A Existência humana não como fado!


A existência humana não pode ser um mero fado!

E aí me dá uma tristeza no meu peito
Feito um despeito de eu não ter como lutar
(Gente Humilde – Chico Buarque/Garoto e Vinícius de Moraes)

Há certos dias em que me sinto na canção Gente Humilde, do Chico Buarque, de tão pequeno e insignificante, assim como também é exatamente a vida da maioria de nós. Desgraçadamente tomamos conhecimento de outros horizontes, passamos a sonhar com eles, mal sabendo que eles são apenas miragens no deserto de nossa torpe existência.

Há aqueles, bem poucos, que têm acesso a todos bens e serviços produzidos coletivamente pela humanidade, mas que são apropriados privadamente por um punhado de pessoas. Essa lógica cruel que nem as reconfortantes e sábias palavras de padres, pastores, rabinos, gurus, conseguem conter a revolta óbvia da imensa desigualdade.

Nem mesmo as mídias (todas elas) que controlam e conhecem cada uma de nossas subjetividades, dão conta do sentimento de raiva engasgado. Os políticos e as organizações de Estado, com sutileza ou com a forças, darão conta desse sentimento de exclusão humano? Sabendo que há extrema bonança e ao mesmo tempo extrema miséria e fome.

Essa sensação não é um recalque de não fazer parte da classe daqueles que determinam a vida a morte da maioria da população do planeta, de seus recursos naturais, mas de uma certa impotência, impaciência pela demora para que nos unamos como Classe, e depois para mudar os rumos de nosso destino “certo” que nos é reservado pelo Capital.

A angústia vem de se pensar que se pode mudar, romper essa lógica histórica e não nos rebelamos fortemente contra ela, ou muitas vezes aceitamos a nossa existência como mera fatalidade, uma aceitação divinal ou de convencimento de que é assim mesmo, de que se alguns conseguem, outros também poderão.

Ah, existência!

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