conteúdo do ensino médio geral.

Aqui é que entra a segunda ponta do processo, a mais importante, para mim, a necessária mudança de paradigma do ensino médio e primário, a lógica do ENEM, a exploração das “Competências” e o a indicação do tipo de aluno/ensino que o exame exige. As cinco habilidades fundamentais – dominar linguagens, compreender fenômenos, enfrentar situações-problema, construir argumentação e elaborar propostas. Tudo isto rompe com a velha formação  e ilógica do ensino no Brasil, que não responde a este novo momento do mundo e da sociedade. As escolas têm de se adaptar ao exame, não o contrário, pois o ENEM é uma proposta excelente para remodelar o ensino do país.

Os meios intermediários de acesso, com as cotas sociais e por escolas públicas com índice mais adequados à realidade deles, ajudam e democratizam o ingresso ao ensino superior, dando oportunidade ampla, tratando os desiguais de forma coerente, na justa medida da sua desigualdade. O processo de mudança será longo e deve-se usar de todos os meios possíveis para trazer para Universidade Pública e privada o maior contingente de estudantes, principalmente das camadas mais pobres da população, para fazer, através da Educação, justiça social, não apenas ficar nas promessas e nos discursos eleitorais.

Minha filha fez como treino o ENEM nos últimos dois anos, assim ela vai aferindo o que aprende, onde pode melhorar e como vai se preparar para o próximo ano. É cansativo demais, provas pesadas, que exigem força mental, alto grau de concentração e esforço. O que percebi é que houve uma completa mudança no colégio que ela estuda (escola privada de São Paulo), para melhor preparar seus alunos. A metodologia ENEM está sendo aplicada desde o 6º ano, o tipo de exigência e preparação visando o futuro exame. Minha filha que está no 7º ano já está habituada ao novo modelo, com certeza sentirá menos pressão que a mais velha.

Mas o que mais me deixou feliz foi no final do domingo, mesmo perdendo o jogo do timão, ouvi da minha filha que ela estava agradecida por ter feito o ENEM do ano passado, como se sentiu melhor fazendo as provas deste ano. O mais importante de tudo isto é o que o exame “pegou” no gosto da garotada. Aliás, todos eles questionam a razão da USP, UNICAMP e UNESP continuarem fora do ENEM, pois ainda não entendem a questão política partidária mesquinha que tomou conta de São Paulo (PSDB), mantendo o velho esquema de vestibulares (e dos cursinhos), completamente ultrapassados e antidemocráticos.

Percebemos o quanto ainda precisa-se avançar nos ensinos básico e fundamental (primário e médio), mas o ENEM induz às mudanças, sem medo de erra pode-se dizer que o ENEM venceu, se consolidou nacionalmente.

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