Lufeba, Presente!

1
Lufeba, meu irmão, amigo. (Foto do Ricardo Queiroz)

Luiz Felipe Araújo entrou de supetão em minha vida, em 2010, na campanha da primeira eleição de Dilma Roussef, no twitter e no grupo Teia Livre, um portal colaborativo criado pelo Biruel, Marinilda, Na Faixa, Vange Leonel, Lufeba.

Lufeba era de uma inteligência absurda, sensibilidade política, observador arguto, estudioso e grande intelectual, em vários setores, uma cultura ampla, vivência rica, em vários países, mas nunca perdeu sua brasilidade, na verdade, o carioca, o espírito provocador, ele era aquele que pensava, que falava e que provocava debates profundos e cheios de valores humanos e de desejo pela revolução.

Aquele carioca, bon vivant, risonho, de orelha a orelha, grande, abraços enormes e fraterno, quase paternal, uma forma extremamente solidária, carinhosa, que parecia perdida, nos cruel anos após a queda do Muro de Berlim, que tirou da esquerda a nossa melhor tradição, que é a solidariedade humana, o abraço, o afeto, mesmo nas diferenças políticas e embates.

Ainda em 2011, disse como defina esse homem incomum:

“Luiz Felipe, nosso querido Lufeba, sai generosamente do Rio de Janeiro, de ônibus ou avião, vem a São Paulo para nos alegrar com sua amada presença, um coração imenso, daquele sorriso largo e sincero. Os cabelos brancos apenas denunciam a idade, jamais o espírito jovem e zombeteiro, os deliciosos causos, contados com ricos detalhes, nos enchem de vôos e sonhos. Um vida cheia de aventuras, lutas, reveladas de forma franca, encantadora, nos ensina a arte de ser felizes, de acreditar na vida, amor e esperança. Lufeba é um achado na vida de quem o conhece, suas palavras, carinho, incentivo, equilíbrio, sempre com um humor cortante e sofisticado”.

Ele passou por problemas de saúde que o impediam de viajar, a agenda da hemodiálise o obrigava a permanecer no seu Rio de Janeiro, o que nos fez distantes, fisicamente, mas sempre presente em conversas e nas “trolagens” mútuas no twitter, olho o twitter e choro porque meu amigo não vai me sacanear mais, não fará arenga com nossos amigos.

Era comum ao final dos jogos do seu Flamengo e dos seu ex-time, Botafogo, ele ia provocar os torcedores. Dizia sempre para ele: “liberaram o wifi do Pinel? Lufeba, o tio locão, aqui só pode”. Ele ria e devolvia dizendo: “Napoleão, estão te chamando na ala do Juquehy”. Sempre de grande humor, a sua maior “vítima” era o Luiz Alaca e o Botafogo. Mas ninguém escapava da sua verve.

Lufeba era puro amor, amizade, palavra amiga, nas ligações, nas mensagens, nos e-mail, no twitter, nossos encontros.

Dói demais, não consigo acreditar que ele nos deixou, nossa vida não será a mesma, as palavras e o sorriso amplo, sincero, cheio de afeto e de amor por todos nós. Lufeba, Ricardo Queiroz, por várias vezes nossas longas conversas e ideias, sonhos, de que nos veríamos mais e mais, pois, nunca esgotava. Numa vez conversamos de 10 da manhã de um sábado até as 2 da madruga do domingo, numa visita ao Lufeba em sua casa.

Vá em paz. meu amigo. O mundo ficou menor.

admin

Nascido em Bela Cruz (Ceará- Brasil), moro em São Paulo (São Paulo - Brasil), Técnico em Telecomunicações e Advogado. Autor do Livro - Crise 2.0: A Taxa de Lucro Reloaded.

One thought on “Lufeba, Presente!

Deixe uma resposta

Next Post

Relações Humanas ou Mercadoria.

dom set 19 , 2021
Share this on WhatsApp Print 🖨 PDF 📄 eBook 📱Caminhando entre pensamentos (bons e ruins), meio que perdido nas enormes incertezas do tempo corrente, quase sempre busco no passado, ou na literatura alguma resposta plausível para sentimentos tão contraditórios, em que as forças em combate que de tanta lutar vão […]

Arquivos

%d blogueiros gostam disto: