1865: A Barbárie Aumentada pelo Frio


Igreja São Miguel Arcanjo acolhe as pessoas em situação de rua, diante do inverno rigoroso de São Paulo

Acordei às 5:30 da manhã, olho o celular e vejo a temperatura: 5° gruas, sensação térmica de 2° graus. A cama quente não quer deixar sair, mas tive que levantar, um compromisso no Poupatempo da Sé, com minha filha, não poderia faltar.

À mente vem a ideia de passar pela Praça da Sé, um sentimento de profunda tristeza me assaltava.

Pensar na Praça da Sé nesse rigoroso inverno de São Paulo, um dos mais frios em décadas, é um duro castigo para nossos irmãos que vivem/morrem em situação de rua, população aumentada explosivamente nesses últimos cinco anos, em especial, na Pandemia e destruição dos programas sociais pelo famigerado governo genocida de Bolsonaro e seus parceiros locais.

Passar pela Sé tem sido uma prova de força e teste para o coração, aguentar passivamente ao olhar aquela praça qualhada de desvalidos (as), sem esperança, sem a quem recorrer, jogados (as) no chão e convivendo com a miséria, a barbárie humana exposta todos os dias.

As noites geladas de São Paulo, com temperaturas de quase zero grau, impõem mais sofrimentos e dor, a sensação de abandono daqueles humanos, sem nenhum direito humano, acolhidos apenas pelas ações providenciais de igrejas, mesquitas, sinagogas que abrem suas portas, desde o apelo do Padre Júlio Lancelotti, e há um novo alento porque o metrô não vai expulsar os seres humanos e cidadãos que não encontram abrigos e dignidade.

Andamos rapidamente rumo ao Poupatempo, agasalhados, protegidos, o coração aperta por saber que nosso lado, os nossos irmãos vivem ao léu.

A dignidade humana desprezada pelo poder público, a mesma desculpa de que não há dinheiro para auxílio emergencial, para frentes de trabalho, para moradia popular, ao mesmo tempo em que bilhões são entregue aos bancos e bilionários, cada vez mais ricos.

Exemplo da política higienista e de abandono dos mais vulneráveis, são as ações recentes da Prefeitura de São Paulo na região da Cracolândia, fechando hotéis, expulsando mais gente para as ruas nesses dias tão frios, em nome de quem? Dos especuladores, da “segurança pública”?

Até quando?

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