Chato, Chatices e Caetano!

Caetano Veloso, muito além do artista, há o cidadão, ou não.

A franja da encosta cor de laranja, capim rosa chá
O mel desses olhos luz, mel de cor ímpar
(Trem das Cores – Caetano Veloso)

Ontem, 19.12.2020, teve a live do Caetano Veloso, um dos caras que tenho pinimba, reconheço como grande artista, com excelentes músicas, poesias, figura das mais importantes da MPB, entretanto, não por hoje, ou pelos últimos anos, sempre achei que a personalidade dele tenta superar a obra, não tenho identidade com o personagem.

A live é tecnicamente perfeita, o seu repertório rico, as variações, as suas releituras de músicas próprias ou de terceiros, nada a dizer, tudo feito para sua legião de fãs, minha sensação é que é o mesmo show cool e empolado, até as falas, de pelo menos de 1994, quando vi ao vivo.

A máquina de produzir polêmicas ou de fazer opções políticas, apoio à figuras detestáveis, não dá para que simplesmente se ignore. Em mim o efeito é de repulsa mesmo, ouço algumas das suas grandes composições, mas não tenho a menor paciência de ler ou ouvir uma entrevista, uma live, não me diz respeito.

Um dia, ou não, terei essa sofisticação de vocês, de conseguir separar completamente autor/obra/personalidade, confesso meu limite intelectual, quem sabe baixo intelecto.

Quem sabe tem a ver com formação na área de exatas, ou na (de) formação de organizações neostalinistas e/ou de trotskismo caricato, assumo tudo, mesmo os anos de mergulho nos grandes clássicos não foram suficientes para adquirir a sutileza necessária, sensibilidade, para ouvir, por exemplo, Caetano e esquecer a imagem dele apoiando o Bretas, entre outras coisas.

Certa feita escrevi aqui que Eu era um “chato básico”, pois o que penso politicamente e meu comportamento pessoal não traz nenhuma novidade especial e que crie impacto ou nada que possa significar surpresa, não sou dados à mudanças de comportamentos, nem de rupturas bruscas com ideias e pessoas, na maioria das vezes tento simplificar, racionalizar questões complexa, para absorver os problemas e achar alguma saída.

São meus limites, paciência.

Muitos sabem da ruptura de minha vida, nada mais tenho a perder, apenas a ganhar, se muito, quem sabe ser mais saudável, me livrar de vaidades, ambições, implicâncias, impertinências, tentar viver apenas segundo o princípio do zen budismo:

“O que se tem, é tudo que se precisa”. 

admin

Nascido em Bela Cruz (Ceará- Brasil), moro em São Paulo (São Paulo - Brasil), Técnico em Telecomunicações e Advogado. Autor do Livro - Crise 2.0: A Taxa de Lucro Reloaded.

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