Vai pra Cuba!! Quem dera…

Eu irei para Cuba, só não se volto.

O avião se aproxima de Miami, lá de cima procuro a Ilha, a esperança, o sonho, a utopia, a ilusão, o que sobrou de uma ideia.

Do alto, olho mais profundo, a velocidade do avião não permite dizer se o que vi era o que era. Dias depois em Key West, uma nova miragem, daquele ponto extremo, busco uma imagem, uma tentação de tão poucos quilômetros.

Esse foi o que mais próximo fisicamente estive de Cuba, em 2009, ainda não estava em moda mandar ninguém para Cuba, como se fosse um xingamento, nem mesmo aquela “fugitiva” vagava pelo Brasil fazendo seu proselitismo anticomunista, inclusive, abraçada por parte da esquerda que ao seu lado legitimava algo típico da propaganda mais tosca contra Cuba.

Nem mesmo ainda tinham chegado os heroicos médicos cubanos ao Brasil, que trouxeram esperança de saúde e atendimento humano aos rincões abandonados pelos médicos brasileiros, ensinado a odiar seu povo, claro que atacariam seus colegas cubanos de forma enfurecida, nenhuma surpresa vinda de uma categoria que não tem compromisso com a vida e nem com as pessoas, apenas status e dinheiro.

Lembro que por minha falha não havia lido ainda o maior escritor vivo da atualidade, Leonardo Padura, o cubano que tanto me encanta, com suas criticas ácidas ao regime cubano, sem, no entanto, ter abandonado sua pátria, seu povo, compreendendo os avanços e apontando os erros, sem aceitar apenas a desculpa do cerco e do bloqueio, mas sabendo o quanto isso é fatal.

“Vai pra Cuba” virou, depois de 2013, um mantra, um bordão, da Extrema-direita analfabeta, é uma renovação trágica da ideia de que os comunistas comiam criancinhas e de que haveria um “ouro de Moscou”. Em qualquer embate de rua, ou nas redes sociais, a saída mágica quando a Direita está acuada é sacar um sonoro “Vai pra Cuba”, o argumento final.

Olhando de perto, não pode ter elogio maior para Cuba, para seu regime, suas ideias, do que esse bordão, pois ele é uma afirmação positiva, uma alternativa ao que o mundo vive, ao Ultraliberalismo. É uma potente vitória de um pequeno país que ousou desafiar o gigante império do norte, os donos da planeta.

Como se um elefante que se engasga com um mosquito, é uma tremenda ironia.

Desde 1959, os EUA tentam destruir a revolução cubana, uma obsessão, meio paranoica, nessa guerra ideológica sem vale invadir, sufocar economicamente, plantar insurreições, assassinar seus líderes, infiltrar espiões, corromper mentes, manter e financiar uma comunidade paralela em Miami. todas as formas possíveis de pressões e propagadas, não foram capazes de derrotar esse povo tão especial.

Claro que tudo não serve de escudo para mascarar as falhas, os erros, os excessos cometidos pelo regime, por outro lado, é inegável a obstinação de um povo, de uma nação, de uma Ilha, que venceu a maioria das mazelas que assolam a humanidade, tem inclusive vacina.

Povo que nos deu tanta coisa boa, tantos poetas, músicos, canções inesquecíveis, a riqueza cultural de Cuba é imensa, grandes nomes em todas as artes, naquele pequeno espaço, nasceu tanta humanidade.

Nesses últimos tempos “ir para Cuba” virou um desejo, até para de lá não voltar, se misturar aquela gente linda, generosa, alegre e única nesse planeta tão pasteurizado pelo Kapital.

Vamos pra Cuba?

 

admin

Nascido em Bela Cruz (Ceará- Brasil), moro em São Paulo (São Paulo - Brasil), Técnico em Telecomunicações e Advogado. Autor do Livro - Crise 2.0: A Taxa de Lucro Reloaded.

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