Os BRICS e o FMI do B

Sob a liderança da Presidente Dilma, a VI Cúpula dos BRICS (Foto: Roberto Stuckert Filho/PR)
Sob a liderança da Presidente Dilma, a VI Cúpula dos BRICS em Fortaleza (Ceará) (Foto: Roberto Stuckert Filho/PR)

No Forte de Schoonenborch, ou Fortaleza de Nossa Senhora de Assunção ou apenas Fortaleza, Ceará, os BRICS fazem seu lance político mais ousado, a criação do Anti-FMI, ou de seu Banco de desenvolvimento, a mais concreta formalização do Bloco Econômico, até então, era mais uma reunião quase informal de acordos pontuais, alguns bilaterais, outros conjuntos, entretanto, com o Banco criado, finalmente, haverá uma institucionalização destas reuniões, não nos parece qualquer coisa.

É interessante notar que a origem desta instituição que vinculráa de forma definitiva os destinos de Brasil, Rússia, China, Índia e Africa do Sul, deu-se no mês em que se completa 70 anos do famoso acordo de Bretton Woods, que criou o BIRD, o Banco Mundial e o FMI. A data cheia e o simbolismo desta coincidência pode representar um novo momento das relações econômicas mundiais. Os eventos anteriores a Bretton Woods e que antecedem ao encontro de Fortaleza, também são significativos, a tentativa de dar outros horizontes a Economia Mundial.

Em Bretton Woods, as nações vencedoras da II Guerra Mundial, sob a hegemonia dos EUA, lançaram as bases para uma nova Economia, os ventos da grave crise mundial de 1929, a maior até então do Kapital, que levou posteriormente ao conflito aberto na Europa, chegava ao fim, milhões de mortos, uma nova liderança inconteste do Kapital se impunha ao mundo, todo o funcionamento do sistema do Kapital passa a ser tutelado pelos EUA, desde as principais instituições criadas (BIRD, FMI, ONU) até a reconstrução da Europa e do mundo (Plano Marshall).

Agora, o surgimento do Banco de fomento dos BRICS, acontece no meio da maior crise do Kapital, só comparável à crise de 1929, felizmente não houve um conflito armado amplo no mundo, apenas guerras localizadas, também sob o controle dos EUA e de seus aliados. EUA e UE, fortalecidos pela queda do Leste Europeu, com liderança inconteste do mundo, seu arautos decretaram o “fim da história”, os mais espertos o fim da luta de classes, entraríamos nos anos de ouro do Kapital, de tão fenomenais que nem precisava mais se preocupar com a questão do valor, papel levaria a mais papel.

Mas, em 2005,  veio a superprodução de Kapitais, nos EUA, depois,em 2007, na UE, acabou mergulhando o mundo numa imensa crise, destes escombros da grave Crise de Superprodução, a China, surge como um contraponto à hegemonia econômica dos EUA. A criação dos BRICS, significa a relocalização de forças anti-neoliberais, contra as políticas restritivas do FMI e a possibilidade de colocar o mundo em movimento contra o tal “fim da história”. A oposição à política única e dominante da Economia Mundial, cheia de contradições, é fato, mas vista como resistência ao Kapital e ao Estado Gotham City(Crise Dois Ponto Zero – O Estado Gotham City).

Hoje, 25 anos depois da queda do Leste Europeu, os EUA e a UE, já não podem se declarar senhores únicos do destino da humanidade, os BRICS se constituem com polo ativo de contradição ao pensamento único, mesmo que dentro da lógica do Kapital, não é a política preferencial dele, torna a luta de classes mais dinâmica, cria ambiente de atuação de classes, acelera contradições, internas e externas, libera forças, amplia horizontes. Uma parte significativa do mundo deixa de ser refém do receituário do FMI, o que não é pouca coisa, é a Economia Política girando e acentuando as contradições, a história voltando ao prumo.

5 thoughts on “Os BRICS e o FMI do B”

  1. Deixa eu dizer, uma vez mais, que minha mentalidade não seria a mesma sem o talento e o grande Jornalismo de Arnóbio Rocha. Ler suas matérias é como ler um livro das melhores bibliotecas, onde uma página é todo um universo de idéias e relatos de fatos que enobrecem o leitor. Muito agradecida por mais essa aventura no mundo da realidade. Grande abraço.

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