5G – O Fator Huawei – A Guerra EUA x China!

O Fator Huawei mais do que tecnologia, a disputa é comercia e ideológica.

A questão Huawei é o pano de fundo uma nova “guerra santa” dos EUA, agora contra a China e que embute uma lógica que pode definir o futuro da humanidade, tanto econômica e política; quanto cultural e de costumes. Todas as questões estão ligadas à tecnologia do futuro, no centro da disputa está a 5G (Quinta Geração de Telefonia Celular) que é o novo eldorado da indústria eletrônica, internet e de consumo no mundo.

 

A Tecnologia do 5G

 

Sinteticamente, a 5G, p ara entender seu conceito, o que está se falando é de que todos os equipamentos que temos em nosso cotidiano estarão ligados à internet. Com amplo uso, em qualquer lugar ou a qualquer instante, não se limitando aos já incorporados à vida,  Smartfones, tablets, notebooks ou smartTVs.

Desde os carros automáticos aos aparelhos domésticos, como geladeira, fogão, máquina de lavar serão conectados, para uso e controle à distância, ou como forma de distração ou ajuda durante trabalhos do cotidiano. Os equipamentos em hospitais, laboratórios, consultórios médicos, dentistas, integrados, permitindo cirurgias e diagnósticos por profissionais em qualquer lugar do planeta.

Uma nova rede de infraestrutura de comunicações está sendo criada com incríveis velocidades e estabilidade, cujos pré-testes alcançados em laboratório atingiram até 20Gbits, hoje a velocidade máxima é de 100 Mbits, um crescimento exponencial. Um pequeno exemplo, num teste, no Japão, houve uma transferência de um filme completo, em Ultra HD, em 5 segundos, fim a fim.

A questão vital para a 5G é latência, o tempo de reação a um comando, por exemplo, o piloto automático do carro tem que funcionar em sincronia com suas câmeras internas e com as redes inteligentes de sinais, com tempo nunca superior a 2 milésimos de segundos. A própria concepção de um carro inteligente vai mudar a indústria automobilística. Sabe-se que empresas, como Google, Apple, Microsoft, Huawei e Samsung, líderes de Smartfones e tecnologia entraram na  produção de sistemas para esses novos veículos, dentro da concepção da 5G.

 

O fator Huawei

 

Toda nova geração de celulares foi dominada por uma empresa, que se torna vitrine dessa tecnologia, no sistema analógica de primeira geração foi a Motorola e seu “tijolões”, na segunda geração a Nokia e seu celular arredondado. Na tecnologia de transição, a terceira, a Apple e seu IOS, em disputa com Samsung e o padrão Android. A Quarta geração o Google consolidou o Android como o sistema detentor de mais de 85% dos aparelhos, o que fez da Samsung a grande vedete.

A Quinta geração é o mais longo e mais caro desenvolvimento do padrão de telefonia, pois saiu exclusivamente dele e ganhou outras pontas da indústria, não apenas a fabulosa produção de aparelho de telefonia e dos chips de inteligência deles, cada vez menores e mais poderosos, com as patentes da Qualcomm. A utilização em todos os setores de integradores da 5G tornou-a mais complexa e mais importante tecnologia da história.

Em 1995 a China decide participar efetivamente deste novo momento, a nova política econômica aprovado pelo Governo chinês foi atrair as grandes empresas de Telecomunicações, dando-lhes acesso ao seu mercado, porém com a contrapartida de que eles tivessem acesso à tecnologia e pudessem compartilhar licenças e patentes de produtos.

Coordenado pelo ministério da indústria e de comunicações, a China montou grandes laboratórios para que os equipamentos dos grandes fabricantes fossem montados e interconectados aos protótipos chineses. Por exemplo uma Central de Comutação de fabricante X é conectada ao agregador de Estação de Rádio base chinês, ou vice-versa. Esta estratégia rapidamente deu grandes frutos, as duas empresas chinesas fomentadas pelo governo Huawei e ZTE aprenderam muito rápido a lógica de funcionamento fim a fim e começou a desenhar seus produtos com alta tecnologia.

Em 10 anos a Huawei se tornou uma empresa global, muito além da China e na verdade, virou o carro-chefe da presença chinesa no mercado de alta tecnologia.

A presença da Huawei, na terceira e na quarta geração de telefonia, na construção de infraestrutura de telecomunicações e acessos de internet em todas as parte do planeta (inclusive nos EUA), em concorrência com players seculares como Ericsson, acendeu a luz vermelha.

 

O Grande Salto Chinês

 

A Quinta geração (5G) é o “grande salto” chinês no mundo. Em plena pandemia, duas notícias correm o mundo, a primeira que a China assume a liderança da Economia Mundial, a única economia com PIB positivo e em crescimento, a outra, decorrente dessa, os EUA e seus aliados, por enquanto a Grã-Bretanha, expulsam a Huawei de seu território, rompem contratos. toda aquela balela de “free market” foi para o ralo.

A China, por não negar a COVID-19, ao seu modo, fez o lockdown, isolou regiões, enfrentou com todos os mecanismos disponíveis a pandemia, até onde se conhece de fato. Assim, conseguiu sair mais forte, voltou à produção e a garantir sua enorme presença no mercado mundial, combalido e com as incertezas da maior crise humanitária da era moderna.

A essa nova realidade, da China mais forte e com a visibilidade de que estará na vanguarda tecnológica que se inicia, tem como resposta dos EUA, a velha e surrada tática de desqualificar o outro lado, não apenas acusar a China sobre o COVID-19, mas na questão concreta, acusar a Huawei de ser a empresa que ataca as liberdades do ocidente, pois é do governo chinês e vai espionar e controlar o cidadão comum.

Seria cômico, se não fosse trágico. Cômico porque basta saber os estragos na Privacidade dos cidadãos que as empresas de tecnologia dos EUA fizeram no mundo, em parceria com as agências dos EUA, todas elas agiram e agem na defesa, ou se submetem, aos interesses do império. Portanto, é ridícula e cínica a acusação de que a Huawei defenda os interesses chineses.

A verdade é que as empresas de tecnologia dos EUA perderam a corrida da 5G, estão mal posicionadas e não têm como concorrer com a Huawei, nem com os smartfones da Samsung (Coréia do Sul). Ora, se a questão relevante for a qualidade, a China, com a Huawei, venceu com larga vantagem, apontando os rumos da tecnologia.

O que sobrou aos EUA, nessa disputa, é o ataque ideológico à Huawei, com todo cinismo que carrega tal iniciativa, pois o EUA é o país que mais violou as questões ligadas à Privacidade e Intimidade, de seus cidadão e dos demais no mundo, Snoden, Assange estão aí para provar.

O boicote comercial, a exigência aos demais países para que não contratem ou rompam os contratos com a chinesa Huawei, joga por terra a famosa liberdade de criação, de liberdade comercial e de que o “melhor se estabelece”, não é o caso.

A guerra ideológica/Comercial iniciada nos EUA, teve adesão, por enquanto, da Grã Bretanha, o Brasil está sendo instado ao mesmo caminho, de romper com a Huawei que está estabelecida no país, se adequou às normas e às concorrências locais. O governo brasileiro alinhado com Trump, fará o mesmo, prejudicando os cidadãos ao romper contratos e fazer pagar mais caro e com pior qualidade?

A questão é comercial e ideológica, a tecnologia e a qualidade dos produtos não importam, é essa a mensagem.

admin

Nascido em Bela Cruz (Ceará- Brasil), moro em São Paulo (São Paulo - Brasil), Técnico em Telecomunicações e Advogado. Autor do Livro - Crise 2.0: A Taxa de Lucro Reloaded.

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