1890: Lufeba, Presente!


Lufeba, meu irmão, amigo. (Foto do Ricardo Queiroz)

Luiz Felipe Araújo entrou de supetão em minha vida, em 2010, na campanha da primeira eleição de Dilma Roussef, no twitter e no grupo Teia Livre, um portal colaborativo criado pelo Biruel, Marinilda, Na Faixa, Vange Leonel, Lufeba.

Lufeba era de uma inteligência absurda, sensibilidade política, observador arguto, estudioso e grande intelectual, em vários setores, uma cultura ampla, vivência rica, em vários países, mas nunca perdeu sua brasilidade, na verdade, o carioca, o espírito provocador, ele era aquele que pensava, que falava e que provocava debates profundos e cheios de valores humanos e de desejo pela revolução.

Aquele carioca, bon vivant, risonho, de orelha a orelha, grande, abraços enormes e fraterno, quase paternal, uma forma extremamente solidária, carinhosa, que parecia perdida, nos cruel anos após a queda do Muro de Berlim, que tirou da esquerda a nossa melhor tradição, que é a solidariedade humana, o abraço, o afeto, mesmo nas diferenças políticas e embates.

Ainda em 2011, disse como defina esse homem incomum:

“Luiz Felipe, nosso querido Lufeba, sai generosamente do Rio de Janeiro, de ônibus ou avião, vem a São Paulo para nos alegrar com sua amada presença, um coração imenso, daquele sorriso largo e sincero. Os cabelos brancos apenas denunciam a idade, jamais o espírito jovem e zombeteiro, os deliciosos causos, contados com ricos detalhes, nos enchem de vôos e sonhos. Um vida cheia de aventuras, lutas, reveladas de forma franca, encantadora, nos ensina a arte de ser felizes, de acreditar na vida, amor e esperança. Lufeba é um achado na vida de quem o conhece, suas palavras, carinho, incentivo, equilíbrio, sempre com um humor cortante e sofisticado”.

Ele passou por problemas de saúde que o impediam de viajar, a agenda da hemodiálise o obrigava a permanecer no seu Rio de Janeiro, o que nos fez distantes, fisicamente, mas sempre presente em conversas e nas “trolagens” mútuas no twitter, olho o twitter e choro porque meu amigo não vai me sacanear mais, não fará arenga com nossos amigos.

Era comum ao final dos jogos do seu Flamengo e dos seu ex-time, Botafogo, ele ia provocar os torcedores. Dizia sempre para ele: “liberaram o wifi do Pinel? Lufeba, o tio locão, aqui só pode”. Ele ria e devolvia dizendo: “Napoleão, estão te chamando na ala do Juquehy”. Sempre de grande humor, a sua maior “vítima” era o Luiz Alaca e o Botafogo. Mas ninguém escapava da sua verve.

Lufeba era puro amor, amizade, palavra amiga, nas ligações, nas mensagens, nos e-mail, no twitter, nossos encontros.

Dói demais, não consigo acreditar que ele nos deixou, nossa vida não será a mesma, as palavras e o sorriso amplo, sincero, cheio de afeto e de amor por todos nós. Lufeba, Ricardo Queiroz, por várias vezes nossas longas conversas e ideias, sonhos, de que nos veríamos mais e mais, pois, nunca esgotava. Numa vez conversamos de 10 da manhã de um sábado até as 2 da madruga do domingo, numa visita ao Lufeba em sua casa.

Vá em paz. meu amigo. O mundo ficou menor.

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