O 11 de Setembro – Do Chile aos EUA.

Palácio de La Moneda sendo atacado, em 1973, a democracia em queda.
Palácio de La Moneda sendo atacado, em 1973, a democracia em queda. ( Foto da AP)

O dia 11 de setembro não é uma data qualquer, em 1973, os gorilas militares chilenos, liderados por Augusto Pinochet derrubaram o governo eleito e democrático de Salvador Allende. Com enorme suporte dos EUA e dos demais regimes fascista da América Latina, os milicos chilenos tomaram o poder e fizeram uma carnificina geral, matando, torturando e perseguindo milhares de chilenos, começando com o próprio presidente Allende.

As comoventes palavras finais do Presidente, no Palácio sitiado por traidores e golpista:

“Colocado em uma transição histórica, pagarei com minha vida a lealdade do povo. E os digo que tenho a certeza de que a semente que entregaremos à consciência de milhares e milhares de chilenos não poderar ser cegada definitivamente. Trabalhadores de minha Pátria! Tenho fé no Chile e em seu destino. Superarão outros homens nesse momento cinza e amargo onde a traição pretende se impor. Sigam vocês sabendo que, muito mais cedo que tarde, abrir-se-ão de novo as grandes alamedas por onde passe o homem livre, para construir uma sociedade melhor.”

Os desdobramentos do golpe foram terríveis pelos 17 anos seguintes, o poder ditatorial dos generais tendo Pinochet à frente, além das mortes, das torturas, a economia do país totalmente submetida aos ideários liberais, uma combinação explosiva de repressão política e economia liberal, o Chile passou a ser uma espécie de “laboratório” dos neoliberais do mundo, não é por coincidência a íntima relação de Pinochet com Margareth Tatcher, a dama de ferro considerava o General o “salvador do Chile do comunismo”, independente do custo humano e social.

EUA, e o seu 11 de Setembro.

O ataque impensável no coração do Império, pariu a "guerra ao terror".
O ataque impensável no coração do Império, pariu a “guerra ao terror”.

O século XX foi enterrado definitivamente com a queda das torres gêmeas, por uma infeliz coincidência, noutro 11 de Setembro. Simbolicamente se dizia que o século XX tinha acabado em 3 de novembro de 1989, com o muro de Berlim, depois com o desmoronamento da ex-URSS em agosto de 1991, mas o cadáver estava insepulto, o evento de despedida, não foi a festa do Euro, mas a morte e o maior ataque militar sofrido pelo EUA, o único império sobrevivente, em seu território.

Nos 10 anos, daquele 11 de setembro, escrevi uma série sobre o tema e um vídeo em faço uma relato geral da situação política da época:

1)   O que você fazia dia 11 de Setembro de 2001? – relato pessoal sobre como vivi aquele dia e muitos comentários e depoimentos dos leitores dão uma excelente panorama do que foi o 11 de Setembro;

2)   Passos para o 11 de Setembro – é uma tentativa de mostrar que o ataque não foi “mera coincidência”, mas um conjunto de ações feitas pelos EUA e suas conseqüências futuras;

3)  O dia 11 de Setembro de 2001 – demonstro que ninguém  estava preparado ou tinha tido qualquer insight sobre o que poderia acontecer naquela conjuntura, imprensa, partidos, talvez a CIA especulasse algo, mas não tão grave;

4) O pós 11 de Setembro – os desdobramento da reação americana, as invasões ao Afeganistão e Iraque, a derrota da política de Guerra ao Terror.

A data no formato em inglês (9/11 ou 911)  acaba revelando outro lado trágico, 911 é número do chamado de emergência nos EUA. A cada novo 11 de setembro é preciso uma ampla reflexão  sobre estes eventos trágicos e traumáticos, que mudaram a história, cada um a seu modo, com consequência amplas para todo o mundo.

Se em 1973, significou a derrota das políticas democráticas e populares e o recrudescimento das ditaduras na América Latina, o 11 de Setembro de 2001, marcou a virada política da “guerra ao terror”, que passa a ser o método único de política externa dos EUA, com intervenções brutais e insanas em vários países, como Afeganistão, Iraque, Líbia.

Imagem de Amostra do You Tube

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