Seguir – A Dialética do Porvir!


A imensa lua ilumina o espírito e impede que seja dominado por pensamentos vis.

Como quem lucro anela noite e dia,
Se acaso o tempo de perder lhe chega,
Rebenta em pranto e triste se excrucia
(Inferno – A Divina Comedia – Dante Alighieri)

No meio de minha jornada, acossado por sentimentos contraditórios, de um lado pelas dores e dardos arremessados pelo cruel destino, em outra mão, uma vã esperança de que a parte final da caminhada possa ser feita com dignidade e muitas cores, ainda que brancos e poucos sejam meus cabelos, reflexo ideal de tudo por onde andei, minhas agruras e, também, felicidades.

Ora, somos fustigados pela complexidade da vida, em todas as passagens dela, do nascer ao pôr do sol, do grande ciclo que percorremos, em que a maioria de nós tem apenas sua força de trabalho para (mal) vender, e nem sempre há quem a pague, ou o faça de forma aviltante.

Para além da simples reprodução da vida material, a subjetividade que carregamos nos faz lutar para que não se vire apenas uma gota d’água nesse mar de gentes, povos, de todo o mundo, terra plana ou redonda, naquilo que melhor funcione sua tola metafísica, ou sua metalinguagem.

As reflexões de hoje, não são as pretéritas, como raramente serão no porvir, somos o produto de nossa metamorfose, um eterno mudar, ainda que estejamos parados, ou em mera inercia, tudo se transforma, quer seja fora de nós, ou apenas em nosso convívio conflituoso com nossa consciência, com os valores e toda sorte de ideias que fomos compondo nosso painel humano.

“And as we wind on down the road
Our shadows taller than our souls
There walks a lady we all know
Who shines white light and wants to show
How everything still turns to gold”
(Stairway to Heaven – Led Zeppelin)

Viver, em regra, é sonhar.

Pouco importa se a realidade seja terrivelmente cinza, os sonhos conduzidos pelas novas as sinapses que vão sendo construídas para que nada fique como está, na dialética incessante da humanidade, como totalidade, ou apenas, no pequeno ser entre todos.

Há uma tentação hamletiana de nos fazer reféns de nós mesmo, de nossa consciência, mas que não impede de que se possa decidir e ir, como o jovem Fortinbras, que seguiu., pois no fundo…

O resto é silêncio.

 

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